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sexta-feira, 1 de abril de 2011
Novo mês começa...
... e resolvo fazer um pouco de publicidade à Silveira. A cidade Silveira está animada. Há mistério, quem será o/a autor/a dos escritos nas paredes? E Clarissa, será mesmo dona da cidade? Há romance. Quando o Beto terá coragem para se declarar? E será correspondido? Vá lá, visitem e divulguem!!!
sexta-feira, 4 de março de 2011
Crónicas de Allaryia - Oblívio - O Capítulo Final
Saiu recentemente o sétimo e derradeiro volume da saga Crónicas de Allaryia do Filipe Faria. O livro chama-se Oblívio.
Saiu em duas edições: a normal e a de luxo.

A de luxo traz um CD com sete temas dedicados 7 (e inspirado) nos sete livros. Vem também com um pequeno livro que serve de guia à saga e dá uma ideia como o autor foi construindo as personagens.
Comprei a edição de luxo. O que posso dizer da banda sonora é que faz lembrar um pouco a música da Guerra das Estrelas, mas terei que ouvir mais. Para quem não for um fã ferrenho talvez não valha a pena comprar esta edição especial.
sábado, 2 de outubro de 2010
Dracma perdido
Acho que não deixei transparecer aqui no blog uma certo desgosto e apreensão que vivi nas últimas semanas. Pouco antes de inaugurar o blog Silveira dei por mim sem saber onde estava uma pen drive, onde estava uma cópia dos primeiros capítulos e muito mais coisas que tenho escrito. Andei desgostoso. Procurei, por todo o lado onde a podia ter deixado, várias vezes. Convenci-me do seu desaparecimento definitivo e rezei para que não fosse parar a mãos erradas.
Ontem à hora de almoço fui comprar outra, resignado. Então não é que ao chegar a casa a minha mãe disse-me que a encontrou na máquina de lavar roupa! Pelos visto foi lá parar no bolso das calças e por lá ficou escondida estes dias todos. Esta pen drive tem uma tampa que protege a entrada e por isso a estadia estes dias todos no tambor da máquina, com tantas lavagens, não a danificou.
Foi uma alegria imensa. Lembrei-me logo da parábola da dracma perdida e de como a mulher ao encontrá-la chamou as amigas. Agora tenho duas pens e mais uma motivo para agradecer a Deus esta lição. Agradecer, pois por enquanto não sei o que é suposto aprender com ela. Uma coisa é certa, no meu desgosto cheguei a pedir informalmente (já que não sei o responso) a Santo António pelo paradeiro dela ou então pela sua destruição. Não é o objecto em si que me interessava, era o conteúdo, fruto do meu trabalho de escrita que ficava por aí, ao deus dará...
Ontem à hora de almoço fui comprar outra, resignado. Então não é que ao chegar a casa a minha mãe disse-me que a encontrou na máquina de lavar roupa! Pelos visto foi lá parar no bolso das calças e por lá ficou escondida estes dias todos. Esta pen drive tem uma tampa que protege a entrada e por isso a estadia estes dias todos no tambor da máquina, com tantas lavagens, não a danificou.
Foi uma alegria imensa. Lembrei-me logo da parábola da dracma perdida e de como a mulher ao encontrá-la chamou as amigas. Agora tenho duas pens e mais uma motivo para agradecer a Deus esta lição. Agradecer, pois por enquanto não sei o que é suposto aprender com ela. Uma coisa é certa, no meu desgosto cheguei a pedir informalmente (já que não sei o responso) a Santo António pelo paradeiro dela ou então pela sua destruição. Não é o objecto em si que me interessava, era o conteúdo, fruto do meu trabalho de escrita que ficava por aí, ao deus dará...
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Novidade fresquinha
Tenho o prazer de vos anunciar o alargamento deste Reino. Estou a preparar anexação de uma nova colónia.
Na publicação de ontem deixei propositadamente de fora um blog que descobri no final de Julho. O meu novo blog recebeu dele o incentivo necessário de coragem para o concretizar.
Tinha a ideia que fazer algo do género há um ano. Nessa altura descobri o blog Última Transmissão Humana. Fiquei com vontade de pegar no conceito, mas faltou-me a coragem.
Em Julho descobri este: Cloning Adolf, através de um programa de rádio do Pedro Rolo Duarte. A história do Cloning está gira e vale a pena seguir.
E decidi abrir um blog onde apresento uma história em episódios. Só entro nesta aventura porque a história já estava começada há uns anos. É um projecto que comecei durante uma crise de criatividade de outro, mas assim que passou, ficou na gaveta. É ideal para um blog porque é composta, a história claro, por pequeno capítulos comparando com o que normalmente escrevo.
Assim sendo, amanhã publico o primeiro capítulo. Espero que gostem.
Na publicação de ontem deixei propositadamente de fora um blog que descobri no final de Julho. O meu novo blog recebeu dele o incentivo necessário de coragem para o concretizar.
Tinha a ideia que fazer algo do género há um ano. Nessa altura descobri o blog Última Transmissão Humana. Fiquei com vontade de pegar no conceito, mas faltou-me a coragem.
Em Julho descobri este: Cloning Adolf, através de um programa de rádio do Pedro Rolo Duarte. A história do Cloning está gira e vale a pena seguir.
E decidi abrir um blog onde apresento uma história em episódios. Só entro nesta aventura porque a história já estava começada há uns anos. É um projecto que comecei durante uma crise de criatividade de outro, mas assim que passou, ficou na gaveta. É ideal para um blog porque é composta, a história claro, por pequeno capítulos comparando com o que normalmente escrevo.
