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domingo, 15 de maio de 2011

Quarto Domingo da Páscoa – Ano A

Hoje é o domingo do Bom Pastor. Também o dia de oração pela vocações. Mais do que vocações religiosas o que estamos a precisar é de vocações cristãs. Sem comunidades cristão não podem haver sacerdotes, religiosos e religiosas. Se uma comunidade não for capaz de gerar vocações religiosas, isso é sinal de imaturidade, de uma caminho a ser cumprido. A comunidade é uma árvore, se não produzir frutos que façam continuar, crescer ou gerar novas comunidades, então não é uma boa árvore. Qual a qualidade da minha comunidade? Qual a qualidade da minha participação nela?

Jesus no Evangelho apresenta-se como a Porta. O que significa este símbolo? A porta é um lugar de passagem entre dois espaços. Serve para facilitar a entrada ou para dificultar. Pode ser a passagem para a interioridade ou para o mundo. Normalmente não se fica na porta, mas pode-se parar lá à espera. Jesus é a Porta para a vida Eterna, para a vitória da Vida sobre a Morte. Esta porta que Jesus é, é bem mais do que um espaço de passagem, por ela as ovelhas, nós, sabemos que vamos para boas pastagens, quando saímos, e para a segurança, quando entramos.

Ser Porta em Jesus é ser Pastor, ela é o nosso ponto de referência, tal qual um pastor é para as suas ovelhas. Jesus é o Pastor máximo porque foi ao ponto de dar a sua vida pelo Seu rebanho. O Seu Sangue une-nos formando um só corpo com Ele. Nós caminhamos e Ele que vive em nós orienta-nos. Como? Para além da influência individual, Jesus faz suscitar no rebanho auxiliares nessa tarefa. Por isso hoje também é dia de uma oração particular pelos nossos pastores. O padre que celebrou a missa onde fui sugeriu que quem encontrasse o nosso pároco, lhe desse os parabéns ou lhe telefonasse felicitando e agradecendo o seu pastoreio.

domingo, 8 de maio de 2011

Terceiro Domingo da Páscoa – Ano A

Hoje o Evangelho narra-nos o episódio dos discípulos de Emaús. É um episódio algo “estranho” no contexto dos Evangelhos. Jesus aparece a dois discípulos quase anónimos, que não tinham aparecido antes na narrativa. Não aparecem os Apóstolos, excepto no fim, mas sem papel activo.

Vejo neste texto uma metáfora para explicar a importância da Eucaristia. O episódio contem todas as partes principais das nossas celebrações e no fundo representa o essencial da relação com Deus. Tem a palavra explicada, tem a fracção do pão, tem o reconhecimento da nossa fraqueza e da acção misteriosa de Deus na nossa vida, tem o envio em missão. Na fracção do pão os discípulos reconheceram Jesus e nós, reconhecemos?

Outro aspecto relevante desta leitura e para a nossa vida é que Jesus acompanha-nos, mesmo se O não reconhecemos. Por vezes é muito difícil reconhecê-lo, pois viajamos perturbados com os acontecimentos. Quase sempre nem reconhecemos a acção de Jesus nesses mesmos acontecimentos.

E depois da Eucaristia, vamos ter com os outros confirmar que Jesus vive, tal como disseram aquelas mulheres e Simão? Chegamos mesmo a reconhecer Jesus na fracção do Pão? Pensemos bem, será mesmo que O vimos? Ou terá sido só mais um ritual? Uma rotina? Em quê que a nossa vida muda nesse momento? Não será mais do mesmo?

Quem encontra Jesus na Eucaristia pode dizer como São Pedro na primeira leitura e como se cantou no salmo que o nosso corpo repousa na segurança. Saber Jesus vivo é a nossa segurança.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sobre a morte do Bin Laden

Não tenho muito a dizer sobre a notícia da morte do Bin Laden. A primeira coisa que senti foi pena. Tinha sentido o mesmo em relação ao Jonas Savimbi. Por pior que a pessoa tenha sido em vida, sinto tristeza pela morte de alguém assim.

