Apesar de compreender o porquê da mudança da hora, devo dizer que não gosto. Se fosse possível não viveria sob este horário. A hora de Inverno é a hora mais próxima da hora natural. O meio dia solar fica trinta e sete minutos atrasado em relação ao do relógio. Na hora de Verão acrescenta-se uma hora. Ficamos um pouco longe do nosso fuso natural. Tenho pena. Vivemos tão afastados da natureza que quando ela se manifesta pensamos que está contra nós.
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domingo, 27 de março de 2011
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Uma longa, longa mensagem de Natal
Tenho andado com pouca disposição para a escrita, tanto aqui como nos meus projectos. Isto de andar a tirar aulas de treino de condução, mais as preocupações que isso acarreta, mais o final da convalescença da operação, mais o frio e a chuva, tudo isto e inércia inata afastaram-me das palavras e das frases. A escrita não é uma actividade natural no ser humano. O desejo que comunicação, sim. O problema é que esse desejo tem andado adormecido.
Apesar de não ter escrito, tenho pensado (é capaz de ser presunção minha dizer reflectido) sobre alguns assuntos. Aviso já que não cheguei a nenhuma conclusão. O meu pensamento (raciocínio/reflexão) não chega a tanto. Tal é a minha confusão mental que nem sei por onde começar.
Começo talvez por algo que me tocou com intensidade. A instrutora de condução disse-me esta semana que eu sou demasiado exigente comigo próprio. Na altura neguei, mas bem vistas as coisas acho que tem razão. Estou a ter estas aulas por necessidade, quero rapidamente aprender e fazer tudo bem logo. Ao perceber que o meu corpo não acompanha a aprendizagem intelectual duas coisas aconteceram: uma machadada violenta no meu ego, pois estava convencido que conseguia aprender qualquer coisa, mesmo sendo difícil; por outro lado senti-me mais tranquilo, vai levar tempo, mas chegarei lá (na altura em que ela disse-me isto eu andava um pouco em baixo porque só via os erros que fazia e não a evolução).
Ao longo das aulas fui passando por vários estados de alma: frustração, pânico, descrença, cepticismo, resignação, esperança, alívio, nervosismo, sempre e sempre o medo de errar, de causar acidentes. Nos primeiros dias a minha condução parecia de um alcoolizado. Agora não é tanto, mas direcção continua a ser um problema. Como é que é possível numa recta eu andar aos esses? Estará o mundo alcoolizado e ninguém me disse? O estado de alma actual é resignação à minha insignificância e esperança em conseguir chegar a bom porto neste empreendimento, mesmo que me custe muitas mais aulas do que estava previsto.
Este tem sido um dos temas da minha meditação (se há sinónimos ou aparentados, porque não usar?). Tem-me levado a pensar sobre a forma como me olho e quem sou. Outro tema, está relacionado com a minha personalidade, é sobre o Natal e a alegria. Como viver o Natal? O que é o Natal? O que é para um cristão o Natal? O Advento e o tempo depois propriamente chamado de Natal? Descobri que olhando em redor o Natal que vejo e acabo por viver deprime-me. Não consigo sentir-me alegre por decreto, por marca no calendário, porque os outros estão alegres.
Uma bandeira do Natal na sociedade é a família. Olho para a minha e o que vejo? Doença, sofrimento, solidão. Onde está a alegria? O meu pai ou está alucinado querendo voltar para a casa de infância (este estado pode durar em média dois dias e duas noites, sem dormir, sempre querendo ir embora e no ponto mais activo procurado a porta para ir embora) ou está cansado e dormente não querendo sair do sítio onde está. A minha mãe oscila entre o choro, a irritação com a não colaboração do meu pai, o desgosto sempre presente por causa da solidão, das canseiras e dos achaques que também tem. Eu no meio disto oscilo entre a distância que tento manter para preservar alguma lucidez ou a entrada num turbilhão de emoções (raiva, irritação, raiva e mais raiva, impotência, solidão, muita solidão). Persegue-me o fantasma de um dia herdar a mesma doença do meu pai. Tento mentalizar-me que viverei muita solidão no futuro, como sobreviverei a isto? Se não fosse a minha pouca fé, estaria bem arranjado. Provavelmente entraria para as estatísticas do suicídio.
