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terça-feira, 18 de maio de 2010

O próximo passo civilizacional

Agora isto será também legítimo

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Duas coisas diferentes num mesmo universo

Hoje vou escrever sobre uma série que me despertou a atenção há uns meses. Descobri-a navegando na página da produtora HBO. Na página dedicada à série pude encontrar pequenos resumos em vídeo dos episódios, como se fossem trailers. Fiquei com a série debaixo de olho.

A série chama-se True Blood e tem vampiros. Já estou a imaginar o que se passa na vossa menta. O tipo ficou apanhadinho pela moda dos vampiros. Realmente esta série e a saga Crepúsculo reavivaram este tema. Nem quando saiu o filme “Entrevista com vampiro” ou o “Drácula de Bram Stoker” se gerou uma moda como esta.

Esta série está a passar na RTP1 a altas horas. No início, quando soube, achei mal. Depois com os comentários de uma amiga minha que tem visto alguns episódios percebi a escolha do horário. Eu gravei vários episódios, mas não cheguei a ver um inteiro. Daquilo que pude ver fiquei surpreendido. As imagens dos resumos que vi não mostram as cenas de sexo e elas fazem parte numa medida bem grande da história. Para mim isso é o motivo para que não esteja a acompanhar a série. O erotismo desassossega-me, não preciso para a minha felicidade sujeitar-me àquele tipo de estímulos. Tenho uma vida celibatária, não preciso disso.



No entanto acho que a série está muito bem escrita e feita. A nível de argumento há várias perspectivas. Há a temática clássica dos vampiros, mas junto a ela vem uma reflexão política. Na história os vampiros não estão escondidos. Forma uma minoria e lutam por uma lugar na sociedade. Há os pró e os contra os vampiros. Há a relação entre o vampiro e a rapariga. Há uma atmosfera curiosa de negritude afro-americana que se pode ver bem expressa no genérico inicial.



Existe muita sensualidade na história. A própria protagonista está na origem dela. A Anna Paquin está muito atraente. A maneira como se veste desassossega-me. Ela tem uma beleza engraçada, na minha opinião, pouco estereotipada. Os dentes não são perfeitos, mas isso fica-lhe bem. Ela tem uma imagem de ingenuidade e pureza que contrasta com a perversidade que a rodeia. Isso torna-a mais atraente.



A atmosfera de negritude afro-americana caracteriza-se por a história se passar no sul dos Estados Unidos, talvez Nova Orleães. Há um certo ar de fanatismo religioso. Há uma história secundária de magia negra, possessões, talvez voodoo. Há devassidão.

Esta atmosfera, na minha cabeça, liga-se muito bem ao blues. Este estilo musical teve origem naquela região, naqueles ambientes. Isto faz ligação ao vídeo que apresento de seguida. Este vídeo é de um músico português cujo o corrente projecto chama-se The Legendary Tigerman. Normalmente não costumo gostar das músicas dele. Abordam este universo do qual estou a falar: devassidão, voodoo, decadência. Mas este tema até que gosto. Faz parte do último disco “Femina”, onde ele é acompanhado por várias vozes femininas. Neste é a actriz Maria de Madeiros.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Famílias...

Aproveitando o tema das leituras de hoje quero escrever sobre o projecto de lei sobre o casamento gay. Eu não sou contra a homossexualidade porque considero que as pessoas são os que são, uns são homossexuais e outros não. Mas já sou contra a promoção e a tentativa de tornar a homossexualidade como uma alternativa. Para mim tudo é vida e cada um terá que viver consigo mesmo da melhor forma.

No que diz respeito ao casamento sou contra o uso desse nome. Que um par queira ter direito de sucessão, pagar impostos por viver em comum, que queiram assumir um compromisso legal em conjunto, não me oponho, mas desvirtuar um conceito estruturante da sociedade humana para adquirir uma aceitação social acho mal. Nós não devemos discriminar os homossexuais, tal como não devemos discriminar ninguém qualquer que seja a sua particularidade. Mas dar um nome a uma realidade que não é a tradicional parece-me mal.

Eu poderia querer ser chamado de mãe e fazer uma campanha fortíssima para adquirir esse direito, mas nunca poderei ser chamado de mãe. Porquê que vamos alterar o significado secular da palavra casamento para que uma nova realidade seja incluida nele? Parece um capricho. É como se eu quisesse que o dia passasse a ser chamado de noite para poder dizer que tinha um trabalho nocturno.

Poderá um par formar uma família? Talvez se for no sentido de que um conjunto de pessoas podem ser. Por exemplo, nas empresas costuma dizer-se que é uma família, sobretudo se for um empresa pequena. Não nego que haja uma forma de amor, um sentimento que une duas pessoas do mesmo sexo, num par, mas parece-me que será sempre uma forma diminuída de família, falta-lhe a união dos opostos e a fecundidade que daí nasce.

E isto leva-me à adopção, passo seguinte da luta. Se uma pessoa sozinha pode legalmente adoptar, não vejo porquê que duas não possam. Isto do ponto de vista legal. Do ponto de vista prático acho que o interesse da criança leva a que seja um casal e não um par a adoptar. Tenho a ressalva de que um par em casos concretos pode até ser mais indicado. Por exemplo se um deles for o progenitor ou se houver já alguma relação de parentesco ou mesmo convivência. Em resumo, sou mais contra o casamento do que a adopção.

E no diz respeito à adopção até digo que já pensei em candidatar-me para adoptar, já que não vejo hipóteses de ser pai de outra forma, mas no processo de ponderação cheguei à conclusão que apesar de dar à criança todo o amor que sou capaz de dar, não iria ter um crescimento com as condições ideais. Falta a figura feminina. A minha mãe o mais que seria era avó. Penso que só adoptaria alguma criança se fosse por razões familiares ou a pedido de pais moribundos. Tudo o mais acabaria por ser por egoísmo.

Por isso em princípio um par não deveria adoptar, muito menos casar. Procure-se outra palavra. Um casal casa, um par... partilha?