Que legado deixam? Morte e destruição. Terão tido oportunidade para se arrependerem dos seus pecados? No caso do Bin Laden, ele estava convencido que estava certo. Mais dramático ainda! Custa-me compreender esta forma de pensar. Considerar que outro ser humano merece morrer dá-me tristeza. Como é que o Bin Laden se considerava um homem religioso se o fruto da sua fé é morte?

Igualmente triste é a reacção dos nova-iorquinos. Pela mesma razão. É uma reacção tipicamente hollywoodesca que vimos nos filmes. Mais, é uma reacção igualzinha à dos seus inimigos. Quando é que eles vão perceber que não são nem mais nem menos que os outros povos? Até quando é que vão considerar-se os senhores do mundo só porque ajudaram a Europa a vencer as duas guerras mundiais?

Voltando ao Bin Laden. Este sentimento de pena cresce quando penso que aquele homem violentamente morto já foi uma criança, já dormiu tranquilamente num colo, já sorriu e teve toda a esperança no olhar.

Outro aspecto negro desta história é a certeza que tenho que esta guerra, em que ele era uma parte, não vai terminar tão cedo. Tenho dúvidas sobre se ele ainda comandava a organização como fizera antes dos ataques. A Al Qaeda parece ter uma estrutura pouco rígida. Existe uma inspiração inicial na criação das células terroristas, talvez algum treino, mas cada célula é autónoma na estratégia, planeamento e execução. Eliminar o líder não desorganiza nada. A seguir a ele, dezenas de outros membros estão prontos para assumir a posição. Neste aspecto há uma diferença muito grande com o caso do Jonas Savimbi.

Por outro lado, tenho dúvidas sobre se vão acontecer represálias tão cedo. Por causa desta autonomia extrema das células, pode acontecer que nenhuma esteja preparada para agir de imediato. Pode acontecer, isso sim, um crescimento no recrutamento de operacionais.

Enquanto os Estados Unidos e os seus aliados não mudarem de atitude para com o resto do mundo vamos continuar com esta guerra. O que aconteceu na Líbia é só um exemplo.

domingo, 1 de maio de 2011

Segundo Domingo da Páscoa – Ano A

Completa-se hoje a oitava da Páscoa. Hoje é um dia especial. É o segundo domingo da Páscoa. É o Domingo da Misericórdia. Neste momento o papa João Paulo II está a ser proclamado Beato. Hoje é o dia da Mãe. É o dia de São José Operário e por isso dia do Trabalhador. É o primeiro dia de Maio, mês de Maria. Hoje é Domingo, dia do Senhor.

Nas leituras começamos por receber o exemplo de como uma comunidade cristã deve ser. Ter uma só alma sendo um só corpo. Neste tempo Pascal vamos compreendendo aos poucos e poucos a dinâmica da vida em Igreja sob a acção do Espírito Santo. Este tempo Pascal é o tempo do Espírito Santo por excelência. Iremos ver o Espírito a construir a Igreja. A comunidade modelo vive sob a acção do Espírito como se ela e Ele fosse uma só entidade.

Na Segunda Leitura São Pedro inicia a sua primeira carta aludindo à fé de todas as gerações posteriores às primeiras, que não tiveram a oportunidade de ver Jesus ressuscitado de uma forma sensível. Sem O ver, ama-mo-Lo, sem O ver, acreditamos e louvamos.

A Segunda Leitura liga desta forma com o Evangelho no episódio de São Tomé. Este apóstolo protagonizou este episódio para nos dar força e alento. Se ele que conheceu Jesus tão intimamente, teve dúvidas, como é que nós não podemos ter? Por isso é que hoje é o dia da Divina Misericórdia. Perante as nossas dúvidas só podemos recorrer à Misericórdia do Senhor. Nada somos sem Ela.

Mas o Evangelho é mais do que este episódio. O início do texto faz-nos lembrar o livro do Génesis, quando o sopro de Deus vivifica o barro e cria o Homem. Jesus sopra sobre os seus discípulos e vivifica a Sua Igreja, Seu Corpo.

