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sábado, 6 de março de 2010

É isto que eu ando a meditar.

Nestes dias, a minha oração tem levado-me a reflectir sobre como encararmos o sofrimento. Instintivamente procuramos eliminá-lo. Jesus ensina-nos que a vida é feita de alegria e tristeza, prazer e sofrimento.

Aproxima-se a Semana Santa. É uma boa forma de oração procurar identificar-mo-nos com Jesus nos momentos de sofrimento na Paixão. Aprender com Ele a viver em dor. Nas Oficinas de Oração e Vida aprendemos que a forma de vivermos o sofrimento “sem sofrermos”, é abandonar-mo-nos a Deus.

Quem se deixar inebriar pelo Amor de Deus não dará importância ao sofrimento. Onde está o meu adversário? De quem terei medo se o Senhor está do meu lado? Jesus na Sua Paixão viveu aqueles momentos centrando totalmente no Pai. Mesmo perante o Seu silêncio, Jesus confiou, sabia que Deus o amava.

Aí está a questão principal, como tornar realidade na minha vida essa verdade: Deus ama-me. Teoricamente é fácil de aceitar essa verdade. Na prática, durante a dor, o sofrimento, a irritação, a raiva, é muito mais difícil. Como me descentrar de mim próprio nestas circunstâncias?

É isto que eu ando a meditar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Música de encher a alma

Hoje consegui ter céu nublado o suficiente para vir para o trabalho a pé. Vim a ouvir o mp3 da Oração de hoje do projecto Passo-A-Rezar.
O texto de hoje é do profeta Isaías e diz-me muito, desde o tempo das Oficinas de Oração e Vida.
O que me levou escrever aqui foi a música.
Deixo aqui álbum, as faixas usadas foram a primeira e a sexta.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nossa Senhora das Dores

Hoje é dia de Nossa Senhora das Dores.

Associo esta Nossa Senhora às imagens Pietá:



Na sequência das Oficinas de Oração e Vida aprendi a rezar contemplando esta imagem da Igreja de São Domingos em Lisboa, vale a pena ficar ali minutos, atrás de minutos, sentindo as imagens uma a uma, mergulhando nos mistério da dor vencida pelo amor.


Por cima, lá no alto acho que está a imagem de Nossa Senhora das Dores, a verdadeira.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Minhas lágrimas são bits (uns e zeros em sangue)




No ano passado, dia 23 de Abril, o meu pai foi operado às cataratas (é triste constatar que colecciona maleitas). Passei a noite com ele na clínica. Foi a primeira directa que fiz. O meu pai falou a noite toda, não consegui pregar olho. Mas o pior aconteceu depois quando voltou para casa. Durante uns quatro a cinco dias tínhamos que pôr gotas nos olhos de hora em hora. Ele não queria, perguntava porquê, não acreditava que tinha sido operado, sentia uma impressão nos olhos e queria esfregar lá. Um inferno. Para, ao menos, termos a noite mais calma começámos a dar-lhe um medicamento que o médico lhe receitou para o acalmar. A primeira vez que tomou foi um choque para mim. Num minuto estava normal, no seguinte estava a apagar-se. Mas tivemos que lhe dar.

Um mês depois queiramos que ele fosse fazer análises e não lhe demos a metade do comprimido que andava a tomar à noite. Amanheceu a vomitar, com os diabetes altíssimos. Levámo-lo para o hospital e passou lá noite amarrado à cama, querendo ir embora. De noite caiu lá, ficou com um galo na cabeça. Uma tristeza. Só nessa altura é que li com atenção a literatura do medicamento. Era um anti-psicótico que cria habituação e é normal aquele tipo de sintomas. O meu pai não se aguentava em pé. Parecia ter tido um AVC, mas não teve.

Por causa disto não lhe damos nenhum anti-psicótico, só Valdispert e chá de tília ao deitar. Na noite passada nada disso funcionou. A minha mãe não dormiu um minuto e ele também não. Hoje estava de rastos. Eu? Eu sinto-me culpado por não ter dado conta de nada. Dormi quase oito horas esta noite! Sinto-me culpado porque não consigo aliviar o sofrimento dela. Sinto culpa por não conseguir chorar. Sinto culpa por me sentir impotente. Sinto culpa por não conseguir explicar à minha mãe os ensinamentos do frei Ignacio Larrañaga sobre o abandono. Sinto culpa por não estar a recorrer a todos os santos ou só a um para que o meu pai se cure. Sinto culpa por estar a despejar para aqui os meus sentimentos negativos. Sinto culpa por me sentir só, a fé devia ajudar-me a não me senti assim. Sinto culpa também por isso.





