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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Quando estamos em baixo, a chegada à empresa é ainda mais penosa. Ter que mentir para que não nos façam perguntas, à quais não queremos responder... é lixado.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Nem sei que título pôr

Podia chamar-lhe inferno, mas parece-me demasiado dramático.



Ontem pensei em escrever um texto chamado “Mestre culinário”, mas não tive disponibilidade mental. Não que tenha hoje, mas preciso de “falar”. Por isso, misturo o que queria dizer com o “Mestre culinário” para lembrar o dia da Criança, de ontem, e faço o relato do meu... inferno... martírio... ou caminhada para o abismo. (lá vem o meu lado dramático, nada a fazer)



Há coisa de um mês para cá a minha mãe tem vindo a decair assustadoramente. Começou com uns sons ténues que ouvia deitada, passou para uma espécie de pulsação que não a larga. Só na rua atenuava-se. Depois vieram os mal-estares e tonturas. Foi ao médico de clínica geral, depois ao otorrino. Este mandou fazer uns exames dali a duas semanas. Foram estas duas últimas semanas. Ela piorou de tal maneira que tive mesmo que faltar três dias para estar com ela.



Estes três dias foram necessários para arranjar uma pessoa que tomasse conta dos meus pais e fizesse a lida da casa. A minha mãe tinha uma pessoa conhecida em mente e lá conseguimos tê-la cá em casa. Sem ela, não sei o que seria de nós.



Neste tempo de incapacidade da minha mãe tive que tomar conta da casa. Fiz comida. A máquina de lava roupa foi operado por mim. Apanhei roupa lavada. Fiz mais compras. Tive que desenrascar-me. Tem sido difícil, toda a minha vida foi facilitada nos assuntos domésticos. Se a minha mãe fazia, porquê eu? Adaptar-me a esta situação chateia-me, tira-me a tranquilidade, incomoda-me.



Há dias a minha mãe sentia-se mais bem-disposta e pediu-me para o jantar batata frita com um ovo mexido. Fritar as batatas foi fácil, já o ovo... Parece-me que tal como entre a generalidade das mulheres e as máquinas há conflitos, com os homens o conflito é com os ovos. Pelo menos comigo, é. Tínhamos só dois ovos no frigorífico. Tentei partir um e deu asneira. Estragou-se. Prudentemente pedi à minha mãe para partir o outro. Não consigo perceber como se faz.



Lá fui fritar o ovo (eu pensava que tinha posto óleo, mas afinal foi azeite, é o que dá usar azeite em garrafas de plástico). Fui mexer o ovo da forma como me pareceu bem e deu-se um milagre. Então não é que o ovo mexido ficou igual a um ovo mexido que eu gostava muito em criança!



Vivíamos em Caneças, num beco húmido e sombrio. Os meus primeiros anos foram passados naquela casa, naquele beco. Havia um casal de vizinhos que tinha umas hortas e uns barracões onde passavam o dia todo. Eles gostavam de mim e eu deles. Lembro-me várias coisas de lá, as minhas primeiras memórias são de lá. E uma coisa que me tem acompanhado vida fora é a memória dos ovos mexidos que me davam, numa sala com uma mesa comprida. Aqueles ovos mexidos eram magníficos, não sei se tinham temperos especiais, mas sei que eram pequenos pedaços de ovo frito. Ao longo dos anos tenho tentado convencer a minha mãe a fazer ovos daquela maneira, mas nunca consegui. E agora já sei como é. Fantástico, não?



Este foi o lado mais bem humorado do que tenho para dizer.



Na terça-feira passada a minha mãe finalmente fez os exames e o médico diagnosticou uma surdez progressiva. Dentro de cinco anos a minha mãe deverá estar surda. Recebi esta notícia com algum alívio. Há doenças dos ouvidos bem piores. O médico receitou um medicamento que irá aliviar o mal-estar e as tonturas. E sempre há aparelhos.



No entanto ela ainda não recuperou. E por mais que a senhora nos faça de comer, não é a mesma coisa. Por outro lado tenho medido a glicemia à minha mãe e está alta. Tem a parte de dentro das pálpebras pouco vermelha e isso talvez seja sinal de anemia. Talvez daí venha a explicação para fraqueza. Amanhã vai ao médico da clínica geral.



Já não bastando isto, o meu pai tem andado a fazer das dele. A noite passada foi levada a falar, não deixando a minha mãe dormir. Se esta tivesse sido a primeira vez, estaria tudo bem. Mas há várias noites que a minha mãe não dorme a noite toda. E eu tenho tido poucas.



Hoje de manhã estava muito agitado. Queria ir embora. Enfureceu-se de tal forma que todo o prédio (de dez andares) ouviu os gritos dele. Consegui sair de casa muito a custo. Passei o dia de rastos, nem a cafeína ajudou. Fui de coração partido por causa da minha mãe. Ao longo do dia fui falando com a senhora que toma conta deles e este foi um dos piores dias de sempre. Ele tornou-se violento. Ela teve que gritar mais alto do que ele. A minha mãe estava exausta. Não dizia coisa com coisa. Foi obrigada a passar o dia na minha cama. Pelos relatos que recebi ele atirou umas gavetas de um móvel para o chão, deitou abaixo um cortinado. Esfrangalhou os fones que a senhora trazia (compre outros para substituir).



Fui sabendo destas coisas ao longo do dia de trabalho. Foi um dia negro. Quando cheguei a casa ele estava sonolento e agora dorme na cama. Para cúmulo amanhã a câmara vai fazer uma intervenção nas árvores ao pé do prédio e tive que tirar o carro do sítio. Ao tentar estacionar noutro sítio risquei um carro levemente. Fiquei tão nervoso que a senhora que cuida dos meus pais levou-o para outro sítio, de onde posso ver da janela do quarto. Foi um risco pequeno, mas é um risco. E no meu também ficou marca, mas menor.



