quinta-feira, 2 de junho de 2011
Nem sei que título pôr
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Uma longa, longa mensagem de Natal
sábado, 16 de outubro de 2010
Saltimbanco – Cirque du Soliel
Das quatro vezes que o circo veio a Portugal, só à primeira vez é que não fui. Já conhecia pela televisão e felizmente os espectáculos que vieram têm sido pouco transmitidos.
Os números com trapézio e elásticos foram espectaculares. Aqui ficam alguns vídeos. O primeiro é do duo de trapézio, um dos mais bem conseguidos do ponto de vista da imaginação e ousadia. Durante a apresentação só perto do fim é que percebi que elas tinha cabos de segurança. Realmente tinha achado estranho quando começam a balançar os colegas no chão terem retirado o colchão. No vídeo é lá para o minuto cinco.
A forma como este número acaba foi espectacular. Infelizmente não encontrei um vídeo de melhor qualidade.
Como é habitual, as duas partes principais de palhaços contam com a participação de espectadores. Neste número há mímica, humor, está claro, e beatbox. Aqui ficam os vídeos.
Para além do espectáculo fui vendo, antes e no intervalo, as pessoas e os técnicos do circo. Quanto aos técnicos senti alguma inveja. Eles não sobem ao palco, mas fazem parte do espectáculo. Já é a segunda vez que sinto este desejo que participar numa organização daquelas, a um grupo assim. Todos têm um papel a desempenhar. Acho graça aos operadores de holofotes que antes do começo sobem lá para cima e só saem no fim.
Desde criança que sempre gostei de circo, sobretudo a parte dos malabarismos e acrobacias. Os números com animais nunca me cativaram. É por isso que gosto tanto do Cirque du Soleil. A minha mãe diz que em pequeno eu dizia que queira ser palhaço. Não me lembro desse desejo. Lembro-me sim e querer ser trapezista, mas gordinho como era, e ainda sou, com pouco gosto pelo exercício físico não passei do sonho.
Por fim quero falar do reverso da medalha. Ao olhar para as pessoas, senti-me sozinho. Fui sozinho, não tenho com quem ir a estas coisas. Vi poucas pessoas sem companhia enquanto o espaço ia enchendo. Vi casais, famílias com crianças. Na fila à minha frente estava uma família com pais, filho adolescente e, acho eu, avós. Dei por mim a sentir tristeza por não ter o meu pai ao meu lado, tal como aquele miúdo tinha. Não consegui lembrar-me da última vez em que estivemos assim, se calhar nunca aconteceu. Chegámos a ir ao circo no Coliseu dos Recreios, quando era criança. Um dos males da doença dele é eu já tr dificuldade em lembrar-me como ele era antes. Tenho medo de vir a esquecer definitivamente.
Quando cheguei a casa, a minha mãe estava pouco disponível para ouvir-me falar do que vira e rira. Tem um peso tal em cima, que por vezes não consegue ver para lá disso.
Enfim, dei por bem gasto o dinheiro do bilhete, mas a minha vida não mudou por causa do espectáculo...
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Raiva
No filme Se7en a personagem do Brat Pitt na opinião do psicopata representava o pecado capital da Ira. Hoje estou num estado psíquico que me faz sentir próximo dele. A raiva é algo que vive em mim. Quem convive comigo deve ficar admirado com esta afirmação. De aparência e estilo de vida sou um exemplo de calma, mas cá dentro vive um furação de raiva e frustrações.
Por a raiva ser um estado quase permanente, não acredito na eficácia da catarse. Não acredito nos cuidados paliativos que vêm das pausas de descompressão, das quebras na rotina, nos divertimentos, nos momentos bem passados. Tudo isto alivia, mas não cura. Eu não quero sentir raiva, irritar-me tão facilmente como às vezes acontece. Quero viver de uma forma simples, sem medos.
Uma grande parte da sociedade sobrevaloriza o orgasmo. O prazer não anula a raiva. O momento não compensa a eternidade.