Assim sendo, amanhã publico o primeiro capítulo. Espero que gostem.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Glossolália
A minha relação com a poesia é estranha. Gosto de escrever versos (raramente atrevo-me a chamar poesia ao que escrevo em verso), mas ler é já outra história. Desde os tempos de escola que sempre tive muita dificuldade com a poesia.
É estranho para quem gosta de escrever e ler, não gostar de ler poesia. Não gosto particularmente porque tenho dificuldade em entender o que leio. Na leitura sou muito pragmático, tenho que perceber o que estou a ler. Talvez tenha sido formatado pela corrente realista.
O meu poeta preferido é o Cesário Verde. A sua poesia é realista, fala dos locais onde andou, faz descrições dos cenários e a poesia entra nas entrelinhas, na mistura de temas. Está tudo claro e límpido.
O Fernando Pessoa e companheiros de corpo deprimem-me, embora o único poema que sei de cor seja “Natal na província neva”. Há demasiado absurdo, vazio nos poemas deles.
Camões é um clássico, trágico e por isso deprimente também. Está longe de mim no tempo e na vivência.
Agora no Verão li a poesia do José Tolentino Mendonça como já escrevi há tempos. Finalmente encontrei poesia que não me deprime. Isso é excelente. Mas as dificuldades continuaram. Muitas vezes não faço ideia do que ele está a escrever. Usa imagens e combinações de palavras que pouco sentido me fazem, apesar de ficarem bem juntas. Na primeira metade do livro a palavra fogo aparece muitas vezes, algumas delas a despropósito.
Este livro “A noite noite abre meus olhos” é uma recolha dos primeiros livros num só volume. Devo confessar que só gostei mais do livro “Estrada Branca”. Nele os poemas falam mais claramente de Deus e por isso gostei mais, até porque eu queria ler poesia de cariz espiritual.
Posso dizer que gostei do livro, mesmo não gostando por aí além de ler poesia. Gostei apesar de não haver uma rima sequer em todo o livro. E eu gosto de rima, apesar de isso ser coisa ultrapassada. Em alguns poemas cheguei a ver versos a terminar com o pronome “e”, algo impensável até ao início do século XX. Não entendo o tamanho dos versos, a configuração das estrofes.
Eu sou muito rígido no que diz respeito à estrutura dos poemas. Já escrevi versos livres, mas sinto-me mais à vontade com versos com métrica fixa e estrofes claras.
Em resumo a palavra glossolália aplica-se metaforicamente a mim. Tenho a capacidade de escrever versos, que talvez ninguém entenda, mas não tenho a capacidade entender línguas estranhas. Glossolália era um carisma que São Paulo fala nas suas cartas. Havia outro carisma que consistia em entender diversas línguas. Eu estou, no que diz respeito à poesia, na glossolália.
É estranho para quem gosta de escrever e ler, não gostar de ler poesia. Não gosto particularmente porque tenho dificuldade em entender o que leio. Na leitura sou muito pragmático, tenho que perceber o que estou a ler. Talvez tenha sido formatado pela corrente realista.
O meu poeta preferido é o Cesário Verde. A sua poesia é realista, fala dos locais onde andou, faz descrições dos cenários e a poesia entra nas entrelinhas, na mistura de temas. Está tudo claro e límpido.
O Fernando Pessoa e companheiros de corpo deprimem-me, embora o único poema que sei de cor seja “Natal na província neva”. Há demasiado absurdo, vazio nos poemas deles.
Camões é um clássico, trágico e por isso deprimente também. Está longe de mim no tempo e na vivência.
Agora no Verão li a poesia do José Tolentino Mendonça como já escrevi há tempos. Finalmente encontrei poesia que não me deprime. Isso é excelente. Mas as dificuldades continuaram. Muitas vezes não faço ideia do que ele está a escrever. Usa imagens e combinações de palavras que pouco sentido me fazem, apesar de ficarem bem juntas. Na primeira metade do livro a palavra fogo aparece muitas vezes, algumas delas a despropósito.
Este livro “A noite noite abre meus olhos” é uma recolha dos primeiros livros num só volume. Devo confessar que só gostei mais do livro “Estrada Branca”. Nele os poemas falam mais claramente de Deus e por isso gostei mais, até porque eu queria ler poesia de cariz espiritual.
Posso dizer que gostei do livro, mesmo não gostando por aí além de ler poesia. Gostei apesar de não haver uma rima sequer em todo o livro. E eu gosto de rima, apesar de isso ser coisa ultrapassada. Em alguns poemas cheguei a ver versos a terminar com o pronome “e”, algo impensável até ao início do século XX. Não entendo o tamanho dos versos, a configuração das estrofes.
Eu sou muito rígido no que diz respeito à estrutura dos poemas. Já escrevi versos livres, mas sinto-me mais à vontade com versos com métrica fixa e estrofes claras.
Em resumo a palavra glossolália aplica-se metaforicamente a mim. Tenho a capacidade de escrever versos, que talvez ninguém entenda, mas não tenho a capacidade entender línguas estranhas. Glossolália era um carisma que São Paulo fala nas suas cartas. Havia outro carisma que consistia em entender diversas línguas. Eu estou, no que diz respeito à poesia, na glossolália.
sábado, 31 de julho de 2010
Aniversários
Já está quase a passar a data, mas aqui fica: o Harry Potter faz hoje, 31 de Julho, 30 anos. Parabéns!
A autora JK Rowling faz hoje 45. Parabéns para ela também.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Livro para as férias
Estou quase a ir de férias. No meu caso ir de férias costuma ser um drama. Ter que sair da minha casa, enfrentar a viagem de comboio com as bagagens, o gato, as fita que o meu pai poderá fazer. É um stress.