Por fim só mais pormenor. Jesus manifesta-se em comunidade. É nela que o espírito de Jesus vive, manifesta-se e fortifica-Se. Por isso é que a Eucaristia é tão importante, vital, para a Igreja, sem ela não pode viver.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Arte inspirada no Evangelho


Conheci esta obra e este autor no Fórum Paróquias há uns anos. Deixo aqui o link e parte do texto (recomendo a leitura do texto completo):

No quadro apenas vemos Maria Madalena. Está em frente do sepulcro e acaba de voltar a cabeça para trás. Voltada para o sepulcro, chorava a morte de Jesus. Ao homem que ela pensava ser o jardineiro contou-lhe a sua mágoa, mas não o olhou verdadeiramente. Apenas quando Jesus pronuncia o seu nome, certamente com o tom de voz com que o fizera antes, ela é apanhada de surpresa e volta-se para trás. Limpa as lágrimas apressadamente com a mão direita coberta com o manto. É este o «instantâneo» do quadro. Embora fuja a tópicos comuns da apresentação de Santa Maria Madalena como a seminudez para indicar que ela era a prostituta arrependida que derramou o perfume sobre os pés de Jesus (hoje descarta-se essa ideia de tal identidade), há elementos que o indiciam: no canto inferior esquerdo há um pequeno «frasco» para perfumes e o «véu»/manto que ela veste é rico e parece ver-se as marcas de ter estado dobrado. Vale a pena prestar atenção a este manto. É acastanhado, mas recebe uma luz forte que lhe vem de «fora» do quadro. É o reflexo da luz do Ressuscitado. A perspectiva do «expectador» é a do Ressuscitado. Teologicamente isto tem grande importância: o cristão descobre Cristo ressuscitado não imediatamente ou directamente, mas por reflexo, em primeiro lugar pela experiência de outros. Depois, é uma presença que está fora do quadro, precisamente onde está o expectador... Ou seja, é possível também refazer, na fé, a experiência de Maria Madalena... Etc. Muito mais se poderia dizer deste quadro.

domingo, 24 de abril de 2011

Domingo de Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus


As palavras pouco dizem quando saem de um coração entristecido.
Senhor, parece-me que ainda vivo na Sexta-feira Santa e não do Domingo da Ressurreição.



Dependo totalmente da Tua misericórdia, pois nada consigo fazer de bom, de alegre, de evangélico.

Sou um túmulo vazio.


O meu coração chora ao som desta melodia e destas palavras, Senhor.


Senhor, ilumina as minhas trevas, que eu seja um reflexo da Tua luz.



Porque a Páscoa é a vitória da Luz sobre as Trevas, da Vida sobre a Morte, Senhor enche o meu coração de alegria. Envia o Teu Santo Espírito e aumenta a minha fé. Que ela seja uma semente que germina e dá fruto.

Senhor, temo estar a passar por uma noite escura. Elimina o meu egoísmo de vez e finalmente amanhecerá.



Ámen.

sábado, 23 de abril de 2011

Vigília Pascal

Se eu for à minha paróquia participar na Vigília Pascal, vou sentir-me só e desacompanhado. Se ficar aqui a assistir pela Tv da Diocese de Aveiro, desacompanhado e sozinho vou estar.

A solidão e a tristeza são as minhas sombras...

Se alguém, por milagre vier aqui pode assistir à transmissão começa à 21:30.

Watch live streaming video from dioceseaveirotv at livestream.com

domingo, 17 de abril de 2011

Domingo de Ramos – Ano A

Hoje começa a semana maior do cristianismo. Nestes dias celebram-se os acontecimentos e os mistérios principais da fé em Jesus Cristo.

A fé um caminho. Os Evangelhos são percursos, caminhadas físicas e espirituais. Hoje Jesus entrou em Jerusalém. Hoje foi festejada a Sua entrada na cidade Santa, mas logo se viu para onde foi esse entusiasmo. Ficou-se pelos ramos, pelas pedras calcadas pela multidão. Foi uma fogueira de erva seca, rapidamente perde força.

E o que fica? A nossa fraqueza. A nossa solidão perante a nossa recusa em seguir a vontade do Pai. Jesus experimentou também essa solidão, mas venceu-a confiando, orando até esse vazio se encher de amor.

