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sábado, 10 de outubro de 2009

Do Amor VI

Como devo ter enlouquecido aqui fica, para terminar esta série de textos, um anúncio:

Procuro companheira

Procuro mulher solteira, disponível para relacionamento sério, da minha geração ou geração imediatamente anterior (entre os vinte e os trinta e tal), que seja católica e não se importe que eu não goste muito das tarefas domésticas.


O meu projecto de vida é ter uma família católica, com filhos naturais ou adoptados, já que não vejo com muitos bons olhos os meus genes. Quero ter abertura familiar para me dedicar à escrita, mas não pretendo exposição mediática. Preferia não ter que sair muito à noite, nem fazer muitas viagens ou andar rodeado sempre de amigos.


Quem esteja interessada prepare-se para um longo periodo de análise... e deixe o seu contacto nos comentários.



(Devo ter mesmo enlouquecido, mas o que tenho a perder? Ok, se calhar perco todos os meus leitores habituais, mas espero que não. Sim, devo ter enlouquecido.)

Do Amor V

Como se tem visto ando à espera da minha princesa encantada. Ora nisso há um problema. Tenho dois caminhos a seguir: esperar por que sei que a outra metade está aí e chegar ou partir à procura.

Como não acredito no destino pré-definido, se não não seria católico, não posso esperar que a minha cara metade apareça com certeza. Por mais que as pessoas digam que o seu parceiro estava destinado a si, que foi o destino que os juntou, que tudo isso seja bastante atractivo, há um facto que estraga tudo: nós somos donos do nosso destino, porque Deus fez-nos livres. Se somos livres de não responder ao amor de Deus como não é que somos livres de escolher o nosso destino?

Por isso só me resta procurar a minha cara metade. Claro... também posso fazer o que tenho feito, que é nada. Nas fases de depressão sinto necessidade de ter uma companheira, mas nas fases boas não. Tenho sim esperança que a encontrar, de que ela esteja ali mesmo ao virar da esquina.

Sinto que já falei demais e no entanto ainda ficou muito por dizer.


Continua

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Do Amor IV

Há uns meses li num comentário do blog do Confessionário de um Padre uma pessoa a falar da assexualidade. Fui investigar na net e descobri alguns sites sobre o assunto. Pelo que li acho que a minha história se enquadra nesse rótulo.

Realmente nunca descobri em mim um desejo sexual forte por alguém. Tive o período de descoberta do corpo que todos temos. Levei muito tempo a desculpabilizar-me disso. Foi preciso ouvir os programas Conversas com Princípio, Meio e Fim da Radio Renascença e ler os respectivos livros para isso acontecer. Há coisas que não sei como são colocadas na nossa mente de que são pecado e que afinal são fases do crescimento.

Uma pessoa assexual é alguém que não sente necessidade de sexo. Podem ter relacionamentos amorosos sem relações sexuais. Podem ter casamentos brancos, por exemplo. Vi testemunhos de quem tinha relacionamentos e que tinham sexo só porque o parceiro queria. É tudo muito estranho.

Há vários rótulos nos assexuais. Há os hetero que se apaixonam por pessoas de género diferente. Há os homo que têm a tendência de se interessarem por pessoas do mesmo género. Há os bi que podem interessar-se por pessoas de ambos os géneros.

Tenho pensado no assunto e parece-me que tenho tido uma vida assexual. Por tendência minha, por condicionamento exterior, mas não sei não poderei um dia encontrar a minha princesa encantada...


Continua

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Do Amor III

Tenho tido... não sei como definir... alguns interesses estéticos por raparigas que se cruzam comigo no autocarro. Pelo menos quando andava de manhã no autocarro. A primeira que me despertou o interesse devia ser uma estudante universitária que estava cá em Lisboa a estudar, mas ao fim-de-semana voltava à terra. Como sei isto? Todas as sexta-feiras ela vinha com uma mochila de viagem, que não usava nos outros dias. Tive pena quando deixei de vê-la no autocarro. Acabei por usar alguns aspectos dela numa personagem que criei para um história minha.

Existiram outras, mas aquela foi a paixoneta platónica mais forte. Cheguei a imaginar-me a ter um livro pronto e publicado e dar-lho, mesmo antes de sair na minha paragem, com uma dedicatória apaixonada.

Actualmente algo parecido está a passar-se, mas sem a componente autocarro. Tenho encontrado uma rapariga no meu trajecto a pé para o trabalho mais ou menos no mesmo sítio. Já consegui perceber para que lado ela vai e também de onde vem. Esta tarefa de tentar descobrir informações de pequenos indícios é apaixonante.

Uma das coisas que me está a causar problemas é como devo encará-la. Ela caminha de uma forma segura, olhando em frente, sinto que olha para mim. E o que tenho feito? Desvio o olhar. O pior é que essa desculpa de que há algo de interessante para ver é fraca, já que a zona onde nos cruzamos não tem nada para prender o olhar.

Quando desvio o olhar sinto-me mal. Cobarde, estúpido, sujo. Vejam lá, sujo! O meu estado depressivo não precisava destas coisas.