Por isto e por coisas parecidas ao longos destes malfadados dias, não tenho tido energia para escrever, rezar, meditar e blogar. Vamos avaliar a medicação dos meus pais, talvez não esteja a fazer o efeito devido, pelo menos no caso do meu pai. Sinto-me tão desamparado, sozinho e perdido. Sinto-me esquecido por Deus. Não tenho energia e paz de espírito para procurá-Lo. Quando estou bem, sinto-me perto Dele, mas quando estou mal... sou ao contrário de muitos. Dizem: só se lembrar de Santa Bárbara quando troveja. Eu quero que a minha oração não sejam de súplica, pelo menos para mim, mas quando estou tão desamparado peço e parece-me que não sou ouvido. Será isto a noite escura? Ou quando estou bem, quem encontro sou somente eu? Não me vejo com uma pessoa boa, que exerce a caridade que Jesus apregoa. Não me comovo com as desgraças alheias com facilidade. Se não fosse tão egoísta, não sofreria tanto. Talvez sofresse de outra forma. Que obras de fé tenho a apresentar? Se o que faço aos meus pais é considerado boa obra, faço-o em grande parte por interesse próprio. Dá jeito ter a mãe a cuidar da nossa vida. Dá jeito ter alguém dependente de nós para sentirmos que servimos para alguma coisa. Faço tantos sacrifícios para ter os meus pais bem para que o meu mundo não mude. Não quero mudar porque tenho medo do desconhecido, porque tenho preguiça em me habituar a fazer a lida da casa. Desespero porque tenho que agir, tomar decisões. Seria tão bom se houvesse sempre alguém a decidir por mim. Não faço isto conscientemente, de propósito, mas no fundo é isto que faço e desejo. Não quero crescer, quero continuar a ter a boa vida que tinha em criança.



O meu principal problema é estar demasiado centrado em mim. Odeio-me por isso. Odeio não encontrar uma solução fácil para isso. Só serei feliz se este egoísmo morrer. Mas a dor será tão grande...



Se não estiver com depressão, devo estar perto... e é isto o meu inferno. Peço desculpa pelo desabafo, não me sinto especialmente aliviado, mas aqui fica.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Dois assuntos diferentes para uma destinatária específica

Cristina, ouvi hoje esta notícia, penso que lhe interessará se um dia se dedicar a alguma figura história abrangida por esta legislação.


Num comentário à minha publicação da Vigília Pascal, referiu que não conhecia o filme do Bruce Willis. Enquanto procurava o trailer descobri que afinal ele está disponível no youtube. Aqui está:























terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Hoje ao chegar ao emprego…

… tive uma espécie de epifania. Como já aqui desabafei, eu julgava, e ainda julgo, ser um calhau. Na condução (mas começo a pensar que não devo ficar por aí). Ora, hoje descobri que continuo a ser um calhau, mas não um frio e amorfo pedaço de vulgar pedra. Não. Neste momento sou uma pedra cuspida de um vulcão. Ainda estou incandescente, mais no interior, e salpico à minha volta pequenos pedaços de lava.

Quero ser um pedaço de gelo, um cubo, um mini iceberg. Frio, aguçado nos movimentos que faço. Se sou o que sou, como vou chegar ao estado sólido da água? Físico-quimicamente é, digamos, impossível transformar o basalto em água, mas… é para isso que existe a alquimia, né?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Olá...

...tenho andado bastante afastado aqui do blog. Tenho tido pouca disponibilidade mental e anímica para publicações, apesar de ter descoberto dois grupos engraçados. Por isso deixo aqui uma música que gosto do último disco dos LCD Soundsystem, I Can Change.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sou um calhau





Ok, não exageremos...



Sim, sou... e isto também é verdade...



E porquê?



E agora começa a humilhação... ok, não sou assim tão mau... bem vistas as coisas até fiquei mais bem disposto. Obrigado, youtube!

Esperem aí, queria ver esta miúda a conduzir de noite , a chuver em Lisboa!!! Ah, pois é!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Uma longa, longa mensagem de Natal

Tenho andado com pouca disposição para a escrita, tanto aqui como nos meus projectos. Isto de andar a tirar aulas de treino de condução, mais as preocupações que isso acarreta, mais o final da convalescença da operação, mais o frio e a chuva, tudo isto e inércia inata afastaram-me das palavras e das frases. A escrita não é uma actividade natural no ser humano. O desejo que comunicação, sim. O problema é que esse desejo tem andado adormecido.

Apesar de não ter escrito, tenho pensado (é capaz de ser presunção minha dizer reflectido) sobre alguns assuntos. Aviso já que não cheguei a nenhuma conclusão. O meu pensamento (raciocínio/reflexão) não chega a tanto. Tal é a minha confusão mental que nem sei por onde começar.

Começo talvez por algo que me tocou com intensidade. A instrutora de condução disse-me esta semana que eu sou demasiado exigente comigo próprio. Na altura neguei, mas bem vistas as coisas acho que tem razão. Estou a ter estas aulas por necessidade, quero rapidamente aprender e fazer tudo bem logo. Ao perceber que o meu corpo não acompanha a aprendizagem intelectual duas coisas aconteceram: uma machadada violenta no meu ego, pois estava convencido que conseguia aprender qualquer coisa, mesmo sendo difícil; por outro lado senti-me mais tranquilo, vai levar tempo, mas chegarei lá (na altura em que ela disse-me isto eu andava um pouco em baixo porque só via os erros que fazia e não a evolução).