Por outro lado, a nossa casa de férias é minúscula, vou estar em maior contacto com o meu pai e sujeito às suas traquinices que costumas ficar marcadas na pele e músculo. Terá que haver uma redefinição dos espaços. Toda essa adaptação leva tempo e tem o preço de mais nervos. Não poderei andar livremente pelos campos porque a minha mãe tem medo que alguém ou anima me faça mal.
Assim sendo, férias, férias seria se eu fizesse férias da minha família. Do trabalho poucas férias preciso, é mais da família, e isso não poderei ter naturalmente. Até me custa pensar na eventualidade de um dia viver sem eles. O que vai ser de mim?
As mudemos de assunto, pois o que me levou a escrever não é nada triste. No sábado passado comprei um livro que espero levar para ler nas férias. Tive muito sorte ou foi Deus que me encaminhou até ele.
Nos últimos tempos tenho adquirido alguma curiosidade pelo padre José Tolentino Mendonça. Um eminente teólogo, que também é poeta, escritor. Queria conhecer a sua poesia e por isso tinha o nome dele arquivado na minha memória para uma ida à Fanc. Estava a sair da secção dos livros quando dei de caras com o livro A Noite Abre Meus Olhos.

Este livro é a compilação num só livro dos primeiros livros de poesia dele. Um bolo com uma cereja no topo. De uma assentada fico com uma parte considerável da sua obra e com muita poesia espiritualmente inspirada. Para além de ser em formato de bolso, o que ma dá a garantia de poder levá-lo junto com a Bíblia, cadernos para escrever e livrinhos de orações.
A minha relação com a poesia é complicada. Tenho dificuldade em lê-la, porque por norma entendo pouco o que ela diz. Desde a escola que tenho essa dificuldade. Quando me pediam para analisar um poema era um custo. Convenci-me que sou muito linear nas interpretações que faço. Actualmente acho que o mal foi o sistema de ensino, o azar que tive em ter professores que não nos ensinaram a sermos criativos e imaginativos. A disciplina de Português devia ser dividida em duas partes: uma seria a técnica da língua e a outra a descoberta do prazer de ler. Ler poemas devia ser ocasião para os alunos aprenderem a usar a língua como veículo para a liberdade.
Foi preciso eu sair da escola para aprender a gostar de ler poemas e começar a escrever, tanto em verso como em prosa. Escrevi muita rima, não me atrevo a chamar poesia àquilo, como pode ser verificado na colónia deste reino. Escrevi por muito tempo para exorcizar as minhas tristezas, para passar da adolescência para o estado adulto. Agora raramente escrevo versos.
Voltando ao livro que pretendo ler nas férias, se tiver silêncio interior para tal. Quando regressava a casa depois de comprar o livro, li o primeiro poema e achei que o devia deixar aqui para vosso proveito.
A infância de Herberto Helder
No princípio era a ilha
embora se diga
o Espírito de Deus
abraçava as águas
Nesse tempo
estendia-me na terra
para olhar as estrelas
e não pensava
que esses corpos de fogo
pudessem ser perigosos
Nesse tempo
marcava a latitude das estrelas
ordenando berlindes
sobre a erva
Não sabia que todo o poema
é um túmulo
que pode abalar
a ordem do universo agora
acredito
Eu era quase um anjo
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio
Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios
Isso foi antes
de aprender a álgebra
Por outro lado, a nossa casa de férias é minúscula, vou estar em maior contacto com o meu pai e sujeito às suas traquinices que costumas ficar marcadas na pele e músculo. Terá que haver uma redefinição dos espaços. Toda essa adaptação leva tempo e tem o preço de mais nervos. Não poderei andar livremente pelos campos porque a minha mãe tem medo que alguém ou anima me faça mal.
Assim sendo, férias, férias seria se eu fizesse férias da minha família. Do trabalho poucas férias preciso, é mais da família, e isso não poderei ter naturalmente. Até me custa pensar na eventualidade de um dia viver sem eles. O que vai ser de mim?
As mudemos de assunto, pois o que me levou a escrever não é nada triste. No sábado passado comprei um livro que espero levar para ler nas férias. Tive muito sorte ou foi Deus que me encaminhou até ele.
Nos últimos tempos tenho adquirido alguma curiosidade pelo padre José Tolentino Mendonça. Um eminente teólogo, que também é poeta, escritor. Queria conhecer a sua poesia e por isso tinha o nome dele arquivado na minha memória para uma ida à Fanc. Estava a sair da secção dos livros quando dei de caras com o livro A Noite Abre Meus Olhos.

Este livro é a compilação num só livro dos primeiros livros de poesia dele. Um bolo com uma cereja no topo. De uma assentada fico com uma parte considerável da sua obra e com muita poesia espiritualmente inspirada. Para além de ser em formato de bolso, o que ma dá a garantia de poder levá-lo junto com a Bíblia, cadernos para escrever e livrinhos de orações.
A minha relação com a poesia é complicada. Tenho dificuldade em lê-la, porque por norma entendo pouco o que ela diz. Desde a escola que tenho essa dificuldade. Quando me pediam para analisar um poema era um custo. Convenci-me que sou muito linear nas interpretações que faço. Actualmente acho que o mal foi o sistema de ensino, o azar que tive em ter professores que não nos ensinaram a sermos criativos e imaginativos. A disciplina de Português devia ser dividida em duas partes: uma seria a técnica da língua e a outra a descoberta do prazer de ler. Ler poemas devia ser ocasião para os alunos aprenderem a usar a língua como veículo para a liberdade.
Foi preciso eu sair da escola para aprender a gostar de ler poemas e começar a escrever, tanto em verso como em prosa. Escrevi muita rima, não me atrevo a chamar poesia àquilo, como pode ser verificado na colónia deste reino. Escrevi por muito tempo para exorcizar as minhas tristezas, para passar da adolescência para o estado adulto. Agora raramente escrevo versos.