Voltando à meditação: neste cenário onde está a alegria? Acrescento mais uma peça: a minha personalidade melancólica. O que fazer com ela perante esta necessidade de alegria? Sim, porque Jesus disse que nos quer alegres, porque afinal não temos que temer nada. Eu sou melancólico, não há nada a fazer sem violentar a minha natureza, não é? Posso ser alegre e melancólico? Triste? Só vejo uma saída: todos os meus pressupostos estão errados. O que é então a alegria cristã? Será o estado de espírito de elevação? Tem que ser algo mais. Não pode ser um sentimento, pois há pessoas propensas a uns e outras a outros. Ser alegre deve ser uma atitude perante a realidade. Será isso? Viver melancolicamente com uma atitude positiva. Parece-me uma boa meta a atingir. Não consigo andar sempre com o coração a transbordar de bom-humor, de exaltação, nem com um sorriso rasgado desde o acordar até ao deitar, nem rir ou ser a animação de uma festa.
Há dois aspectos da alegria que em faltam e fazem falta: paz interior e entrega. Quando vivo na rotina, sem preocupações, é-me fácil ser alegre, mas isto parece-me bastante egoísta. Sim, egoísta porque vivo fechado na rotina, fechado à novidade, instalado. Lamento admitir, mas dou-me pouco. São poucas as vezes em que me abrir aos outros e entreguei-me, fiz o Bem. Este lado negro desgosta-me e podem bem dizer: “ora, muda a tua atitude”. É fácil dizer, mas muito difícil fazer. Pelo menos para mim. Quando penso nestas coisas tenho dúvidas sobre se tenho realmente fé, se sou cristão sequer. Aqui lembro-me de um diálogo no livro Harry Potter e Câmara dos Segredos. O Harry questiona-se sobre se ele não estará destinado a ser um feiticeiro mau, porque tem muitas semelhanças com o Voldemort. O Director pergunta-lhe sobre o que o Chapéu Seleccionador lhe disse no primeiro ano, quando atribuiu as casas onde os alunos iam estar. O Harry disse que pedira ao Chapéu para o pôr nos Griffindor, apesar de ele ter todas a qualidade para ir para a casa conotada com os feiticeiros maus. O Chapéu fez-lhe a vontade. O Director disse-lhe que o que faz uma pessoa não são as suas características, habilidade, virtudes, mas sim as suas decisões. Eu decido-me por ser cristão, católico, apesar de não ver em mim qualidades necessárias. Insisto. Persevero. Faço caminho.
Na terça-feira coloquei no Facebook uma questão: porquê que se celebra o Natal? Só tive um comentário. É justo, a nível humano, se não participo no que os outros dizem ou fazem, porquê esperar uma reacção diferente comigo? Depois dei a minha resposta e ninguém mostrou qualquer reacção. O Natal celebra-se porque Jesus ressuscitou. O Natal está dependente da Páscoa. Sem a Páscoa o Natal não tem sentido. A alegria e esperança natalícias estão relacionadas com a ressurreição de Jesus. Celebramos o nascimento do nosso salvador, de quem nos está a ajudar a vencer a morte, o sofrimento e a atingir a felicidade.
Há uma atitude (chamar-se-á alegria?) a ter que sei intelectualmente, mas tenho dificuldades em tê-la em prática. Tudo depende do nosso olhar. Não há sofrimento. Sofremos porque o nosso olhar não está focado no Além. Se tivéssemos a atitude que Jesus teve no Calvário e na Cruz, de abandono e confiança, não sofreríamos. Porquê que não dou um sentido ao estado da minha família? À doença do meu pai? Porquê que não vejo as suas implicações e manias como um exercício necessário para crescer? Porquê que me deixo tocar pela raiva quando ele urina para o chão em vez de o fazer na sanita? Porquê que desespero perante o chora da minha mãe quando ele anda de janela em janela, porta em porta para ir embora?