Ao longo das aulas fui passando por vários estados de alma: frustração, pânico, descrença, cepticismo, resignação, esperança, alívio, nervosismo, sempre e sempre o medo de errar, de causar acidentes. Nos primeiros dias a minha condução parecia de um alcoolizado. Agora não é tanto, mas direcção continua a ser um problema. Como é que é possível numa recta eu andar aos esses? Estará o mundo alcoolizado e ninguém me disse? O estado de alma actual é resignação à minha insignificância e esperança em conseguir chegar a bom porto neste empreendimento, mesmo que me custe muitas mais aulas do que estava previsto.

Este tem sido um dos temas da minha meditação (se há sinónimos ou aparentados, porque não usar?). Tem-me levado a pensar sobre a forma como me olho e quem sou. Outro tema, está relacionado com a minha personalidade, é sobre o Natal e a alegria. Como viver o Natal? O que é o Natal? O que é para um cristão o Natal? O Advento e o tempo depois propriamente chamado de Natal? Descobri que olhando em redor o Natal que vejo e acabo por viver deprime-me. Não consigo sentir-me alegre por decreto, por marca no calendário, porque os outros estão alegres.

Uma bandeira do Natal na sociedade é a família. Olho para a minha e o que vejo? Doença, sofrimento, solidão. Onde está a alegria? O meu pai ou está alucinado querendo voltar para a casa de infância (este estado pode durar em média dois dias e duas noites, sem dormir, sempre querendo ir embora e no ponto mais activo procurado a porta para ir embora) ou está cansado e dormente não querendo sair do sítio onde está. A minha mãe oscila entre o choro, a irritação com a não colaboração do meu pai, o desgosto sempre presente por causa da solidão, das canseiras e dos achaques que também tem. Eu no meio disto oscilo entre a distância que tento manter para preservar alguma lucidez ou a entrada num turbilhão de emoções (raiva, irritação, raiva e mais raiva, impotência, solidão, muita solidão). Persegue-me o fantasma de um dia herdar a mesma doença do meu pai. Tento mentalizar-me que viverei muita solidão no futuro, como sobreviverei a isto? Se não fosse a minha pouca fé, estaria bem arranjado. Provavelmente entraria para as estatísticas do suicídio.

Voltando à meditação: neste cenário onde está a alegria? Acrescento mais uma peça: a minha personalidade melancólica. O que fazer com ela perante esta necessidade de alegria? Sim, porque Jesus disse que nos quer alegres, porque afinal não temos que temer nada. Eu sou melancólico, não há nada a fazer sem violentar a minha natureza, não é? Posso ser alegre e melancólico? Triste? Só vejo uma saída: todos os meus pressupostos estão errados. O que é então a alegria cristã? Será o estado de espírito de elevação? Tem que ser algo mais. Não pode ser um sentimento, pois há pessoas propensas a uns e outras a outros. Ser alegre deve ser uma atitude perante a realidade. Será isso? Viver melancolicamente com uma atitude positiva. Parece-me uma boa meta a atingir. Não consigo andar sempre com o coração a transbordar de bom-humor, de exaltação, nem com um sorriso rasgado desde o acordar até ao deitar, nem rir ou ser a animação de uma festa.

Há dois aspectos da alegria que em faltam e fazem falta: paz interior e entrega. Quando vivo na rotina, sem preocupações, é-me fácil ser alegre, mas isto parece-me bastante egoísta. Sim, egoísta porque vivo fechado na rotina, fechado à novidade, instalado. Lamento admitir, mas dou-me pouco. São poucas as vezes em que me abrir aos outros e entreguei-me, fiz o Bem. Este lado negro desgosta-me e podem bem dizer: “ora, muda a tua atitude”. É fácil dizer, mas muito difícil fazer. Pelo menos para mim. Quando penso nestas coisas tenho dúvidas sobre se tenho realmente fé, se sou cristão sequer. Aqui lembro-me de um diálogo no livro Harry Potter e Câmara dos Segredos. O Harry questiona-se sobre se ele não estará destinado a ser um feiticeiro mau, porque tem muitas semelhanças com o Voldemort. O Director pergunta-lhe sobre o que o Chapéu Seleccionador lhe disse no primeiro ano, quando atribuiu as casas onde os alunos iam estar. O Harry disse que pedira ao Chapéu para o pôr nos Griffindor, apesar de ele ter todas a qualidade para ir para a casa conotada com os feiticeiros maus. O Chapéu fez-lhe a vontade. O Director disse-lhe que o que faz uma pessoa não são as suas características, habilidade, virtudes, mas sim as suas decisões. Eu decido-me por ser cristão, católico, apesar de não ver em mim qualidades necessárias. Insisto. Persevero. Faço caminho.

Na terça-feira coloquei no Facebook uma questão: porquê que se celebra o Natal? Só tive um comentário. É justo, a nível humano, se não participo no que os outros dizem ou fazem, porquê esperar uma reacção diferente comigo? Depois dei a minha resposta e ninguém mostrou qualquer reacção. O Natal celebra-se porque Jesus ressuscitou. O Natal está dependente da Páscoa. Sem a Páscoa o Natal não tem sentido. A alegria e esperança natalícias estão relacionadas com a ressurreição de Jesus. Celebramos o nascimento do nosso salvador, de quem nos está a ajudar a vencer a morte, o sofrimento e a atingir a felicidade.