Jesus de derrota em derrota chegou à vitória final. Porquê? Porque confiou no desejo do Pai nos convencer que temos forças suficientes para vencermos a morte. Jesus, o Filho de Deus, fez-Se homem e assumiu totalmente a nossa condição. E qual é ela? Ter medo. Sentir dor. Sentir solidão. Jesus mostrou-nos que nada em nós nos fará escapar à morte, a não ser a nossa confiança em Deus. A morte é um tremendo mistério. Mete medo. Como suportar a sua aproximação sem enlouquecer? Como é que Jesus conseguiu? Confiando que o Pai o salvaria. Confiando contra toda e qualquer prova ou ausência dela. Como chegamos a esse estado? Pela oração, pelos sacramentos, pela humildade, pelo despojamento.

domingo, 10 de abril de 2011

Quinto Domingo da Quaresma – Ano A

Este tempo da Quaresma é um tempo de preparação para a Páscoa. E o que torna a Páscoa tão especial é a Ressurreição de Jesus. Por isso na preparação seria necessário falar da ressurreição. Hoje é a ocasião. Estamos perto da Semana Santa, a Natureza explode em cores e odores de vida. A Primavera está aí em força. Primavera e Ressurreição têm muito em comum: nova vida, desabrochar, crescimento.

Na primeira leitura, o profeta Ezequiel profetiza para dois tempos distintos. Anuncia uma ressurreição nacional do povo de Israel com o regresso do Exílio da Babilónia, mas profetiza também a Ressurreição que virá com Jesus.

O Evangelho narra a ressurreição de Lázaro que Jesus fez para mostrar que é o Senhor da Vida. Este longo texto tem vários aspectos e leituras. Chamo atenção para alguns. Conhecendo o Evangelho de São João este episódio será mais um acha para a fogueira da oposição dos poderosos de Israel contra Jesus. Jesus sabe que ao fazer este milagre estava a assinar a Sua sentença de morte. O que Ele fez? Seguiu em frente, fez o que devia fazer. E isso era glorificar o Pai. Mostrar que Deus não é aquele senhor severo, castigador, mas sim misericórdia.

Talvez por isso se percebam melhor o choro e a comoção de Jesus. Mas este mostrar de emoções indicam uma identificação muito profunda com o ser humano. Deus fez-SE homem para elevar o Homem a Deus. Quando Ele mostra todo Seu o poder divino ao ressuscitar Lázaro, também mostra o quão humano Ele é. Talvez este seja o sinal de que ser Homem seja igual a ser Deus, o que faz de nós muito pouco humanos. O pecado desumaniza-nos, não é?

Encontramos mais uma vez Marta e Maria. A primeira, mais activa, corre ao encontro de Jesus mal sabe da Sua chegada. Maria, a contemplativa, vai depois. Jesus não saíra do local até à chegada desta. É curioso, não acham?

E por fim há os judeus que vieram dar condolências. Um grupo questiona-se da justiça de Jesus não ter vindo mais cedo de modo a evitar a morte do Seu amigo, já que Ele conseguira dar vista a um cego de nascença. Muitas vezes temos este tipo de pensamento. Qual a lógica desta ou daquela acção, desta ou daquela pessoa? Porquê que não fez assim ou doutro modo? Porquê que Deus permite isto ou aquilo? Aprendemos com este episódio que nós nunca conseguimos ter a visão completa da realidade. Quantas vezes uma desgraça encobre em si bênçãos ocultas? Só Deus sabe e se O questionamos desta forma estamos a tentar ocupar o Seu lugar, a Sua posição.

domingo, 3 de abril de 2011

Quarto Domingo da Quaresma – Ano A


É bastante curiosa a galeria de imagens associadas ao Baptismo: água e luz, passagem e iniciação. Hoje fala-se da luz com a cura de um cego de nascença por Jesus no Evangelho. Este episódio é bastante curioso. Jesus toma a iniciativa de curar o cego. Ocorre a cura física. Perante essa cura várias reacções aconteceram. Todas elas com base na crença de então (e infelizmente ainda presente) de que as doenças são castigos pelos pecados.

Esta cura do cego serve num primeiro momento para explicar que o sofrimento físico não é causado pelo pecado. Que pecado teria cometido aquele cego se já nascera assim? Se ele não teve culpa da sua deficiência, também não é responsável pela cura. Deus actua porque e quando quer. A nós cabe estarmos disponíveis.