Voltando ao livro que pretendo ler nas férias, se tiver silêncio interior para tal. Quando regressava a casa depois de comprar o livro, li o primeiro poema e achei que o devia deixar aqui para vosso proveito.
A infância de Herberto Helder
No princípio era a ilha
embora se diga
o Espírito de Deus
abraçava as águas
Nesse tempo
estendia-me na terra
para olhar as estrelas
e não pensava
que esses corpos de fogo
pudessem ser perigosos
Nesse tempo
marcava a latitude das estrelas
ordenando berlindes
sobre a erva
Não sabia que todo o poema
é um túmulo
que pode abalar
a ordem do universo agora
acredito
Eu era quase um anjo
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio
Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios
Isso foi antes
de aprender a álgebra
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Em casa de ferreiro espeto de pau
Nos últimos tempos estive a reler os três livros do Senhor dos Anéis. Na parte final do Regresso do Rei reparei num pormenor que me escapara antes. Várias vezes é referido que o povo do Shire não reconheceu o heroísmo do Frodo e do Sam. Eles iriam ter uma pequena participação no anais da história dos hobbits ao contrário do Merry e do Pippin, cuja acção no regresso da Guerra do Anel foi decisiva para repor a normalidade no Shire.
Para quem só viu os filmes, tenho que esclarecer que estes cortaram duas partes substanciais dos livros. Uma delas foi a que diz respeito ao que estou a escrever aqui. Nos livros Saruman não morre em Isengard, atirado da torre abaixo pelo Língua de Verme. Nos livros ele fica lá preso à guarda dos Ents, mas acaba por ir embora. Vai embora e dirige-se para o Shire. Subverte tudo lá e quando os quatro hobbits regressam encontram o Shire muito mudado e quase destruído. Os sequazes do Saruman impuseram uma ditadura e aquele lugar belo e pacato transformou-se numa zona industrial à semelhança do que ele fizera em Isengard. Árvores cortadas. Rios poluídos. Degradação e decadência.
Quando os quatro hobbits chegam e deparam-se com este cenário organizam uma sublevação. Quem comanda a rebelião são o Merry e o Pippin, um deles virá a ser o Barão do Shire mais tarde. O Frodo tanta resolver a situação sem violência, mas só consegue até certo ponto. A sua participação é discreta.
O peso do efeito maléfico do Anel deixou-o marcado para sempre. Regressar a casa não o curou. A sua missão já tinha sido cumprida. Dera tudo pela destruição do Anel, salvara milhares ou milhões de vidas, contribuíra para haver futuro, para que o Shire se mantivesse um sítio pacato, mesmo tendo sofrido aquela malfeitoria do Saruman. Todo o mundo tinha-lhe uma grande dívida de gratidão. Os reinos dos Homens, dos Anões e dos Elfos reconheciam os seus feitos e os dos outros três hobbits, mas na sua própria terra não. Pareceu-me injusto, mas vendo bem, o Shire já era assim antes. O Frodo deu a sua vida para que nada mudasse. Também foi por isso para decidiu partir e seguir os Elfos.
Para quem só viu os filmes, tenho que esclarecer que estes cortaram duas partes substanciais dos livros. Uma delas foi a que diz respeito ao que estou a escrever aqui. Nos livros Saruman não morre em Isengard, atirado da torre abaixo pelo Língua de Verme. Nos livros ele fica lá preso à guarda dos Ents, mas acaba por ir embora. Vai embora e dirige-se para o Shire. Subverte tudo lá e quando os quatro hobbits regressam encontram o Shire muito mudado e quase destruído. Os sequazes do Saruman impuseram uma ditadura e aquele lugar belo e pacato transformou-se numa zona industrial à semelhança do que ele fizera em Isengard. Árvores cortadas. Rios poluídos. Degradação e decadência.
Quando os quatro hobbits chegam e deparam-se com este cenário organizam uma sublevação. Quem comanda a rebelião são o Merry e o Pippin, um deles virá a ser o Barão do Shire mais tarde. O Frodo tanta resolver a situação sem violência, mas só consegue até certo ponto. A sua participação é discreta.
O peso do efeito maléfico do Anel deixou-o marcado para sempre. Regressar a casa não o curou. A sua missão já tinha sido cumprida. Dera tudo pela destruição do Anel, salvara milhares ou milhões de vidas, contribuíra para haver futuro, para que o Shire se mantivesse um sítio pacato, mesmo tendo sofrido aquela malfeitoria do Saruman. Todo o mundo tinha-lhe uma grande dívida de gratidão. Os reinos dos Homens, dos Anões e dos Elfos reconheciam os seus feitos e os dos outros três hobbits, mas na sua própria terra não. Pareceu-me injusto, mas vendo bem, o Shire já era assim antes. O Frodo deu a sua vida para que nada mudasse. Também foi por isso para decidiu partir e seguir os Elfos.
É aqui que se vê um dos aspectos cristãos desta saga. Dar a vida pela esperança de um futuro melhor. Não agir segundo os seus próprios interesses, mas por amor. Só por amor é que é possível dar a vida por todos. A passagem de Frodo e Sam pelas terras Mordor até ao cimo do Monte da Condenação parecem-se com os passos do Calvário. Jesus saiu de lá ressuscitando, Frodo saiu de diferente, mudado. O sofrimento, a crise, são o fogo de tempera o aço.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Blog para visitar constantemente
Como alguns podem ter reparado, tenho participado pouco no blog. Tenho tido muito trabalho e ainda mais preguiça para escrever aqui. Por isso deixo-vos uma sugestão. É um blog que começou não há muito tempo e que a meu ver é o melhor que conheço (bem melhor que este pobre Reino). Chama-se Horas Extraordinárias e é escrito por Maria do Rosário Pedreira, que actualmente é editora do grupo Leya. Ela é escritora, tendo participado na colecção O Clube da Chaves.