Há uma atitude (chamar-se-á alegria?) a ter que sei intelectualmente, mas tenho dificuldades em tê-la em prática. Tudo depende do nosso olhar. Não há sofrimento. Sofremos porque o nosso olhar não está focado no Além. Se tivéssemos a atitude que Jesus teve no Calvário e na Cruz, de abandono e confiança, não sofreríamos. Porquê que não dou um sentido ao estado da minha família? À doença do meu pai? Porquê que não vejo as suas implicações e manias como um exercício necessário para crescer? Porquê que me deixo tocar pela raiva quando ele urina para o chão em vez de o fazer na sanita? Porquê que desespero perante o chora da minha mãe quando ele anda de janela em janela, porta em porta para ir embora?

Às vezes digo no escuro que é por amor que aguento isto tudo. É por amor que abdico de formar família, de ter uma juventude normal com amigos, saídas à noite, festas e convívio. Mas à luz do dia olho para mim e para a minha vida e vejo que não abdiquei de nada. Não abdiquei porque nada escolhi. Vivo assim porque é-me confortável viver assim. Vivo com os meus pais porque não me vejo a viver longe deles. Protegem-me e protejo-os. É por amor e comodismo. É por amor e medo de sair da rotina.

Então o que será alegria numa pessoa melancólica? Deve ser o mesmo que em alguém alegre: entrega e sentido para a vida. Nesta definição: serei alegre? Acho que não. Entrego-me pouco, pelo menos no sentido do relacionamento com as outras pessoas. (ouço algures no meu cérebro a voz da minha instrutora de condução: lá estás tu a ser demasiado exigente contigo próprio).

Sabem uma coisa? Não devia sentir-me triste por não ser como as outras pessoas. Não sou uma pessoa expansiva no contacto social. Não vejo a realidade da mesma forma. Isso vai trazer-me dissabores? Vai, mas mantendo-me como sou uma coisa é certa, estarei a cumprir o que Deus sonhou para mim. Quem sabe se estas deambulações melancólicas, depressivas não ajudarão alguém a ser mais autêntico e a voltar ao plano de Deus?

No Facebook disse: não dêem presentes, meus amigos, sejam presentes na vida dos outros e assim Jesus estará presente na vida deles. A quem leu isto até aqui um muito obrigado e recebam os meus votos de um Santo Natal. Desejo que sejas Jesus presente no local onde estás.

Boas festas

P.S. Fico sempre com a sensação que não disse tudo, mas isto já vai muito longo.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Um mistério desvendado

Havia um mistério que me atormentava aqui nas lides da blogosfera. Tenho alguns seguidores deste blog que não têm blogues próprios. O mistério era o seguinte: como é que esses seguidores recebiam as actualizações do meu blogue?

Hoje descobri. Em primeiro lugar explico como cheguei lá. Este fecho do mês de Neovembro tem um problema lá na empresa. Temos que fechar no dia 7, mas não tivemos direito ao dia 1 porque foi feriado. Outro factor negativo é a alteração do sistema informático lá na empresa, não ao nível da aplicação contabilistica, mas a nível da linguagem da base de dados: do Oracle para o PostGres. À primeira vista não haveria problemas, mas descobrimos que um outro programa vital para o fecho não funciona com o PostGres. Para esse programa funcionar temos que fazer uma série de operações que levam quase uma hora. enfim, atrasa tudo.

Por causa desse atraso e da minha enfermidade resolvi trazer uns ficheiros de Excel para casa. Sim, trouxe trabalho para casa. Ora eu não tenho o Microsoft Office a funcionar, não me apeteceu gastar cem euros para comprar a versão definitiva. Em alternativa uso o Open Office, mas este, na sua versão do Excel, não se compara com o produto da Microsoft. Chateia-me as limitações e funcionalidades que existem no programa da empresa e que não existem e me fazem imensa falta cá em casa.

Fui à net pesquisar alternativas. Tentei o Google Docs, mas ainda é pior. No entanto descobri o Reader do Google e... voilá, eis que encontro os blogues que sigo. Podem ver um printscreen:








Como podem ver estou a usar o Google Chrome porque é bem mais rápido que o Internet Explorer, mas... mais uma vez há um senão... tive que abrir o explorer para escrever esta mensagem porque não conseguia aumentar a imagem do printscreen.
P.S.: Quando tentei justificar este texto, como faço sempre, ele desapareceu. Gelei. Fui ver se tinha rascunhos gravados e lá estava. Respirei de alívio. Obrigado Sr. Gates...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Actualização do boletim médico

Fui tirar os pontos, mas dois deles infectaram e foi preciso voltar a pô-los. Estou bastante aborrecido. Isto nunca mais acaba.

Pelo vidro de um armário consegui ver a ferida, é grandita, bastante parecida com as que se vêem em filme: aberta sem sangue a escorrer.

Enfim, aqui fica o meu estado de espírito nublado...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A propósito das refeições de convívio

Nos primeiros episódios da série Dexter senti uma grande identificação com o protagonista. Não pela parte do sangue e das facas, mas por parte da incapacidade de socialização. Há certas normas sociais que não domino, nem entendo.

Admito que seja falha na minha educação, que poderia ter disfarçado, se tivesse existido essa educação, alguma falha minha de feitio. Acho que já falei aqui da minha pouca experiência em relações sociais, raramente consegui manter amizades após a separação dos nossos caminhos. Os meus pais não tinham amizades fortes e da família é melhor nem falar.

Por isso tive pouca formação em reuniões de convívio. Por isso tenho pouca vontade em participar nelas. Por isso vejo pouca razão de ser para existirem, pelo menos nos padrões civilizacionais da actualidade. Percebo que no tempo em que dependíamos muito mais da natureza, do que colhíamos e caçávamos com as nossas próprias mãos, a refeição em grupo seria importante para estabelecer relações sociais, mesmo hierárquicas. Partilhar a comida e a bebida era partilhar algo de vital e por isso muito importante. Se eu estou a partilhar algo de vital para mim, a pessoa com quem estou a fazer isso é muito importante para mim e eu para ela.