Felizmente a raiva, como tudo em mim, é cíclica. Nem sempre tem os níveis de hoje. Uma parte dela, sei de onde vem. A doença do meu pai. Hoje estou assim porque tive que alterar um pouco da minha rotina para evitar encontrar o meu pai na cozinha. Agora se lhe dirijo a palavra é motivo para todo o tipo de insultos. Não posso dizer para fazer uma pequena coisa, que começa a chamar-me nome, já não há limites. Tantos travões que tenho que ter para não o agredir, fosse um estranho e o furação rugiria bem alto. Onde está a caridade?
Mas sou humano. Sou fraco e a música serve de anestesia. Hoje tem sido esta a minha banda sonora. A raiva dos outros alivia-me e o desabafo também.
Espero que não vos contagie.
sábado, 6 de março de 2010
Ponto da situação
Andámos desesperados. No domingo passado para além de não ter tido tranquilidade mental para preparar as leituras do dia, esteve a chover à hora de ir à missa habitual. Fui à seguinte, mas isso baralhou-me a rotina de escrita aqui e o ânimo não estava para esforços.
Peço desculpa.
Hoje estou a escrever cedo porque o meu pai fez barulho à seis da manhã e acabei por despachar-me mais depressa. Estou aqui a escrever, enquanto a minha mãe foi à praça. Vamos ver como o dia de hoje corre. Desde que ele não fique obcecado com voltar para a casa da infância, está tudo bem.
(só publico agora porque fui ao supermercado)
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Lágrimas em forma de palavras numa noite 25 de Dezembro
Este Natal está a ficar marcado por ser o contrário do que devia ser. A nossa pequena família está a ficar desvirtuada num dos vários aspectos que caracterizam um família. Nestes dias não tem havido uma refeição passada em paz, tranquila, sem raiva, nervos ou gritos. A família está a desfazer-se.
Passo a explicar. Não posso dizer nada que o meu pai chama-me cabrão (a minha mãe fica irritadíssima e ofendida por mim), chama-me cão, já me chamou paneleiro. Ameaça-me bater, atirar-me com o que apanha à mão. No jantar de hoje foi àgua. Não chegou a atirar. Por acaso estava a concordar com ele, mas isso não deixou de irritá-lo. Ontem foi assim ao almoço e ao jantar. Hoje o mesmo.
Não há refeição que não tenha que interromper para ir fazer xixi. Leva um tempão para chegar à casa de banho. Muitas vezes tem feito para o chão ou no bidé, ou nos dois lugares e mais nas calças. Não vale a pena chamá-lo à atenção, só iria originar mais um momento de gritos e insultos.
Já começou a insultar a minha mãe. Aperta-lhe os braços, anda com o braço esquerdo todo dorido. Parte-me o coração vê-la a chorar.
Fizemos um bolo ontem de tarde. Ajudei e saiu a pior coisa que alguma vez fizemos. Usei um adoçante que não era indicado para bolos. Programei o forno para aquecer por cima e por baixo. Erro. Devia ser só por baixo. Não cresceu o que devia.
Mesmo a comida que ficou boa, não pôde ser saboreada por causa das complicações do meu pai. Não consegue, ou quer, comer achegado à mesa e invariavelmente cai comida para o chão. O sítio dele parece uma estrumeira. Como tem que sair para ir à casa de banho pisa aquilo.
Nós fazemos o que podemos, mas cuidar de uma pessoa assim tão conflituosa, teimosa e desconfiada, dá cabo do juízo de qualquer um.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Lamento
Peço desculpa pela lamuria, mas precisava falar. E nem disse metade.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Minhas lágrimas são bits (uns e zeros em sangue)
No ano passado, dia 23 de Abril, o meu pai foi operado às cataratas (é triste constatar que colecciona maleitas). Passei a noite com ele na clínica. Foi a primeira directa que fiz. O meu pai falou a noite toda, não consegui pregar olho. Mas o pior aconteceu depois quando voltou para casa. Durante uns quatro a cinco dias tínhamos que pôr gotas nos olhos de hora em hora. Ele não queria, perguntava porquê, não acreditava que tinha sido operado, sentia uma impressão nos olhos e queria esfregar lá. Um inferno. Para, ao menos, termos a noite mais calma começámos a dar-lhe um medicamento que o médico lhe receitou para o acalmar. A primeira vez que tomou foi um choque para mim. Num minuto estava normal, no seguinte estava a apagar-se. Mas tivemos que lhe dar.