Neste blog ela faz algo que eu gostaria de fazer e não consigo: escrever pequenas histórias com interesse, geralmente à volta de livros, literatura e língua. Para além do interesse do assunto, escreve muito bem. E por isso para mim é o melhor blog que encontrei.
Neste blog ela faz algo que eu gostaria de fazer e não consigo: escrever pequenas histórias com interesse, geralmente à volta de livros, literatura e língua. Para além do interesse do assunto, escreve muito bem. E por isso para mim é o melhor blog que encontrei.
Como é um blog do Sapo, recomendo que subscrevam os feeds. É fácil e funciona de uma forma semelhante ao seguir aqui no blogger.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Bloomsday
Entre o dia 6 de Dezembro de 1999 e o dia 17 de Janeiro de 2000 eu vivi duas experiências únicas até então. Nos primeiros dias de Janeiro estive de baixa por causa de uma gripe. Nunca tinha estado e depois não voltei a estar, se bem me lembro. E o facto de ter estado de baixa foi importante porque deu-me tempo e coragem para ler o livro Ulisses de James Joyce.
Comecei a lê-lo no dia 6 de Dezembro e acabei no dia 17 de Janeiro. Foi uma experiência incrível. Cada capítulo está escrito num estilo próprio, com temáticas próprias. A sua leitura apresenta algumas dificuldades ao leitor. Não se apanha facilmente o fio à meada e por vezes é difícil mantê-la. Há muitas expressões em diferentes línguas, desde o latim ao alemão (o que torna a tradução um pesadelo). Recomendo a tradução dos Livros do Brasil, colecção Dois Mundos. É um teste à perseverança e é aconselhável ter um guia ao pé, sobretudo para as expressões noutras línguas.
Há um capítulo em que o personagem principal, Bloom, vai a uma maternidade e a linguagem no início é arcaica, para ao longo do texto ir modernizando-se até ao actual.
Há um capítulo escrito como se fosse uma peça de teatro. Ironicamente ou não é das partes mais alucinadas de todo o livro. Um dos últimos capítulos é incrível pele estilo adoptado. É usado o método de pergunta resposta. Por exemplo: O que viu Bloom ao entrar em casa? A resposta é uma descrição exaustiva de tudo o que está à vista. São apresentados cálculos variados, o dinheiro gasto no dia, o trajecto que a água faz até sair na torneira. Enfim, uma loucura.
Por fim, o último capítulo é famoso pela técnica usada de narração: a corrente da consciência. Entramos na cabeça da mulher do Bloom e vemos o que ela pensa e como pensa.
Este livro é muito importante para a história da literatura do século XX e quiçá para toda a história. É um exercício de liberdade criadora sem par. Depois dele o formato romance começou a não ter tantos espartilhos, o escritor fica livre de contar a sua história da forma como bem entender e que história bem entender.
A história de Ulisses começa nas primeiras horas do dia 16 de Junho de 1904 e acaba nas primeiras horas do dia 17. Acompanhamos, grande parte do dia do sr. Bloom, numa existência sem grandes aventuras, deambulando pelas ruas de Dublin.
Vi uma vez escrito que há quem celebre este dia comendo o pequeno-almoço do sr. Bloom: rins de porco fritos. Experimentei, mas não achei nada de especial... e não era para ser. O sr. Bloom é que gostava.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Livros abandonados
Nesta semana e na próxima estarei a gozar um período de descanso no emprego à conta das horas extra que trabalhei e não me foram pagas. Não tenho grandes planos para estes dias, excepto caminhar antes do almoço e escrever de tarde ou noite.
Hoje fui fazer a tal caminhada. Foi uma hora bem andada, devo ter andado mais de cinco quilómetros. Gostei. O dia estava agradável para caminhadas.
Já perto de casa, talvez a um quilómetro, encontrei espalhados no passeio uns sete ou oito livros. Alguns já tinham as capas descoladas do corpo e estavam alguns molhados. Para meu espanto estava à vista um livro que me fez parar, era o Livro de Cesário Verde. Como é possível alguém deitar fora este livro?
É claro que o trouxe comigo. Tenho um livro com alguns poemas dele, mas não o compêndio de todos, ou quase todos. Trouxe outro, também. É um Compêndio de Filosofia. Este livro foi um livro escolar. No interior vem a dizer que era para o 6º e 7º anos. A data de impressão é de 1970.
No chão ficaram dois ou três livros de Inglês, não percebi bem, um sobre transacções bancário e outro sobre sexualidade. Todos livros escolares, ao que me pareceu. Não me lembro se havia mais algum.
Agora estou arrependido de não ter fixado o nome da dona de um deles. Esse tinha o nome da proprietária. O Compêndio tem uma rubrica, mas não consigo identificar o que significa. Ele foi um livro de estudo pois está sublinhado e há uma ou outra anotação, sobretudo no início do livro, correspondendo ao 6º ano. O Livro de Cesário Verde tem uma nota à edição de 1977. Não faço ideia se no final da década de setenta ainda havia 6º e 7º anos, correspondendo aos actuais 10º e 11º anos. Se ainda era a denominação antiga, então poderão ter pertencido ao mesmo estudante.
Desde que trouxe os livros tenho estado a imaginar a história deles. Um foi manuseado há mais de trinta anos, o Compêndio, cheira a biblioteca. Terá ficado numa prateleira este tempo todo. O Livro de Cesário Verde tem um cheiro agradável, quase perfume, talvez tenha estado também numa biblioteca, mas como veio parar à rua? Outra curiosidade deste livro de poemas é que parece que não foi lido, as folhas não estão muito separadas junto à lombada.