Festejar um casamento é compreensível. As famílias unem-se para abençoar a nova família. Uma nova família era importante para a sobrevivência da comunidade.

Já não consigo perceber a necessidade de colegas de trabalho, que estão juntos todos os dias, de irem almoçar ou jantar juntos. Há a desculpa do convívio, mas no trabalho não se convive? Há a desculpa de estarmos noutro ambiente, mas os assuntos da conversa acabam por serem os mesmos de sempre, do dia-a-dia. Há a desculpa de estarmos mais à vontade, mas em todas as circunstâncias devíamos ser auténticos, nós próprios, se no trabalho estamos a fingir, já não somos uma pessoa inteira.

Promover uma refeição de convívio para exorcizar frustrações, problemas, tristezas, parece-me que é embarcar numa ilusão. Os problemas, as tristezas, as frustrações estão lá quando regressarmos à rotina. Não seria melhor enfrentá-las? Procurar a origem e tratá-las?

As coisas pioram, sob o meu ponto de vista, nas reuniões com muita gente. Ainda vejo algum benefício numa refeição com no máximo seis pessoas, mais do que isso já começa a ser difícil. É mais fácil as pessoas partilharem-se num pequeno grupo do que num grande. Num grupo de seis, todos estão perto uns dos outros. Num grupo de dez, se a mesa não for redonda perde-se a intimidade e perde-se a razão de ser da refeição. Num grupo de vinte ou mais formam-se pequenos grupos ou come-se sozinho. Se um grupo grande se reúne em torno de uma pessoa, porque faz anos, porque vai embora do emprego, porque vai casar, para que serve a reunião? Essa pessoa não vai poder prestar atenção a todos da mesma forma, é impossível.

Já estive em alguns almoços de despedida. O que tem acontecido? Come-se, os mais próximos do que se despede falam com ele, talvez se fale mal da empresa e no fim cumprimenta-se deseando felicidades no novo emprego. Se me sinto mais próximo dele, volto para o escritório com o coração apertado e já com saudades. Onde há a partilha? Cada um paga a sua parte da conta, nem o grupo paga o almoço ao que se despede, nem ele nos paga a refeição. Ele segue a sua vida e no meu caso provavelmente trocaremos um mail por ano no Natal e na Páscoa, se eu tiver essa iniciativa.

O mais engraçado é que acabo por gostar de almoçar com os meus colegas de trabalho. Estou entre pessoas que gosto e com quem sinto-me à vontade, tenho o meu lugar na dinâmica do grupo. Continuo sem perceber a necessidade de nos juntarmos numa refeição, pelo menos a necessidade que alguns deles têm desses encontros. Acabo por apreciar vê-los alegres, uns copos de sangria e há risadas e boas disposição. Às vezes no trabalho há risadas sem necessidade de sangria. A nível egoísta aprecio a oportunidade de provar comidas que habitualmente não encontro. A minha dieta é bastante monótona, mais ou menos equilibrada, mas pouco condimentada.

Termino com uma referência literária. Há um escritor italiano de seu nome Giovanni Papini que é uma figura polémica. Ele nasceu filho de um ateu fanático e de uma mãe religiosa, tendo sido baptizado em segredo. Cresceu sob a influência do pai. Interessou-se pela literatura. Andou pelo fascismo italiano e a uma dada altura converteu-se ao catolicismo. Foi um católico algo singular. Teve livros no Index. Enfim foi um anarquista. O que ele tem a ver com esta reflexão sobre as refeições de convívio? Num dos mais famosos livros dele “Gog” há um capítulo que me marcou muito. O livro é uma colectânea de textos supostamente escritos por Gog, um homem rico e insatisfeito com a vida. Num desse escritos ele conta a sua estranheza sobre a importância que a raça humana dá às refeições. Ele pergunta, se nas nossas casas temos um lugar próprio para evacuar o que comemos com privacidade, porquê que não temos um lugar com igual privacidade para iniciarmos o processo? Assim sendo ele mandou construir uma casa de comer confortável e discreta.

(Na antiguidade era comum as latrinas comunitárias e havia lugar de encontro nesses lugares, mas se não se manteve por alguma razão foi, não é?)

sábado, 16 de outubro de 2010

Saltimbanco – Cirque du Soliel

Pronto, já regressei do espectáculo. Gostei. É um dos mais antigos da companhia em digressão. Os artistas são competentes e os números também. Tem bastante humor, ainda eficaz ao fim de dezoito anos de estrada.

Das quatro vezes que o circo veio a Portugal, só à primeira vez é que não fui. Já conhecia pela televisão e felizmente os espectáculos que vieram têm sido pouco transmitidos.

Os números com trapézio e elásticos foram espectaculares. Aqui ficam alguns vídeos. O primeiro é do duo de trapézio, um dos mais bem conseguidos do ponto de vista da imaginação e ousadia. Durante a apresentação só perto do fim é que percebi que elas tinha cabos de segurança. Realmente tinha achado estranho quando começam a balançar os colegas no chão terem retirado o colchão. No vídeo é lá para o minuto cinco.



A forma como este número acaba foi espectacular. Infelizmente não encontrei um vídeo de melhor qualidade.



Como é habitual, as duas partes principais de palhaços contam com a participação de espectadores. Neste número há mímica, humor, está claro, e beatbox. Aqui ficam os vídeos.