Um mês depois queiramos que ele fosse fazer análises e não lhe demos a metade do comprimido que andava a tomar à noite. Amanheceu a vomitar, com os diabetes altíssimos. Levámo-lo para o hospital e passou lá noite amarrado à cama, querendo ir embora. De noite caiu lá, ficou com um galo na cabeça. Uma tristeza. Só nessa altura é que li com atenção a literatura do medicamento. Era um anti-psicótico que cria habituação e é normal aquele tipo de sintomas. O meu pai não se aguentava em pé. Parecia ter tido um AVC, mas não teve.
Por causa disto não lhe damos nenhum anti-psicótico, só Valdispert e chá de tília ao deitar. Na noite passada nada disso funcionou. A minha mãe não dormiu um minuto e ele também não. Hoje estava de rastos. Eu? Eu sinto-me culpado por não ter dado conta de nada. Dormi quase oito horas esta noite! Sinto-me culpado porque não consigo aliviar o sofrimento dela. Sinto culpa por não conseguir chorar. Sinto culpa por me sentir impotente. Sinto culpa por não conseguir explicar à minha mãe os ensinamentos do frei Ignacio Larrañaga sobre o abandono. Sinto culpa por não estar a recorrer a todos os santos ou só a um para que o meu pai se cure. Sinto culpa por estar a despejar para aqui os meus sentimentos negativos. Sinto culpa por me sentir só, a fé devia ajudar-me a não me senti assim. Sinto culpa também por isso.
PS: Cheguei ao título depois do texto e admito que fui um pouco dramático demais. Peço desculpa.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Considerações sobre as férias
(Uso este vídeo por causa para palavra holiday, por favor vejam nela, se quiserem, o sentido de férias e não de feriado)
Tenho que confessar que não me sinto como a maioria das pessoas, se é que consigo saber o que os outros sentem, mas pelo menos sinto-me diferente daquilo que vejo as outras pessoas agirem e o que dizem.
Já leram o livro de Hermann Hess “O Lobo da Estepes”? Apesar de gostar muito de felinos, identifico-me mais com este lobo. Há algo em mim que não aceita o comum do relacionamento social. Se não fosse católico, estaria num caminho perigoso anti-social, anarca radical, talvez mesmo em franca autodestruição.
Assim o lobo anda adormecido, mas há momentos em que quase assume o controlo. As férias são um desses momentos. Tenho dificuldade em gostar das férias. Sim, é triste. Tanta gente suspirando por uns dias de férias e vem este aqui dizer que não gosta de gozá-las.
Normalmente quando começo a apreciar estes dias, eles acabam. Isto explica-se bem. Sou um animal de rotinas. Durante o ano inteiro tenho uma rotina, horários e tarefas. Chego as estes dias e tudo muda. Posso acordar mais tarde, mas isso baralha as horas para comer. Isso não seria problema se os meus pais mudassem a rotina deles, o que não acontece.
Nunca tivemos férias fora do nosso ambiente familiar, ou seja em locais alugados. Sempre fomos para casa de família ou para a nossa na terra do meu pai. Isto significa que a minha mãe sempre teve que fazer a comida e cuidar da “lida da casa”. Isto não são férias. Em criança eu não tinha consciência disso. Sofria só com a mudança de rotina. Em adulto sofro ao perceber que eu tenho férias, que mudo de ambiente e rotina, mas ela não, já para não falar da rotina.
Nestes dias estou de férias. Não saímos de Lisboa. Não vale a pena irmos à terra do meu pai, com o gato e tudo, só por uma semana. Para mais que começo a ter dúvidas se o meu pai está em condições para viagens de cinco horas.
Tinha a esperança de passar estes dias escrevendo e passando o tempo, mas surgem sempre coisas para fazer. Uma delas é pintar a casa. Preferia estar no emprego às voltas com as contas e o planos de poupança de custos.
