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domingo, 25 de janeiro de 2009

Terceiro domingo do tempo comum – Ano B – Festa da Conversão de São Paulo

Neste domingo celebra-se a festa da conversão de São Paulo. A diocese de Lisboa está a festejar este dia em Fátima. Não tenho a certeza se o mesmo se aplica a todas as dioceses o país.

São Paulo tem uma importância enorme na formação e crescimento da Igreja. Ele foi o primeiro Apostolo enviado para fora da Terra Santa para espalhar a Boa Nova. Recebeu essa missão do próprio Jesus Cristo e com base nesse mandato ele construiu um apostolado impar. Podemos até dizer que grade parte da cultura ocidental tem origem no esforço e dedicação deste homem, que no final da sua vida dizia que já não era ele que vivia, mas sim que Cristo vivia nele.

Na primeira leitura São Paulo relata de viva voz a sua conversão, os antecedentes e as consequências. Ele já tinha um relação com Deus bastante profunda, mas precisava de purificá-la. Com o encontro a caminho de Damasco dá-se a viragem, ele compreende que estava a perseguir o próprio Deus que julgava defender (um boa chamada de atenção à nossas imagens de Deus que podem estar erradas). Mas o encontro foi mais profundo, São Paulo recebeu uma missão de veículo da acção do Espirito Santo.

Na segunda leitura São Paulo mostra qual deve ser a nossa atitude depois da conversão. Estamos no mundo, agimos no mundo, lutamos no mundo, mas não pertencemos ao mundo. Nós somos como ele instrumentos de Deus.

No Evangelho vem o mandato pata todos nós, o que devemos fazer como instrumentos de Deus.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Estatuto da Mulher

A Igreja Católica está a celebrar neste ano o nascimento de São Paulo há 2000 anos. Do dia 29 de Junho de 2008 até à mesma data do próximo ano está a celebrar-se então o ano paulino. Os bispos portugueses pediram ao Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Anacleto de Oliveira, que elaborasse um roteiro para este ano. O resultado foi um livro chamado “Um ano a caminhar com São Paulo”. Desde esse domingo, dia 29, tenho lido um capítulo por semana, como é proposto. Nesta semana o capítulo aborda um assunto que sempre me incomodou: a forma como a mulher é considerada (ou desconsiderada) na Bíblia, no presente caso no pensamento de São Paulo.

Fiquei surpreendido, agradavelmente, com os esclarecimentos sobre a passagem, Ef 5, 21-33. Resumindo: São Paulo apela às mulheres que se submetam aos seus maridos e aos maridos que amem as esposas como a sim mesmos, usando como modelo a relação de Jesus com a Sua Igreja. O que sempre me incomodou foi a palavra submeter em relação às mulheres. Por causa do peso desta palavra não reparava no que era dito depois em relação aos maridos. E a passagem trata dos maridos muito mais extensamente do que para as mulheres.

Ora o que se passava na altura em que São Paulo escreveu a carta aos Efésios era que o estatuto da esposa era pouco mais elevado que o do escravo. Desta forma é absolutamente revolucionário que era proposto aos maridos: amar as esposas como aos seus próprios corpos, não de uma forma egoísta, mas porque as esposas fazem corpo com eles. Assim o marido não podia sentir-se e agir como dono da esposa, mas tratá-la como parte de si, como igual a si. Através do baptismo todos são iguais, homens e mulheres, o que faltava fazer era superar as barreiras culturais.

São Paulo tenta convencer os maridos usando o exemplo de Cristo e da Igreja, Ele é o marido e ela a esposa. Cristo pela Igreja deu a sua vida e ressuscitou para salvá-la. O esposo deverá amar a sua esposa de igual forma. Este amor, que não se resume ao sentimento romântico, considera tudo e todos superiores a si próprio.

Desta forma compreensível o pedido de submissão às mulheres, elas deviam substituir a submissão cultural pela submissão por amor cristão em igualdade com os seus maridos.

Desta forma é espantosa a ousadia de São Paulo, que me parece ter uma “má fama” na actualidade. Acho que não estou errado em dizer que São Paulo tem uma boa quota-parte de responsabilidade na melhoria da situação da mulher na civilização judaico-cristã.

Provavelmente a Igreja não conseguiu influenciar a Cultura o suficiente para que agora, 2000 anos depois, a mulher tenha um estatuto igual ao do homem. Tem sido um processo lento, demasiado lento, mas espero que seja ao menos seguro e irreversível.