Às vezes digo no escuro que é por amor que aguento isto tudo. É por amor que abdico de formar família, de ter uma juventude normal com amigos, saídas à noite, festas e convívio. Mas à luz do dia olho para mim e para a minha vida e vejo que não abdiquei de nada. Não abdiquei porque nada escolhi. Vivo assim porque é-me confortável viver assim. Vivo com os meus pais porque não me vejo a viver longe deles. Protegem-me e protejo-os. É por amor e comodismo. É por amor e medo de sair da rotina.
Então o que será alegria numa pessoa melancólica? Deve ser o mesmo que em alguém alegre: entrega e sentido para a vida. Nesta definição: serei alegre? Acho que não. Entrego-me pouco, pelo menos no sentido do relacionamento com as outras pessoas. (ouço algures no meu cérebro a voz da minha instrutora de condução: lá estás tu a ser demasiado exigente contigo próprio).
Sabem uma coisa? Não devia sentir-me triste por não ser como as outras pessoas. Não sou uma pessoa expansiva no contacto social. Não vejo a realidade da mesma forma. Isso vai trazer-me dissabores? Vai, mas mantendo-me como sou uma coisa é certa, estarei a cumprir o que Deus sonhou para mim. Quem sabe se estas deambulações melancólicas, depressivas não ajudarão alguém a ser mais autêntico e a voltar ao plano de Deus?
No Facebook disse: não dêem presentes, meus amigos, sejam presentes na vida dos outros e assim Jesus estará presente na vida deles. A quem leu isto até aqui um muito obrigado e recebam os meus votos de um Santo Natal. Desejo que sejas Jesus presente no local onde estás.
Boas festas
P.S. Fico sempre com a sensação que não disse tudo, mas isto já vai muito longo.
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sábado, 1 de maio de 2010
No dia em que aderi ao Facebook...
… o mundo não acabou, mas que não me sinto lá muito bem é verdade.
Pois é, mais uma machadada na minha imagem de entidade alternativa e que não vai em modas.
Por outro lado, arrisco-me, a acreditar no que é pedido no registo, a ser expulso de lá, já que estou registado com nome Jota El (eu queria em minúsculas, mas não consegui) e não com o meu nome civil.
Depois de explorar aquilo um pouco cheguei à conclusão que estou um pouco à margem do espírito da aplicação e por isso mantenho-me um pouco à margem da moda. Mais, sou assim como que subversivo. Imagino que não irei ter muitos contactos, menos do que aqui.
Meti-me nisto por convite de uma amiga e colega de trabalho. Percebi logo o que quer dizer rede social. Com essa amiga vieram logo os outros amigos/contactos dela. Em poucos minutos, se eu quisesse, poderia ter establecido dezenas de contactos. Que consequências isso teria? Parece-me que em todos os contactos, quando alguém escreve algo no “seu mural”, vai aparecer essa mensagem. Se a minha amiga escrever algo eu vou receber, mas também todos os contactos dela. Já não tenho a certeza se os contactos dos contactos dela, também receberão. É de loucos, mas óptimo para quem quiser divulgar alguma coisa: livros, música, eventos. É por isso que se chama rede social.
O facto de estar registado com pseudónimo vai impossibilitar que pessoas do meu passado me encontrem. Esta é outra característica do Facebook. Ajuda ex-conhecidos a reencontrarem-se. No registo é pedido para se pôr a escola secundária, a faculdade e a empresa. Eu só coloquei as escolas secundárias mais tarde. Naturalmente fui à procura da minha escola. Há um grupo, mas não encontrei ninguém que eu possa dizer que conheço. Já tinha dito que não me lembro de quase nada e confirmei mais uma vez.
Nem quero meter-me em jogos. Já estou metido em jogos suficientes.