Depois o ex-cego passa por um processo de averiguações. Notemos que em São João Jesus faz os milagres na sua maioria ao sábado, dia reservado a Deus, e os judeus contestam-No. É curioso ver como os judeus opõem-se a Deus julgando estar a cumprir a Sua vontade. Nesta fase do episódio passamos da cegueira física para cegueira espiritual, da cegueira involuntária para a voluntária.

Onde é que entra aqui a luz? No acto de ver. Sem ela não vemos. E que luz é essa? Jesus. Ele foi a luz que entrou na vida daquele cego, que em primeiro lugar passou a ver fisicamente e depois, acreditando, nasceu de novo vendo espiritualmente, coisa que os judeus à sua volta recusaram-se a fazer.

O Baptismo é a entrada de Jesus na vida do baptizado. Na segunda leitura São Paulo conclui que somos luz, porque somos filhos da Luz, através do baptismo está claro. Dormíamos e fomos acordados para a vida. Estávamos cegos e agora vemos.

E por falar em ver, como Jesus vive é nós, convém saber como deve ser o nosso olhar. Na primeira leitura ficamos a saber que o olhar de Deus chega ao interior, enquanto que o nosso só se fica pela aparência. Se Jesus vive em nós, devemos ter antes esse olhar de profundidade. Não ficarmos pela aparência, pelo exterior, pelos gestos, pelo contexto. Devemos ir ao interior, aos fundamentos da alma, ir para além do contexto, chegar à estrutura, abarcar o quadro inteiro.

Por fim a unção de David, neste contexto das leituras de hoje, remete para a unção no Baptismo. Cada novo cristão é ungido para ser rei, sacerdote e profeta, já que pertencemos a uma nação deles.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sobre a crise política

Por mais que se ponha as culpas, que as tem, no Sócrates e PS pela situação actual, não posso deixar passar a culpa que a Oposição tem no estado actual do país. O Sócrates foi estúpido a gerir este assunto do PEC4, deve ter pensado que ainda estava com a maioria absoluta. É claro que vai dizer, ou já tem dito, que esperava que os outros partidos separassem o interesse nacional do seus interesses particulares.

Tanto de uma forma como de outra enganou-se. O senhor para além da colecção de Planos de Estabilidade e Crescimento colecciona inimigos. Na vida do dia-a-dia a máxima "cá se fazer, cá se pagam" funcionou em pleno com ele. Surgiu a oportunidade e o PSD resolveu tirar-lhe o tapete. Naturalmente vai vencer as próximas eleições (e lá vou eu egoisticamente perder a qualidade de programas da RTP e rádios associadas, pois com a sua previsível privatização o serviço público vai se perder, prejudicando sobretudo a RTP2 e as rádios).

Pois eu penso que foi péssimo para o país esta crise. A Oposição podia ter tentado ser menos vingativa. Bem sabemos que nos partidos há pouca consciência cristã. Já aqui disse que há ano e meio com o resultado das eleições alguém da Oposição devia ter-se coligado ao PS, provavelmente muita instabilidade teria sido evitada e quem sabe... talvez os mercados não tivessem tantos motivos para nos massacrarem.

Eu se tivesse alguma influência em Belém faria todos os possíveis para que o Presidente amanhã decidisse propor um Governo de vários partidos, mesmo que forçasse o Sócrates a renunciar à liderança do Governo. Sei que já vai tarde, mas termos um novo Governo dentro de semanas é muito melhor que tê-lo só lá para Julho. Como estarão os juros nessa altura? Terá o Estado dinheiro para se financiar? Se houver rotura de tesouraria isso poderá implicar incumprimento dos compromissos com os funcionários público. Antes de isso acontecer teremos cá o FMI a governar. E o que se vê de resultados na Grécia e na Irlanda? Andam pior do que estavam.

Por favor, senhores políticos, deixem-se de tretas e entendam-se para o bem de todos nós! Se continuam assim, não tarda muito começam a surgir desejos de um ditadura. É isso que querem? Ganhem juízo e sentido de serviço público!

domingo, 27 de março de 2011

Terceiro Domingo da Quaresma – Ano A

Hoje, entre outras coisas, as leituras falam-nos da nossa necessidade de Deus. Essa necessidade é representada pela imagem da Água. Tanto na primeira leitura, como no salmo e no Evangelho a palavras água aparece frequentemente.