Outra facada no meu coração é perceber que não conseguiria estar o dia todo a escrever. Umas duas horas e vá lá. A porcaria da net está sempre a tentar-me. Passear pela cidade? Tenho pouca vontade, pode haver calor, pode haver chuva, tenho que comer de tantas em tantas horas, mais vale não ir, não gosto de ir sozinho, não gosto de ir acompanhado. Aarrgghhhh...
Conviver com o meu pai também não é fácil. Está sempre a hostilizar-me. Todo o que digo serve de motivo para me chamar mentiroso. As refeições começam a ser difíceis, pois ele mete-se no digo à minha mãe, atribui coisas que ela diz a mim, temos que repetir muitas vezes que houve um avião que caiu no mar e que ninguém sobreviveu, não quer tomar os remédios, não quer beber água, deixa cair comida no chão e diz que somos nós. De manhã não é melhor. Anda perdido pela casa à procura da roupa e diz que a roubei. Não me deixa ajuda-lo a vesti-la. Não posso dizer para beber água, ou chá, nem dar-lhe uma peça de fruta para lanchar (questiona se lavei as mãos e mesmo que vá lavá-las, quando regresso já se esqueceu).
Hoje levantei-me mais tarde do que os dias de trabalho e quando me despachei fui fazer a meia hora de oração com aprendei nas Oficinas de Oração, para mim é melhor que seja de manhã. Nessa hora a minha mãe aproveitou para ir à praça. Pois durante a meia hora, que nas férias poderia ser maior, o meu pai andou da sala para o meu quarto com uma lengalenga, que aprendeu na infância, a meter-se comigo. E pensei, férias para quê? Para andar com os nervos em franja? A minha mãe é um ser humano extraordinário, com uma resistência e paciência memoráveis. Ela aguenta isto vinte e quatro horas por dia, todos os dias.
Quero pedir desculpa a quem teve a paciência de ler isto, mas o meu reino é mesmo muito imperfeito.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Os meus porquês
Começando pela razão mais fácil de dar, digo que os meus pais precisam de mim. O meu pai com Alzheimer, a minha mãe cuidando dele 24 horas sobre 24 e não indo para nova. Ambos estão dependentes de mim, não tanto para lhes ajudar no dia a dia (embora se o meu pai deixasse, eu poderia ajudar muito mais) mas como um apoio para os momentos difíceis. Nunca senti esta responsabilidade como um peso (talvez só nos momentos de depressão, mas esses não contam), cada vez mais encaro-a como um acto de amor. O que seria deles sem mim? Sou eu trato das relações com o banco, com as finanças, com a farmácia. Cada dia que passa vejo a minha mãe a entender cada vez menos as notícias que ouve e vê na comunicação social. Se eu não estivesse perto para explicar-lhe o que seria dela? Mesmo assim fica alarmada...
(Há uma sensação que tenho e que me preocupa. Vivermos num mundo repleto de informação. Já repararam na quantidade de mal-entendidos que acontecem? Com minha mãe isso acontece de vez em quando. Até que ponto a comunicação social está a ser clara na exposição do que comunica?)
Outra razão para ficar como estou é a minha convicção de ser incapaz de ser um bom orador. Admito ter facilidade em escrever, mas a facilidade fica por aí. Dizer o mesmo oralmente afigura-se-me impossível. Na escola sempre foi um tormento para mim ler em voz alta. E expor opiniões? Pavoroso. Fico logo desconfortável, corado (mesmo se não for visível, fico com calor na cara). Só de pensar nisso já estou a ficar com as maçãs do rosto quentes. Enfim, esta minha timidez, acanhamento, mazela psicológica, torna-me num péssimo candidato ao sacerdócio? Talvez por isso a ideia de ficar fechado num mosteiro seja mais atraente.