Neste momento a informação pessoal que está lá é só a que já aqui coloquei: escolas por onde andei e religião. No futuro, se Deus quiser, poderei anunciar lá a publicação de livros ou outra qualquer iniciativa minha, se valer a pena... claro (se mantiver um só contacto, não deve valer a pena).
Pois é, mais uma machadada na minha imagem de entidade alternativa e que não vai em modas.
Por outro lado, arrisco-me, a acreditar no que é pedido no registo, a ser expulso de lá, já que estou registado com nome Jota El (eu queria em minúsculas, mas não consegui) e não com o meu nome civil.
Depois de explorar aquilo um pouco cheguei à conclusão que estou um pouco à margem do espírito da aplicação e por isso mantenho-me um pouco à margem da moda. Mais, sou assim como que subversivo. Imagino que não irei ter muitos contactos, menos do que aqui.
Meti-me nisto por convite de uma amiga e colega de trabalho. Percebi logo o que quer dizer rede social. Com essa amiga vieram logo os outros amigos/contactos dela. Em poucos minutos, se eu quisesse, poderia ter establecido dezenas de contactos. Que consequências isso teria? Parece-me que em todos os contactos, quando alguém escreve algo no “seu mural”, vai aparecer essa mensagem. Se a minha amiga escrever algo eu vou receber, mas também todos os contactos dela. Já não tenho a certeza se os contactos dos contactos dela, também receberão. É de loucos, mas óptimo para quem quiser divulgar alguma coisa: livros, música, eventos. É por isso que se chama rede social.
O facto de estar registado com pseudónimo vai impossibilitar que pessoas do meu passado me encontrem. Esta é outra característica do Facebook. Ajuda ex-conhecidos a reencontrarem-se. No registo é pedido para se pôr a escola secundária, a faculdade e a empresa. Eu só coloquei as escolas secundárias mais tarde. Naturalmente fui à procura da minha escola. Há um grupo, mas não encontrei ninguém que eu possa dizer que conheço. Já tinha dito que não me lembro de quase nada e confirmei mais uma vez.
Nem quero meter-me em jogos. Já estou metido em jogos suficientes.
Neste momento a informação pessoal que está lá é só a que já aqui coloquei: escolas por onde andei e religião. No futuro, se Deus quiser, poderei anunciar lá a publicação de livros ou outra qualquer iniciativa minha, se valer a pena... claro (se mantiver um só contacto, não deve valer a pena).
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
Na espuma dos dias
Nas últimas semanas tenho escrito muito pouco aqui. Tive o fecho do ano que me ocupou as energias e depois fiquei sem vontade.
Não vou ser nada original, mas estou bastante confuso com a situação do país. Neste momento não há ninguém que mereça o meu respeito na política. O governo governa a pensar no poder e nas eleições. A oposição faz exactamente o mesmo. Os órgãos de informação manipulam a informação e são manipulados. Todos só pensam no seu interesse imediato, mesmo que ele signifique o mal para o país.
O que estamos a ver? Teimosia do governo em rejeitar a alteração da lei das finanças regionais autónomas. Teimosia da oposição em levá-la em frente. Os jornais violam a lei do segredo de justiça impunemente. Os agentes da justiça a fazer o mesmo.
Está tudo muito confuso. Não me lembro dos tempos depois da revolução de Abril, mas penso que não estejamos assim tão diferentes. Cada um fazia o que entendia. Os alunos desrespeitavam os professores. Chegou a haver reuniões dos alunos para decidir as notas. Os políticos lutavam para chegar ao poder.
Ou então recuamos um século. Nas cinco décadas antes da implantação da república a vida política do país era uma confusão, também. Mudava o partido e a incompetência mantinha-se. É bastante oportuna a comemoração do centenário da República no estado actual da vida pública portuguesa. Corrupção a todos os níveis. Impreparação das nossas elites para o governo. Alheamento do povo.
Já lá não vamos com revoluções. Tivemos três e estamos quase na mesma. Será que vai acontecer como uma agência de rating disse: que a economia do país vai ter uma morte lenta?