O que terá acontecido? O dono morreu e estes livros estavam fora da biblioteca e acabaram no lixo? Quem estudou neles deve estar entre os quarenta e os cinquenta anos. Terá deixado estes livros na casa dos pais e agora que eles morreram ou foram para um lar, a casa foi desocupada indo estes livros parar à rua? Um divórcio?
Se estes livros vieram para a rua, foi porque algo mudou na vida do dono. Mudança de casa. Morte do próprio ou dos depositários. Separação de casal e alguns restos ficaram para trás. Livros que passaram de pais para filhos e estes agora desfizeram-se deles...
O mais grave dos abandonos é o de pessoas, crianças no topo, depois vem os animais e de seguida os livros. Como é possível alguém deitar fora livros? Mesmo escolares. Há bibliotecas capazes de os receber. Este acto de abandono também reflecte um pouco a mentalidade de quem o fez.
Hoje fui fazer a tal caminhada. Foi uma hora bem andada, devo ter andado mais de cinco quilómetros. Gostei. O dia estava agradável para caminhadas.
Já perto de casa, talvez a um quilómetro, encontrei espalhados no passeio uns sete ou oito livros. Alguns já tinham as capas descoladas do corpo e estavam alguns molhados. Para meu espanto estava à vista um livro que me fez parar, era o Livro de Cesário Verde. Como é possível alguém deitar fora este livro?
É claro que o trouxe comigo. Tenho um livro com alguns poemas dele, mas não o compêndio de todos, ou quase todos. Trouxe outro, também. É um Compêndio de Filosofia. Este livro foi um livro escolar. No interior vem a dizer que era para o 6º e 7º anos. A data de impressão é de 1970.
No chão ficaram dois ou três livros de Inglês, não percebi bem, um sobre transacções bancário e outro sobre sexualidade. Todos livros escolares, ao que me pareceu. Não me lembro se havia mais algum.
Agora estou arrependido de não ter fixado o nome da dona de um deles. Esse tinha o nome da proprietária. O Compêndio tem uma rubrica, mas não consigo identificar o que significa. Ele foi um livro de estudo pois está sublinhado e há uma ou outra anotação, sobretudo no início do livro, correspondendo ao 6º ano. O Livro de Cesário Verde tem uma nota à edição de 1977. Não faço ideia se no final da década de setenta ainda havia 6º e 7º anos, correspondendo aos actuais 10º e 11º anos. Se ainda era a denominação antiga, então poderão ter pertencido ao mesmo estudante.
Desde que trouxe os livros tenho estado a imaginar a história deles. Um foi manuseado há mais de trinta anos, o Compêndio, cheira a biblioteca. Terá ficado numa prateleira este tempo todo. O Livro de Cesário Verde tem um cheiro agradável, quase perfume, talvez tenha estado também numa biblioteca, mas como veio parar à rua? Outra curiosidade deste livro de poemas é que parece que não foi lido, as folhas não estão muito separadas junto à lombada.
O que terá acontecido? O dono morreu e estes livros estavam fora da biblioteca e acabaram no lixo? Quem estudou neles deve estar entre os quarenta e os cinquenta anos. Terá deixado estes livros na casa dos pais e agora que eles morreram ou foram para um lar, a casa foi desocupada indo estes livros parar à rua? Um divórcio?
Se estes livros vieram para a rua, foi porque algo mudou na vida do dono. Mudança de casa. Morte do próprio ou dos depositários. Separação de casal e alguns restos ficaram para trás. Livros que passaram de pais para filhos e estes agora desfizeram-se deles...
O mais grave dos abandonos é o de pessoas, crianças no topo, depois vem os animais e de seguida os livros. Como é possível alguém deitar fora livros? Mesmo escolares. Há bibliotecas capazes de os receber. Este acto de abandono também reflecte um pouco a mentalidade de quem o fez.
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Balanço do ano - livros
Vou tentar deixar as minhas questões de lado e fazer o balanço do ano (vejo uma certa contradição nesta frase, pois o balanço é meu e será influenciado pelas minhas questões).
Hoje começo pelas leituras. 2009 fica marcado pela literatura fantástica, tal como outros anos, mas neste li mais intensamente livros desse género e tomei consciência que gosto bastante desse universo.
Li vários livros das Crónicas de Allaryia do Filipe Faria, li os quatro livros do Crepúsculo (que estou a reler, nestas alturas de depressão uma pessoa volta a onde foi feliz), reli o Eragon e o Eldest e li o recente Brisingr. Isto perfaz uns bons milhares de páginas, já que nenhum destes livros é “menino” para menos de duzentas.
Por outro lado cheguei à conclusão que o que ando a escrever actualmente também se insere numa certa forma de literatura de fantasia.
Só mais duas notas interessantes: recomendo o livro Caderno Afegão, recomendo. A outra nota foi para um encontro incrível que tive com o autor do livro A Especiaria, António Oliveira e Castro numa tarde de chuva em Maio na Feira do Livro. Gostei do livro e gostei da conversa que tivemos. Graças a ela tenho me aberto um pouco mais ao mundo aqui no blog. Em termos de livros e afins, acho que este encontro marcou o meu ano.
Hoje começo pelas leituras. 2009 fica marcado pela literatura fantástica, tal como outros anos, mas neste li mais intensamente livros desse género e tomei consciência que gosto bastante desse universo.
Li vários livros das Crónicas de Allaryia do Filipe Faria, li os quatro livros do Crepúsculo (que estou a reler, nestas alturas de depressão uma pessoa volta a onde foi feliz), reli o Eragon e o Eldest e li o recente Brisingr. Isto perfaz uns bons milhares de páginas, já que nenhum destes livros é “menino” para menos de duzentas.