Pode-se dizer que para ser sacerdote não são as nossas qualidades ou defeitos que contam, mas sim o nosso amor a Jesus. Aí está outra razão. Sinto que o meu amor a Deus não é o suficiente para tal. Tenho feito uma caminhada de crescimento. A minha abordagem à fé teve que ser pelo lado intelectual. O meu caminhar é lento e cheio de dificuldades. Não sou uma pessoa de paixões, apaixonada ou apaixonante. Isto parece entrar em contradição com a minha reflexão da Quaresma passada. Uma das minhas tentações é querer ser perfeito, ser reconhecido, ser amado. É o oposto daquilo que se espera de um sacerdote, que deverá ser alguém disposto a amar se reconhecimento, que se entregue ao serviço.
Todas a três razões podem ser facilmente combatidas. As três juntas e mais alguma preguiça, arrogância, muito egoísmo, falta de fé e a ilusão de que através da escrita compense este meu não, eu justifico perante mim próprio o persistir neste caminho.
Normalmente quando chego a este ponto no raciocínio paro e entrego nas mãos de Deus o meu passado, presente e futuro. A Ele nada é impossível e quem sou eu para deslindar o mistério que o projecto Dele para todos nós. Vai na volta Ele quer que eu seja exactamente isto que sou. O que tenho que fazer é mudar a perspectiva de análise da questão. Na minha vida actual, sou ou não fiel a Deus? Até que ponto nesta existência monótona e apagada Ele é o centro?
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Sentimento de culpa
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Sinais de Deus
A doença do meu pai atingiu já o estádio de sair de casa desnorteado. Estamos com mais um problema. Agora fechamos à chave a porta, antes tínhamos só uma tranca, pois preocupava-nos quem entrava e não quem saía. Tenho que pensar seriamente em contratar apoio profissional para ajudar a minha mãe, se ela já está bastante presa a casa... o que será daqui para diante?
Este foi um primeiro sinal – ter maior cuidado com o meu pai. Outro sinal foi que não devo sobrevalorizar as boas notícias, pois podem desviar-me do meu caminho. Deus parece estar a dizer: “Atenção jota, o essencial não é o conteúdo da boa notícia, mas sim o que vais fazer com ele”. Agradeço a Deus o aviso, mas preferia que isso não envolvesse o meu pai e a minha mãe.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Agora sim o assunto
A motivação principal foi o meu pai. Ele padece de uma doença demencial, talvez Alzheimer, já com algum avanço. Comporta-se como uma criança. E sabe-se lá porquê eu sou um motivo para ele embirrar. Tudo o que digo é mentira. Se estou a ver televisão e chega à sala é muito provável que vá meter-se comigo e isso significa dar-me pequenos empurrões, fazer cócegas, que de cócegas só têm o nome, pois aleijam, se estou sentado, pode querer apoiar-se em mim e querer tapar-me o nariz, sei lá, uma infinidade de pequenas coisas que moem o juízo.
Quando ele vai se sentar os problemas não acabam, pois se estou a ver algum programa ou filme estrangeiro começa a implicar que não entende o que dizem, porquê que vieram para cá, que a televisão só dá coisas que não prestam, enfim se quero estar sossegado e atento, não posso.
Por fim, ultimamente tenho notado que ele não compreende que o que se passa na televisão não real, ou seja, para ele aquele vidro é uma janela, literalmente e se há tiros e distúrbios, eles podem vir para cá. Isto é motivo de tensão para o meu pai e depois não dorme de noite, não sabe porquê, mas os nervos estão lá.
Isto aconteceu recentemente quando numa noite estive a ver alguma cenas do Matrix Reloaded, as de acção, pois passou a noite toda agitado e no dia seguinte levantei e deparei-me com a cena de ele andar à procura da roupa para pôr dentro de um saco, para voltar para a casa dele, a casa da sua juventude.
Como tenho um gravador de dvd, vou gravando para o disco interno os programas que quero ver, mas como a maioria é estrangeiro e podem ter cenas de acção, nada sito posso ver na sala. Assim, como pensava em vir a ter internet em casa (e isso poderá ser um assunto para mais tarde) decidi comprar um portátil com leitor e gravador de dvd. Passo os programas para um dvd rw e visiono-os no portátil.