Para além do espectáculo fui vendo, antes e no intervalo, as pessoas e os técnicos do circo. Quanto aos técnicos senti alguma inveja. Eles não sobem ao palco, mas fazem parte do espectáculo. Já é a segunda vez que sinto este desejo que participar numa organização daquelas, a um grupo assim. Todos têm um papel a desempenhar. Acho graça aos operadores de holofotes que antes do começo sobem lá para cima e só saem no fim.

Desde criança que sempre gostei de circo, sobretudo a parte dos malabarismos e acrobacias. Os números com animais nunca me cativaram. É por isso que gosto tanto do Cirque du Soleil. A minha mãe diz que em pequeno eu dizia que queira ser palhaço. Não me lembro desse desejo. Lembro-me sim e querer ser trapezista, mas gordinho como era, e ainda sou, com pouco gosto pelo exercício físico não passei do sonho.

Por fim quero falar do reverso da medalha. Ao olhar para as pessoas, senti-me sozinho. Fui sozinho, não tenho com quem ir a estas coisas. Vi poucas pessoas sem companhia enquanto o espaço ia enchendo. Vi casais, famílias com crianças. Na fila à minha frente estava uma família com pais, filho adolescente e, acho eu, avós. Dei por mim a sentir tristeza por não ter o meu pai ao meu lado, tal como aquele miúdo tinha. Não consegui lembrar-me da última vez em que estivemos assim, se calhar nunca aconteceu. Chegámos a ir ao circo no Coliseu dos Recreios, quando era criança. Um dos males da doença dele é eu já tr dificuldade em lembrar-me como ele era antes. Tenho medo de vir a esquecer definitivamente.

Quando cheguei a casa, a minha mãe estava pouco disponível para ouvir-me falar do que vira e rira. Tem um peso tal em cima, que por vezes não consegue ver para lá disso.

Enfim, dei por bem gasto o dinheiro do bilhete, mas a minha vida não mudou por causa do espectáculo...

sábado, 2 de outubro de 2010

Dracma perdido

Acho que não deixei transparecer aqui no blog uma certo desgosto e apreensão que vivi nas últimas semanas. Pouco antes de inaugurar o blog Silveira dei por mim sem saber onde estava uma pen drive, onde estava uma cópia dos primeiros capítulos e muito mais coisas que tenho escrito. Andei desgostoso. Procurei, por todo o lado onde a podia ter deixado, várias vezes. Convenci-me do seu desaparecimento definitivo e rezei para que não fosse parar a mãos erradas.

Ontem à hora de almoço fui comprar outra, resignado. Então não é que ao chegar a casa a minha mãe disse-me que a encontrou na máquina de lavar roupa! Pelos visto foi lá parar no bolso das calças e por lá ficou escondida estes dias todos. Esta pen drive tem uma tampa que protege a entrada e por isso a estadia estes dias todos no tambor da máquina, com tantas lavagens, não a danificou.

Foi uma alegria imensa. Lembrei-me logo da parábola da dracma perdida e de como a mulher ao encontrá-la chamou as amigas. Agora tenho duas pens e mais uma motivo para agradecer a Deus esta lição. Agradecer, pois por enquanto não sei o que é suposto aprender com ela. Uma coisa é certa, no meu desgosto cheguei a pedir informalmente (já que não sei o responso) a Santo António pelo paradeiro dela ou então pela sua destruição. Não é o objecto em si que me interessava, era o conteúdo, fruto do meu trabalho de escrita que ficava por aí, ao deus dará...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Para fugir à depressão ouço música de um gajo bem mais deprimido do que eu e que transformou em arte a depressão

Com este enorme título apresento uma música que tenho ouvido muito nestes dias.




O meu apreço pelos Eels vem desde a minha década, a de noventa. Olhando para o vocalista dá para perceber que ele vive uma realidade diferente. Pelo que sei por altura do início da carreira a vida dele passou por várias tragédias e ele elevou a depressão a uma forma de arte. Cada um lida com a tristeza da sua forma.

Gosto bastante do tema que o lançou: novocaine for the soul. Aqui fica a versão original




Comparando com a versão ao vivo é bem mais limpinha e bem-comportada. Aqui fica uma versão ao vivo.



É curioso notar que ao longo dos anos ele tem aumentado o tamanho da barba. Agora mete impressão.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Livro para as férias

Estou quase a ir de férias. No meu caso ir de férias costuma ser um drama. Ter que sair da minha casa, enfrentar a viagem de comboio com as bagagens, o gato, as fita que o meu pai poderá fazer. É um stress.

Por outro lado, a nossa casa de férias é minúscula, vou estar em maior contacto com o meu pai e sujeito às suas traquinices que costumas ficar marcadas na pele e músculo. Terá que haver uma redefinição dos espaços. Toda essa adaptação leva tempo e tem o preço de mais nervos. Não poderei andar livremente pelos campos porque a minha mãe tem medo que alguém ou anima me faça mal.

Assim sendo, férias, férias seria se eu fizesse férias da minha família. Do trabalho poucas férias preciso, é mais da família, e isso não poderei ter naturalmente. Até me custa pensar na eventualidade de um dia viver sem eles. O que vai ser de mim?

As mudemos de assunto, pois o que me levou a escrever não é nada triste. No sábado passado comprei um livro que espero levar para ler nas férias. Tive muito sorte ou foi Deus que me encaminhou até ele.

Nos últimos tempos tenho adquirido alguma curiosidade pelo padre José Tolentino Mendonça. Um eminente teólogo, que também é poeta, escritor. Queria conhecer a sua poesia e por isso tinha o nome dele arquivado na minha memória para uma ida à Fanc. Estava a sair da secção dos livros quando dei de caras com o livro A Noite Abre Meus Olhos.