Eu não sou a pessoa mais indicada para comentar política. Dá para acreditar que quando ouvi o ministro das finanças acreditei nele e concordei nele? E que depois concordei com o que a oposição disse? Eu acredito em tudo o que dizem. Não sei se é defeito meu ou da minha formação académica, mas não sou crítico. Acredito em norma em tudo o que me dizem. Para descobrir um engano, erro ou mentira terei que estar muito certo do que sei.
As vezes gostaria de conseguir fechar-me à informação. Não ouvir rádio nem ver noticiários. Não ver notícias na televisão é fácil, já na rádio é difícil, sou ouvinte compulsivo. Tenho que experimentar.
Não vou ser nada original, mas estou bastante confuso com a situação do país. Neste momento não há ninguém que mereça o meu respeito na política. O governo governa a pensar no poder e nas eleições. A oposição faz exactamente o mesmo. Os órgãos de informação manipulam a informação e são manipulados. Todos só pensam no seu interesse imediato, mesmo que ele signifique o mal para o país.
O que estamos a ver? Teimosia do governo em rejeitar a alteração da lei das finanças regionais autónomas. Teimosia da oposição em levá-la em frente. Os jornais violam a lei do segredo de justiça impunemente. Os agentes da justiça a fazer o mesmo.
Está tudo muito confuso. Não me lembro dos tempos depois da revolução de Abril, mas penso que não estejamos assim tão diferentes. Cada um fazia o que entendia. Os alunos desrespeitavam os professores. Chegou a haver reuniões dos alunos para decidir as notas. Os políticos lutavam para chegar ao poder.
Ou então recuamos um século. Nas cinco décadas antes da implantação da república a vida política do país era uma confusão, também. Mudava o partido e a incompetência mantinha-se. É bastante oportuna a comemoração do centenário da República no estado actual da vida pública portuguesa. Corrupção a todos os níveis. Impreparação das nossas elites para o governo. Alheamento do povo.
Já lá não vamos com revoluções. Tivemos três e estamos quase na mesma. Será que vai acontecer como uma agência de rating disse: que a economia do país vai ter uma morte lenta?
Eu não sou a pessoa mais indicada para comentar política. Dá para acreditar que quando ouvi o ministro das finanças acreditei nele e concordei nele? E que depois concordei com o que a oposição disse? Eu acredito em tudo o que dizem. Não sei se é defeito meu ou da minha formação académica, mas não sou crítico. Acredito em norma em tudo o que me dizem. Para descobrir um engano, erro ou mentira terei que estar muito certo do que sei.
As vezes gostaria de conseguir fechar-me à informação. Não ouvir rádio nem ver noticiários. Não ver notícias na televisão é fácil, já na rádio é difícil, sou ouvinte compulsivo. Tenho que experimentar.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Ilha Paraíso
Há dias na SIC vi uma reportagem com um título parecido ao deste post. A reportagem era sobre uma família alemã de ecologistas radicais que vivem em Marvão. O seu modo de vida é bastante diferente do habitual, pode-se dizer que vivem como se fossem uma tribo primitiva. Não cozinham os alimentos e por isso não comem carne. Não vivem numa casa, mas em cabanas quando chove ou faz frio, o resto do tempo dormem ao relento. As crianças não são vacinadas, ajudam os adultos no trabalho das hortas. São os pais que ensinam a ler, a escrever e as fazer contas. Em suma a família vive do que a natureza dá.
Este tipo de estilo de vida atrai-me porque na sua essência está a harmonia com a natureza, a coragem de criar o Paraíso na Terra. Atrai-me, mas não me convence. Quando me ponho a imaginar como seria a minha vida daquela maneira, vejo logo um problema no que diz respeito às crianças. Neste cenário só me via nele se estivesse acompanhado e obviamente viriam filhos ao mundo. E eu pergunto: tenho o direito de privar os meus filhos das ferramentas básicas para sobreviver nesta sociedade de onde estou a sair? Porque seria muito difícil que eles durante a sua vida não precisassem de interagir com a sociedade geral. Onde é que eles irão encontrar companheiros para fazer família que partilhem o mesmo estilo de vida? Temos o direito de privar os nossos filhos de vacinas? Aquelas crianças da reportagem, enquanto forem crianças estão protegidas em parte porque não podem sair do espaço da propriedade, mas e depois?