A cultura israelita tinha bastante enraizada o importância da água. O seu território tem zonas desertas. Por isso mesmo a água tem uma enorme carga simbólica associada a si. No Evangelho Jesus revela-Se como a verdadeira Água Viva, que dá vida a quem a bebe. Ou seja, a importância que a água tem a nível material, Jesus tem-na a nível espiritual. Sem ela a nossa sede nunca é saciada, pior, morre-se. Tal como a água é vida, Jesus é vida.

Nesta caminhada quaresmal há outra leitura para o tema de hoje. Como na Vigília Pascal a Água tem um papel muito importante por causa do Baptismo, hoje prepara-se esse momento lembrando toda a carga simbólica da Jesus como fonte de Água Viva, que na nossa vida entra através do Baptismo.

No primeiro domingo falou-se das tentações e de como as superar. Depois veio a Transfiguração como incentivo para a conversão. Hoje a fonte de Água Viva lembra-nos o Baptismo e os nossos compromissos de renúncia ao pecado.

O Evangelho de hoje tem vários níveis e camadas de interpretação, tal como é habitual em São João. Este diálogo entre Jesus e a samaritana para além de uma caminhada de conversão daquela mulher em direcção da conversão, da apresentação da Água Viva, há um pormenor interessante referente aos cinco maridos. No diálogo há cinco respostas da mulher a Jesus que simbolizam esses cinco maridos. E cada um é uma forma de idolatria à qual aquela mulher, e no fundo todos nós, estava agarrada. Há o individualismo, a superficialidade, o duvidar de Deus, o materialismo e o ritualismo. Jesus vai desmontando essa forma errada de viver a relação com Deus e por fim a conversão acontece.

domingo, 20 de março de 2011

Invisibilidade

Descobri este vídeo no Facebook do blog Toques de Deus. Tem me dado que pensar, mas também tranquilizado.

Segundo Domingo da Quaresma – Ano A

As leituras de hoje falam-nos de mudança, de conversão. Na semana passada trataram das tentações e da forma de as superar. Hoje não basta superar a tentação, é preciso levantar a tenda e deixar a terra onde estamos instalados. É isso que se lê na primeira leitura. Abraão sentiu-se tocado por Deus que o impeliu a partir, a procurar a terra prometida por Deus, a aceitar a Sua vontade.

Mudança. É de mudança que a Transfiguração trata no Evangelho de hoje. Mudança de mentalidade dos discípulos, mudança de atitude na relação com Deus e com os irmãos. A Transfiguração de Jesus perante aquele grupo restrito de discípulos serviu para os instruir sobre a mudança que iria acontecer nas suas vidas. Viram a passagem de testemunho da Lei de Moisés e do Profetismo antigo para a Boa Nova vivida e apregoada por Jesus. Naquele alto do monte os discípulos tiveram a mais forte experiência da presença de Deus antes da Ressurreição.

Por outro lado o relato da Transfiguração é um bom exemplo para nós sobre como devemos viver a nossa vida espiritual. A experiência espiritual não deve ficar reservada ao momento, mas deve deixar marcas na nossa vida quotidiana. É isso que significa o fim da Transfiguração de forma tão súbita e inesperada. A experiência espiritual é um recarregar de baterias para a luta do dia-a-dia. Só assim será o Espírito Santo a actuar e não nós por nossa vontade.

domingo, 13 de março de 2011

Primeiro Domingo da Quaresma – Ano A

Começou a Quaresma, tempo de conversão, de mudança e de regresso ao essencial. Nada melhor para a conversão do que meditarmos sobre os nosso pecados e sobre o que nos levou a eles. As leituras deste primeiro domingo deste novo tempo falam disso.

A primeira leitura narra-nos a Queda Primordial. É bem claro a referência ao mau uso da liberdade. Este texto fala disso, personifica no casal Adão e Eva a condição humana que fez e faz mau uso da liberdade concedida por Deus.

Na segunda leitura São Paulo demonstra como a salvação trazida por Jesus engloba-nos a todos, tal como o pecado original nos afectou a todos. Por Jesus deixámos de estar sujeitos a esse pecado. Ele é o nosso guia, a porta por onde passamos para nos livrarmos desse fardo.