Por outro lado cheguei à conclusão que o que ando a escrever actualmente também se insere numa certa forma de literatura de fantasia.
Só mais duas notas interessantes: recomendo o livro Caderno Afegão, recomendo. A outra nota foi para um encontro incrível que tive com o autor do livro A Especiaria, António Oliveira e Castro numa tarde de chuva em Maio na Feira do Livro. Gostei do livro e gostei da conversa que tivemos. Graças a ela tenho me aberto um pouco mais ao mundo aqui no blog. Em termos de livros e afins, acho que este encontro marcou o meu ano.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Caderno Afegão
A minha mais recente leitura foi o livro Caderno Afegão da jornalista Alexandra Lucas Coelho. Ela em 2008 passou um mês no Afeganistão. Enviava reportagens para o Público e crónicas para a RDP.
Agora publicou uma espécie de diário de viagem desses dias. É muito interessante. Salta à vista o estatuto da mulher naquele país e temos oportunidade de tomar contacto com uma realidade que só mesmo uma jornalista, mulher, poderia presenciar.
É muito interessante e como objecto é bonito. Gosto da capa e no interior tem um mapa do país para nos situarmos.
Recomendo.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Separar as águas
Pegando no tema do momento: a parva e eficaz operação de marketing do Saramago, vou tentar separar as águas. Em primeiro lugar é quase sagrada a liberdade de expressão, opinião para mim. Ninguém deve ser proibido de pensar e dizer o que pensa, mesmo que seja a maior idiotice (tal é o caso do nosso Nobel). Se alguém abusa da liberdade deve assumir as consequências. Quando ofende alguém, deve pedir desculpa ou sujeitar-se a um processo judicial. Se o caso não for de tribunal, a consequência terá que aceitar a reacção dos visados.
A minha reacção ao senhor José Saramago é dizer que o digníssimo senhor está enganado, equivocado e influenciado pelos seus medos, pré-conceitos, cego pela certeza da sua verdade, que só por teimosia é que não reconhece que é parcial e por isso sujeita ao erro. O digníssimo Nobel não tem idade, figura, feitio e talvez energia para infantilidades, para se armar em enfant terrible. Os livros dele não precisam de qualquer publicidade. Nem precisavam de mudar de grafismo da capa (prefiro o anterior). Enfim, fica mais uma vez à mostra o mau feitio e mau íntimo do senhor.
(Por outro lado, o senhor pode estar a ter uma crise de fé no seu ateísmo e estar a lutar, a estrebuchar, contra a evidência que afinal Deus existe. Para alguém tão fanático numa fé, ter uma crise pode ser motivo para ser mais fanático ainda. Tenho uma amiga que disse na cara dele que ele não era ateu, mas herege. Para ela não é possível haver ateus. Pois se não têm fé numa figura àquela chamam deus, têm fé em alguma coisa. No presente caso parece ser fé no ateísmo.)
No entanto, nada disso me vai deixar de apreciar alguns dos seus livros que já li. Talvez não leia, tão cedo, nenhum dos que ainda faltam ler, mas não quero misturar a obra com o autor. Mesmo se o autor o queira fazer. Há livros que gosto mais e outros que gosto menos. Há livros para todos os gostos, na minha opinião.
Gosto da História do Cerco de Lisboa, Todos os Nomes, O Ano da Morte de Ricardo Reis. Estes são os meus preferidos. Li há anos o Ensaio Sobre a Cegueira e lembro-me de ter gostado, mas não o suficiente para comprar. Não desgostei da Jangada de Pedra, tentei relê-la no início deste ano, mas fiquei pelo caminho, outros livros surgiram mais interessantes. Não achei o Memorial do Convento assim tão espectacular como muitos. Pode ser que tenha sido por causa da edição que comprei, tinha a letra muito pequena e tive muitas vezes dor de cabeça nessa época. Tenho A Caverna e o Ensaio Sobre a Lucidez. Li ambos, mas não me tocaram. Os últimos livros deixaram-me de interessar.
A forma de ele escrever não me incomoda em nada. Tem altura de humor, coisa que para quem olha para figura do senhor não consegue adivinhar. Tem um discurso fluido, muito semelhante àquele estereótipo de pessoa idosa da aldeia que vai contando uma história aparentemente curta, mas que alonga com apartes, considerações, alusões a outras histórias, mas nunca se perde. O Saramago escritor faz isso. Detalha o pormenor e é muito inventivo. Escreve simples, mas aparenta ser muito complicado.
Gosto do Saramago escritor. Evito quando o escritor escreve sobre Deus, Religião e Fé. Não gosto do Saramago cidadão. Há que separar as águas. Da mesma forma gosto bastante da música do Wagner e não aprecio a filosofia que ele defendeu e mesmo o seu feitio. Gosto da música do Paganini, mas nem quero saber se ele fez mesmo um pacto com o Diabo ou não.
A obra é a obra, o homem é o homem. Por mais que o homem derrame a sua essência na obra, acredito que a obra acabará por ser o melhor que ele fez. E tal como para o contacto com a Bíblia é preciso contextualizar, interpretar e ponderar bem o que está lá escrito, para o contacto com a obra de um qualquer artista temos que fazer o mesmo.
Como nota final. Não me sinto nada atingido com a acusação de que os católicos não lêem a Bíblia. Não sei bem há quanto tempo, talvez cinco ou seis anos, que ando a ler um capítulo por dia da Bíblia. Já deu para lê-la toda uma vez e neste momento já ter relido uns dois terços. Comecei com os Evangelhos e restante Novo testamento. Depois peguei no Antigo. Actualmente estou no livro de Eclesiates (ou Qohélet como agora chamam). Tenho pena que ninguém das minhas relações queira seguir-me...