É muito bonito quando o casal inicia uma vida a dois desta forma, mas quando os filhos forem adultos estarão totalmente condicionados. Ou viverão desta forma, ou serão totalmente desajustados da sociedade que os envolve. Eu acho que este tipo de vida só deverá ser adoptada por adultos já com filhos criados ou por celibatários.
Outro obstáculo que encontro é que sendo eu católico não posso prescindir da comunidade. Ou seja, mantendo-me católico eu teria que continuar a frequentar a igreja, participar dos sacramentos, ser membro. Este tipo de mudança de vida pressupõe um corte com o passado, viver só para este ideal. Na reportagem afloraram por alto a vivência religiosa da família. Acho que o chefe da família personificava o líder religioso. Mas não é a mesma coisa. Pelo menos para mim.
Como sou um poço de contradições, apesar de não desejar para os meus possíveis descendentes este tipo de vida, terei pena se devido a esta reportagem as autoridades portuguesas resolvam interferir no estilo de vida daquela família. Eles só aceitam a lei da natureza e da Deus. Não me espantaria que surgisse uma ordem de tribunal para tirar as crianças daqueles pais, que as obriguem a vacinar-se, que sejam obrigadas a ir à escola ou que lhes estraguem a inocência que têm.
Espero que a Ilha Paraíso não se transforme em Continente Inferno.
Este tipo de estilo de vida atrai-me porque na sua essência está a harmonia com a natureza, a coragem de criar o Paraíso na Terra. Atrai-me, mas não me convence. Quando me ponho a imaginar como seria a minha vida daquela maneira, vejo logo um problema no que diz respeito às crianças. Neste cenário só me via nele se estivesse acompanhado e obviamente viriam filhos ao mundo. E eu pergunto: tenho o direito de privar os meus filhos das ferramentas básicas para sobreviver nesta sociedade de onde estou a sair? Porque seria muito difícil que eles durante a sua vida não precisassem de interagir com a sociedade geral. Onde é que eles irão encontrar companheiros para fazer família que partilhem o mesmo estilo de vida? Temos o direito de privar os nossos filhos de vacinas? Aquelas crianças da reportagem, enquanto forem crianças estão protegidas em parte porque não podem sair do espaço da propriedade, mas e depois?
É muito bonito quando o casal inicia uma vida a dois desta forma, mas quando os filhos forem adultos estarão totalmente condicionados. Ou viverão desta forma, ou serão totalmente desajustados da sociedade que os envolve. Eu acho que este tipo de vida só deverá ser adoptada por adultos já com filhos criados ou por celibatários.
Outro obstáculo que encontro é que sendo eu católico não posso prescindir da comunidade. Ou seja, mantendo-me católico eu teria que continuar a frequentar a igreja, participar dos sacramentos, ser membro. Este tipo de mudança de vida pressupõe um corte com o passado, viver só para este ideal. Na reportagem afloraram por alto a vivência religiosa da família. Acho que o chefe da família personificava o líder religioso. Mas não é a mesma coisa. Pelo menos para mim.
Como sou um poço de contradições, apesar de não desejar para os meus possíveis descendentes este tipo de vida, terei pena se devido a esta reportagem as autoridades portuguesas resolvam interferir no estilo de vida daquela família. Eles só aceitam a lei da natureza e da Deus. Não me espantaria que surgisse uma ordem de tribunal para tirar as crianças daqueles pais, que as obriguem a vacinar-se, que sejam obrigadas a ir à escola ou que lhes estraguem a inocência que têm.
Espero que a Ilha Paraíso não se transforme em Continente Inferno.
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