Este livro é a compilação num só livro dos primeiros livros de poesia dele. Um bolo com uma cereja no topo. De uma assentada fico com uma parte considerável da sua obra e com muita poesia espiritualmente inspirada. Para além de ser em formato de bolso, o que ma dá a garantia de poder levá-lo junto com a Bíblia, cadernos para escrever e livrinhos de orações.

A minha relação com a poesia é complicada. Tenho dificuldade em lê-la, porque por norma entendo pouco o que ela diz. Desde a escola que tenho essa dificuldade. Quando me pediam para analisar um poema era um custo. Convenci-me que sou muito linear nas interpretações que faço. Actualmente acho que o mal foi o sistema de ensino, o azar que tive em ter professores que não nos ensinaram a sermos criativos e imaginativos. A disciplina de Português devia ser dividida em duas partes: uma seria a técnica da língua e a outra a descoberta do prazer de ler. Ler poemas devia ser ocasião para os alunos aprenderem a usar a língua como veículo para a liberdade.

Foi preciso eu sair da escola para aprender a gostar de ler poemas e começar a escrever, tanto em verso como em prosa. Escrevi muita rima, não me atrevo a chamar poesia àquilo, como pode ser verificado na colónia deste reino. Escrevi por muito tempo para exorcizar as minhas tristezas, para passar da adolescência para o estado adulto. Agora raramente escrevo versos.

Voltando ao livro que pretendo ler nas férias, se tiver silêncio interior para tal. Quando regressava a casa depois de comprar o livro, li o primeiro poema e achei que o devia deixar aqui para vosso proveito.

A infância de Herberto Helder

No princípio era a ilha
embora se diga
o Espírito de Deus
abraçava as águas

Nesse tempo
estendia-me na terra
para olhar as estrelas
e não pensava
que esses corpos de fogo
pudessem ser perigosos

Nesse tempo
marcava a latitude das estrelas
ordenando berlindes
sobre a erva

Não sabia que todo o poema
é um túmulo
que pode abalar
a ordem do universo agora
acredito

Eu era quase um anjo
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio

Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios

Isso foi antes
de aprender a álgebra

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Raiva



No filme Se7en a personagem do Brat Pitt na opinião do psicopata representava o pecado capital da Ira. Hoje estou num estado psíquico que me faz sentir próximo dele. A raiva é algo que vive em mim. Quem convive comigo deve ficar admirado com esta afirmação. De aparência e estilo de vida sou um exemplo de calma, mas cá dentro vive um furação de raiva e frustrações.



Por a raiva ser um estado quase permanente, não acredito na eficácia da catarse. Não acredito nos cuidados paliativos que vêm das pausas de descompressão, das quebras na rotina, nos divertimentos, nos momentos bem passados. Tudo isto alivia, mas não cura. Eu não quero sentir raiva, irritar-me tão facilmente como às vezes acontece. Quero viver de uma forma simples, sem medos.



Uma grande parte da sociedade sobrevaloriza o orgasmo. O prazer não anula a raiva. O momento não compensa a eternidade.

Felizmente a raiva, como tudo em mim, é cíclica. Nem sempre tem os níveis de hoje. Uma parte dela, sei de onde vem. A doença do meu pai. Hoje estou assim porque tive que alterar um pouco da minha rotina para evitar encontrar o meu pai na cozinha. Agora se lhe dirijo a palavra é motivo para todo o tipo de insultos. Não posso dizer para fazer uma pequena coisa, que começa a chamar-me nome, já não há limites. Tantos travões que tenho que ter para não o agredir, fosse um estranho e o furação rugiria bem alto. Onde está a caridade?



Mas sou humano. Sou fraco e a música serve de anestesia. Hoje tem sido esta a minha banda sonora. A raiva dos outros alivia-me e o desabafo também.

Espero que não vos contagie.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Soundgarden - Blow Up The Outside World

Já sinto-me melhor.

Em contra-ciclo

Eu sou benfiquista, mas estou afastado o futebol.

No final da adolescência passei por uma fase em que acompanhava os jogos do Benfica pela televisão com entusiasmo. Por azar nunca foi campeão nessa época. Cheguei a um ponto em que ficava de rastos com as derrotas. Desisti.

Outro motivo é a ética distorcida que existe no futebol. Não me agradava ver a minha equipa ganhar com falta simuladas, com jogadores violentos, com polémicas, com dúvidas sobre a honestidade dos intervenientes. Desisti.

Agora não vejo os jogos por medo que a obsessão regresse, prefiro manter-me tranquilo e saber o resultado no fim, e por superstição, pois ultimamente quando via um jogo o Benfica perdia. Não estou para sofrer, já tenho motivos aos quais não posso fugir que chegue.

Nesta linha, não me senti motivado para festejar a vitória de ontem. Vi a festa na televisão. Achei bem terem dado os troféus do campeonato no final do jogo. Achei mal os desacatos, o mau perder.

Mais uma vez notei uma característica minha, que me desgosta. Ando sempre em contra-ciclo com a humanidade que me rodeia. Andam a festejar e eu ando anestesiado. Por vezes quando chove e toda a gente desespera, ando alegre. Tenho medo de só ficar contente com as desgraças dos outros. Faz-me lembrar esta música:

http://www.youtube.com/watch?v=zdodc1Eu1nA

E não se pense que é só com o futebol, não consigo sentir-me entusiasmado com a visita do Papa. Tento imaginar que estou na cidade de Roma quando Pedro entrou lá pela primeira vez. Ou que estou numa das cidades evangelizadas por Paulo e ele chega para nos visitar. É essa a alegria que queria sentir. É esse o significado da visita desta semana.

E eu?

Anestesiado.

Entorpecido.

Apático.

Morto por dentro.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Hoje estou assim

Hoje de manhã escrevi isto e serviu-me de catarse.