Continua

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Do Amor II

Só reparei verdadeiramente numa rapariga como alvo do meu desejo no meu primeiro emprego. Ela foi atenciosa para mim e num certo dia trazia uma blusa que no decote tinha uns cordéis que não estavam a apertar muito. Nessa altura percebi que tinha uma falha no meu crescimento. Não passara pelo tempo dos namoricos, da aprendizagem da abordagem, das humilhações e dos sucessos, dos beijos e enlevos. Antes de ter tempo para descobrir uma forma de avançar, descobri que tinha namorado e poucos tempo depois saiu da empresa. Nesse mesmo emprego ainda gostei de outra rapariga, mas acabei por desistir por o encanto ter passado.

Parece-me que só poderei ter um relacionamento amoroso com quem eu tenha uma convivência prolongada. O que vai contra uma formatação que tenho. O meu ideal romântico foi formatado pelo livro Os Maias. Para o mal e a para o bem, este é o livro da minha vida. Estou sempre à espera de encontrar a minha deusa descendo do céu caminhando pelas nuvens. Aquelas inúmeras páginas que separam o primeiro encontro entre o Carlos e a Maria Eduarda à entrada do Hotel e a declaração de amor entre eles, moldou-me a visão do amor romântico de tal maneira que tal tenha me fechado o coração e a visão para outras possibilidades.

Pode ser por isso ou porque simplesmente sou uma pessoa extremamente introvertida, com uma educação fechada, sem amizades profundas, sem convívio com pessoas da minha idade. Pode-se ter ganho um escritor, mas perdeu-se uma pessoa popular, aberta, quem sabe até o fundador de uma grande família.


Continua

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Do Amor I

Influenciado pelas leituras deste domingo, e pelo estado de espírito depressivo das últimas semanas, sinto-me levado a abordar estas temáticas, um pouco como terapia, um pouco como fruto do que tenho pensado neste assunto. Naturalmente que quando falo de amor nestes textos será da vertente humana. Sempre não perdendo de vista o Amor, que é Deus.

Comecemos, então.

Pode-se dizer que não tenho grande conhecimento do amor que não seja do amor de filho e por comparação o dos pais. A minha história amorosa é inexistente. Acreditem que é precisa alguma coragem, ou insanidade, para dizer aqui que nunca namorei. Já devo, noutros textos, ter dado essa ideia, mas agora fica claro. O que fazer? É a minha história.

Durante os meus tempos de escola, já aqui o disse, andei como que noutro mundo. Preocupava-me em passar de ano e mais nada. Viva feliz porque não tinha preocupações. O meu mundo estava habitado pela minha imaginação. Na escola fiz um amigo mais próximo na escola preparatória, continuámos amigos quando mudámos de escola e ficámos em turmas diferentes, mas a nossa amizade não passava de irmos juntos para a escola e brincarmos nos intervalos.

Não tenho grandes recordações desses tempos. Tenho a ideia de que as minhas turmas quase que não tinham raparigas. Por isso elas pertenceram sempre a um universo diferente. Ou eu é que pertenço.


Continua

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ai, o amor!

Eu sou daqueles privilegiados que trabalha relativamente perto de casa e passo pouco tempo na viagem de autocarro. Do meu emprego até à paragem é uma caminhada de cinco minutos e já de longe vou controlando a avenida onde ele passa a fim de saber se já passou ou não.

Há dias trabalhei até mais tarde e tinha acabado de sair da empresa quando vi o autocarro, lá longe, a passar. Pronto, só daqui a quinze ou vinte minutos passa outro, pensei eu. Como sempre mantive o meu ritmo habitual, não vá aparecer um desgarrado.

Quando cheguei à paragem estavam poucas pessoas. Nesta paragem passa outro autocarro para além do meu. Habitualmente são poucas as pessoas que esperam pelo meu.

Nesse dia reparei num casalinho de namorados. Era óbvio que esperavam por um autocarro, mas estava fora da paragem. Veio o outro autocarro e toda a gente encaminhou-se para ele. Eu fui colocar-me na posição de esperar pelo outro no início imaginário da fila. Reparei no beijo de despedida do casal. Ele partia e ela ficava. Reparei que o motorista estava a dizer a um passageiro que não ia até ao fim. O rapaz pelos visto ia até lá, por isso desistiu de entrar e chamou pela rapariga que já ia embora rua a baixo. Achei curioso o chamamento – com um assobio.

Eles voltaram para a paragem. Ficámos só nós. Eles andaram por ali. Como não tinha mais nada para fazer foi mirando-os discretamente. A única forma de não reparar neles seria sair dali. Fui ficando. Também não incomodaram e sempre era uma companhia.

O meu autocarro demorava e veio mais um dos outros. Na paragem só estávamos nós. O casal começou a despedir-se. Começou e continuou num longo beijo. O autocarro aproximou-se e pensei: se não fazem sinal o autocarro ainda passa e não para. O autocarro abrandou. Pensei: estão com sorte, vai sair alguém. Não seria estranho. O beijo continuou e o autocarro passou devagar, mas não parou. O rapaz deu pelo autocarro já tarde. E eu ri-me.

Ai, o amor! Tanto queriam prolongar a despedida. Tanto queriam aproveitar os últimos segundos, que os segundos se transformaram em minutos.

Talvez devesse os ter avisado de que o autocarro vinha ali. Ou fazer sinal para parar. Mas também não tinha a certeza que queriam apanhá-lo. O rapaz poderia ter entrado no outro só para saber para onde ia.

Uns minutos depois veio o meu finalmente e o casalinho lá ficou.