PS: Cheguei ao título depois do texto e admito que fui um pouco dramático demais. Peço desculpa.

sábado, 21 de março de 2009

Mais sobre as Oficinas

No texto que escrevi sobre as Oficinas de Oração e Vida não falei de dois aspectos muito importantes para mim.

Nas Oficinas é incutida a ideia de que para rezar para além da vontade de rezar é necessário sabermos colocar-nos em condições de orar. Ou seja aprendem-se técnicas de silenciamento e de concentração. Para quem quer ter uma vida onde a oração tem algum significado, em que realmente nos relacionamos com Deus, é necessário saber ultrapassar aqueles momentos em que a nossa cabeça quer tudo menos focar num só ponto. Muitas vezes sinto que a minha mente está em constante turbilhão. E que penso em tudo menos em Deus e no que Lhe quero dizer. As técnicas em si não são oração, não são um fim em si mesmas, tal como acontece que a meditação budista, o Yoga e coisas desse género, mas sabermos silenciar a nossa mente e corpo é muito importante.

Outro aspecto que me influenciou muito foi passar a olhar as sagradas escrituras de outra forma. O frei Ignacio tem um carisma especial e, tanto nas mensagens em cassete como nos livros, usa-o para nos ensinar a ler a escritura de uma forma muito mais próxima de nós. No livro “O Pobre de Nazaré” ele conta-nos as história de Jesus, usando sempre a Bíblia como referência, de uma forma muito próxima. Como explicar isto? Eu passei a conseguir ler os acontecimentos relatados sobre o olhar de Jesus, como se estivesse dentro da cabeça Dele. O frei Ignacio descreve-nos Jesus usando a psicologia, usando a imaginação.

O mesmo se passa com Maria. Nesta espiritualidade Maria, não deixando de ser um mulher extraordinária, é apresentada como um ser humano sujeito a dúvidas, que trabalha, que tem uma vida como todos nós. A ausência de pecado original nela reflecte-se na capacidade de dizer sim a Deus, de se abandonar Nele, de ter confiança Nele até ao fim. De resto ela não sabia mais do qualquer outro personagem bíblico. Frei Ignacio imagina Maria a cada passo da sua vida meditando sobre as coisas que aconteciam com o Menino ou sobre o que Ele dizia ou fazia.

O frei Ignacio esforça-se para “explicar” Jesus e Maria de uma forma em que nos sintamos próximos deles. Que Eles sejam próximos de nós. Nada melhor para modelo e mestre alguém com quem nos possamos identificar, que seja alguém que possamos dizer que tem semelhanças connosco.

terça-feira, 17 de março de 2009

Oficinas de Oração e Vida

Há quatro anos (tantos? parece-me que foi ontem) participei numa iniciativa na minha paróquia chamada de Oficinas de Oração e Vida. Estas Oficinas foram criadas por um frade capuchinho espanhol, radicado no Chile, chamado Ignácio Larrañaga. Ele ao longo da sua vida orientou muitos encontros de oração e de reflexão. Com o tempo foi criando um sistema que acabou por ser a estrutura das Oficinas.
O que são as Oficinas de Oração e Vida? Durante dezasseis semanas são promovidos encontros semanais. Em cada semana é abordado um tema e uma forma de rezar. Por mais estranho que pareça a quem tem pouco experiência de oração, existem muitas formas de rezar: podemos rezar lendo, meditando o que lemos, contemplando uma estampa ou imagem sugestiva, escrevendo, repetindo tendencialmente para chegar ao silêncio uma frase sugestiva, colocando-se no lugar de Jesus, rezando com a natureza, em contemplação, elevando-nos a Deus ou acolhendo-o, rezar com os salmos, rezar em grupo, meditar em grupo.
O frei Ignácio tem um carisma fortíssimo. Em cada sessão ouvimos e meditamos os ensinamentos do frei Ignácio. Essas mensagens eram transmitidas através de cassetes. Vou deixar aqui uns vídeos (que não precisam vistos, mas sim ouvidos).
Uma das traves mestras destas Oficinas consistiam em criar o hábito de todos os dias se reservar meia hora para Deus. Cada semana recebemos uma folha com a prática programada até à sessão seguinte. Cada dia devemos praticar a forma de oração abordada na sessão anterior. Devo dizer que desde então tenho mantido esse hábito.
As Oficinas termina com uma sessão especial. Nesse dia fomos a casa de retiros e vivemos um dia de Deserto. Foi uma experiência única que me deixa muitas saudades. As quatro horas que passámos em oração (podíamos escolher ficar onde quizéssemos, eu fiquei num quarto) souberam a muito pouco.
Quem puder ir, recomendo.
Foi uma alegria muito grande quando encontrei estes vídeos no youtube. O assunto deles é o Abandono (um dos temas que mais me tocou acompanhado pela visão totalmente diferente do comum de Maria)