Depois no caminho para o trabalho a oração do Passo a Rezar preparou-me o coração.

Ao sair do autocarro (pois hoje ameaçava chuva) apanhei com um quentinho sol na cara e o meu coração rejubilou.

Agradeço e louvo o Senhor, mesmo que uma parte do enlevo venha a cafeína de um Melhoral que tomei ao pequeno almoço por causa do pingo na nariz.

Deixo aqui a música que ouvi depois da oração e ao sol.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Amanheci assim


Em uma noite escura
De amor em vivas ânsias inflamada
Oh! Ditosa aventura!
Saí sem ser notada,
Estando já minha casa sossegada.


Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh! Ditosa aventura!
Na escuridão, velada,
Estando já minha casa sossegada.


Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa alguma,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.


Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em lugar onde ninguém aparecia.


Oh! noite, que me guiaste,
Oh! noite, amável mais do que a alvorada
Oh! noite, que juntaste
Amado com amada,
Amada, já no amado transformada!


Em meu peito florido
Que, inteiro, para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.


Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.


Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado,
Por entre as açucenas olvidado.


Poema de São João da Cruz
Felizmente melhorei,
onde está o meu Amado?

quinta-feira, 11 de março de 2010

Olhem só para o que me havia de dar!

Deu-me para procurar no Google alguma referência à escola onde estive mais tempo: Escola Secundária dos Anjos.

O meu percurso escolar foi atribulado. Fiz a 1ª e a 2ª classes na escola de Caneças. A 3ª e a 4ª classes foi na Escola Municipal nº 1 em Lisboa. A preparatória foi na Escola Preparatória Luis António Verney em Marvila, por não haver lugar na Escola Preparatória Nuno Gonçalves.

O 7º ano foi dos mais estranhos. Não havia vaga na Escola dos Anjos e fui colocado no Externato Marquês de Pombal na Morais Soares. Só no 8º ano é que fui colocado na Escola Secundária dos Anjos. Estive lá até ao final do 11º. O 12º foi na escola Secundária da Cidade Universitária, porque não ia haver este ano na escola dos Anjos para a minha área.

Na net encontrei algumas referências à minha escola. Uma ex-aluna num blog falava dessas tempos e nos comentários descobri um grupo no HI5. Bateu-me a nostalgia bem forte. E pior é que não me lembro de quase nada desse tempo. Como é possível? Não me lembro de quase nenhum nome dos meus colegas. Perdi contacto com todos eles.

Do que consegui descobrir no HI5 poucos membros do grupo serão do meu tempo. Eu andei entre 87 e 91 na escola. Consegui chegar a estes anos após bastantes contas pelos dedos. Aos poucos tento recordar episódios desses anos. Ao contrário de muitos da minha geração, eu não idolatro os anos oitenta nem os noventa. Não idolatro a minha infância. Vivi grande parte desses tempos criando fantasias e estudando que pouco vivi.

No 8º ano tive um colega que veio do Externato, também, que devia ser autista. Só se interessava pela História da Segunda Grande Guerra e desenhava cenas das batalhas. Uma vez teve um ataque na aula de Trabalhos Manuais agarrou num martelo e todos nós fugimos da sala. Eu gostava de ir nos furos para a secretaria passar o tempo. Estranho, não? Agora vejo que não sabia conviver com os miúdos da minha idade. Preferia os adultos. Tive dificuldades em Português. Acho que cheguei a ter aulas de apoio. Chumbei a Português e a Francês. Foi o pior ano de sempre.

No 9º ano fomos ver o Auto da Barca do Inferno em marionetas no Museu de Arte Antiga. A nossa professora de Educação Visual faltava muito, à semelhança do ano anterior. Feito estúpido não fui ao gabinete de apoio para descobrir as nossas vocações. Tive um método de estudo diferente. Tomava apontamentos num caderno e depois em casa passava a limpo. Foi bom. Acho que continuei a ter apoio em Português. Acho que tive positiva. Agora não me lembro de mais nada deste ano.

No 10º ano fomos ver uma peça de teatro a Algés, fui uma peça de Gil Vicente, acho que foi o Auto da Índia. Senti alguma diferença no ritmo escolar. Tinha mais trabalhos de casa. A minha turma acho que era o 10º A e éramos de manhã. O 10º B era de tarde. Os de manhã tinha Francês como disciplina opcional. E de tarde tinham História. Este pequeno pormenor influenciou muito a nossa vida. De manhã ficámos com uma professora de Matemática exigente, os da tarde tiveram um professor ainda pior, poucos passavam de ano com ele. Eu gostei da professora, tive 15.

No 11º ano mantive a professora de Matemática e voltei a ter 15. Tive um professor de Filosofia interessante e aberto. A professora de Cálculo Financeiro era a Directora de Turma e fazia testes bastante difíceis. Na última aula, estava a selecção de futebol a ganhar o mundial em Riade, a professora despediu-se de nós dizendo que tínhamos sido uma turma boa. Lembro-me de pensar no regresso para casa como iria ser o nosso futuro, se iríamos um dia encontrar-nos. Nesse ano deixei de ir às aulas de Educação Física. Não havia condições mínimas. Só ia quem quisesse e as aulas resumiam-se a jogos de futebol.

Ao ler os comentários no HI5 senti-me mal. Muitos já têm filhos. Têm profissões interessantes. Têm uma vida. E eu? Este blog, vivo com os meus pais. Tenho Alzheimer em casa. Escrevo para a “gaveta” e muitas vezes nem isso. Fomos a geração rasca e à rasca. E eu um falhado, looser (dito em inglês é mais cool).

Ok, fiquei deprimido.