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Leitura em dia
Nestes dias terminai de ler o último livro dos três que comprei antes das férias (Eragon, Eldest e Brisingr). Demorei praticamente um mês a reler os dois primeiros e a ler o terceiro. Gostei e recomendo. O autor está mais velho, mais maduro e neste livro teve oportunidade para tornar as personagens mais complexas. Chegou até a arriscar algumas conversas filosóficas.
Agora vou regressar aos clássicos. Uma colega emprestou-me O Princepezinho. Nunca o li, mas tenho ouvido muita gente falar bem dele. Tenho uma memória vaga de ver um filme de animação contando esta história e fiquei com a sensação que não gostei do filme e da história. Vamos ver…
Depois deverei embrenhar-me nessa leitura apaixonante e rica da legislação do SNC...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Vampiro de livros
Há dias disse para uma amiga minha, quando ia comprar um dos livros da saga Luz e Escuridão, que me sentia como um vampiro de livros, tal era a obcessão com que andava.
Ontem fui abastecer-me de provisões para depois das férias. Finalmente comprei os três livros da saga, Herança, escrita por Christopher Paolini, cujo o primeiro livro chama-se Eragon.
Eram estes os livros que queira comprar naquele dia na Feira do Livro, mas a chuva não deixou. Ainda bem, aproveitei uma promoção na Fnac e comprei os 3 pagando 2.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Luz e Escuridão
Nas últimas semanas tenho andado obcecado com esta série de livros.



Tinha ouvido falar do movimento que esta saga estava a gerar e quis conhecê-la. Nestes dias tenho visto alguns destes livros circulando nos transportes públicos. Percebo perfeitamente porquê que são campeões de vendas.
O livro que mais me tocou foi logo o primeiro, Crepúsculo. E por causa dele resolvi completar a saga. O que mais me tocou? Em primeiro lugar o narrador ser a protagonista da história. Foi bastante interessante entrar na cabeça daquela rapariga, adolescente, e acompanhar a sua história, os seus pensamentos, o seu apaixonar-se por aquele rapaz misterioso. Foi bastante intenso acompanhar o nascimento e fortalecimento daquele amor, que não vemos de fora através de gesto, mas na mente dela.
(Devo confessar que estava conformado e satisfeito com o meu celibato, mas esta saga veio despertar em mim o desejo de encontrar a minha alma gémea. Aquele amor que vence todas as barreiras mexeu comigo. Espero quando a ressaca destes dias passar, volte a sentir-me bem com o meu estado actual.)
Não vi o filme, por isso não sei se é tão mágico como o livro. Já o segundo livro, Lua Nova, não foi positivamente tão marcante emotivamente. A protagonista vê-se sozinha porque o amando, vampiro, decide deixá-la livre abdicando de viver aquele amor com ela, para sua protecção. A narradora entra em depressão e isso influenciou-me. Mesmo agora nenhum dos restantes livros fez-me recuperar a magia do primeiro. Entra um novo conjunto de personagens, os lobisomens.
O Eclipse para mim foi o livro menos conseguido e facilmente poderia ter sido diluído na Lua Nova e no seguinte. Quando o li comecei a desejar acabar rapidamente a saga. Estava cansado. A narradora vê-se num triângulo amoroso a meu ver desnecessário. Ficamos a conhecer melhor o passado de algumas personagens, mas acho pouco.
A saga acaba com Amanhecer. Fiquei contente por ter acabado. Se esta saga tivesse sido só composta pelo primeiro e este livro, mais uns pormenores dos restante livros, seria um obra espantosa. Neste livro acontece um pormenor delicioso. O livro pode ser dividido em três partes e numa delas muda o narrador para uma personagem que dá uma perspectiva nova e refrescante aos acontecimentos. Gostei muito. Gostei da forma como a resolução dos problemas aconteceu. Acabou bem. Não me parece que seja viável a autora voltar a estas personagens e história.
Estes livros são os primeiros que leio onde aprecem vampiros e lobisomens, excepto o Drácula de Bram Stoker. Mas ao que me parece pelos filmes e séries de televisão a autora tomou algumas liberdades nas características destes seres. Achei bem.
Considero menos conseguida a escolha dos títulos. Parecem-me profundos em demasia para o estilo de escrita. Sei que o primeiro livro era para se chamar Forks, nome da cidade onde se passa a acção. Acho que seria melhor que Crepúsculo. A referência directa ao crepúsculo aparece uma vez e indirectamente não consegui descobrir. Pode ser uma metáfora. O mesmo acontece com os outros. Só se vermos o Crepúsculo como o início dos problemas, a Lua Nova com a noite escura, o Eclipse como a luta entre o sol e a lua (vampiro vs. lobisomem) e o Amanhecer como a resolução dos problemas. Pensando melhor talvez seja esse o sentido.
Ouvi falar que estes livros propunham um ideal de relação amorosa sem sexo antes do casamento. Realmente é isso que acontece, mas desconfio que deveu-se mais às contingências da história do que a uma opção consciente das personagens. A dada altura a narradora está disposta a não esperar (até porque tinha vários preconceitos contra o casamento antes de uma certa idade). Não digo porquê que não aconteceu para não estragar a leitura de algum futuro leitor.
Por fim quero realçar um aspecto que considero positivo. As personagens são chamadas a controlar os seus impulsos, desejos e comportamentos, para sua protecção, para protecção dos outros. Num mundo onde o “tanto faz”, o hedonismo (não só no sentido sexual), o desleixo e o facilitismo imperam, esta saga mostra que o esforço para ser melhor, ser mais correcto, mais honesto, é um valor a reter e será recompensado.
A ironia foi ter lido a saga obsessivamente não conseguindo controlar-me.
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