Se Jesus é o nosso guia, então vejamos como é que ele lida com a tentação. É disso que nos fala o Evangelho de hoje. O texto esquematiza em três categorias as tentações a que estamos sujeitos e Jesus dá-nos a solução para resistirmos a elas.

À primeira que resume a necessidade de segurança que nós todos temos. Para sentirmo-nos seguros damos importância ao Ter. Substituímos tantas vezes Deus por falsas imagens de segurança nos objectos que adquirimos, nas relações que buscamos, nas sensações e nas diversões. Mais do que ter, Jesus diz-nos que devemos conhecer a Deus. Quem conhece confia e não se sente inseguro.

A segunda tentação explora o nosso ego, o Parecer. Esta tentação segreda-nos que somos especiais, que nos é devido determinado estatuto, que merecemos uma recompensa pelo esforço despendido. Tantas e tantas vezes deixamos que a nossa imagem seja mais importante que a nossa verdade, porquê? Porque estamos a substituir Deus pelo nosso ego, pelo nosso prazer, pela nossa imagem. Como combater esta tentação? Com humildade sabendo que não devemos tentar Deus. Aqui também entre a tentação de fazer comércio com Deus. Se me fizeres isto, faço-Te aquilo.

A terceira tentação fala do Poder. Mais uma vez é-nos proposto substituir Deus pelo poder que nos é sugerido. Se eu fosse o homem mais poderoso do mundo acabava com a fome, com as guerras, com o sofrimento. Por isso luto para chegar a essa posição e pelo caminho vendo a minha alma, para no final ou não fazer nada porque nunca se pensa que é suficientemente poderoso, ou porque acabamos por só lutar pela manutenção desse “poder”. Para combater a tentação de Poder Jesus que só devemos adora a Deus. Adora a Deus é colocar nas Suas mãos tudo aquilo que podemos e sobretudo o que não podemos fazer, alcançar.

As tentações sugerem-nos soluções para os problemas que não têm Deus como o centro. Para combatê-las devemos conhecer a Palavra de Deus, devemos cultivar a humildade com se fosse a planta mais preciosa e frágil do nosso jardim e demos abandonarmo-nos a Ele.

domingo, 6 de março de 2011

Nono Domingo do Tempo Comum – Ano A


A primeira leitura alerta logo para isso. A Palavra de Deus deve fazer parte do nosso quotidiano. Só estará, se ela for interiorizada, gravada profundamente no nosso coração. E como Jesus diz é do coração que vem as boas ou má obras. O que habitar no coração, será o que nós mostramos e fazemos. A Palavra de Deus propõe-nos dois caminhos: o da salvação ou o da perdição, o da bênção ou o da maldição.

Consoante o que tivermos no coração seremos julgados. Jesus no Evangelho de hoje, que conclui a secção do livro de São Mateus intitulada por Sermão da Montanha, adverte para isso mesmo. Ele mostra que uma religiosidade de aparência, de ritualismos vazios de conteúdo, palavras que nascem na garganta não tem valor, não vem do coração e por isso é caminho de maldição.

Conclui o texto de hoje com a comparação da casa bem alicerçada e com a outra mal. O alicerce para um fé resistente às intempéries da vida é o conhecimento da Palavra de Deus, o Evangelho. Esse conhecimento terá que ter como consequência uma vivência mais profunda dessa Palavra no nosso dia-a-dia. Deverá estar gravada no nosso coração. Só com bases seguras na Escritura podemos dizer não às tentações. E o que são tentações? Aparências de bem, propostas de resolução rápida ou fácil de uma problema.

Só revestidos pela intimidade com a Palavra é que podemos ser justificados pela fé. Mesmo com as nossas imperfeições, tendo fé a Misericórdia é superior ao castigo e ao sofrimento.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oitavo Domingo do Tempo Comum – Ano A


Na primeira leitura Deus diz através de Isaías que nos ama incondicionalmente. Mais do que uma mãe ama o seu filho que deu à luz e amamentou. O salmo reforça esta ideia e acrescenta: quem se refugiar em Deus estará seguro.

Na segunda leitura São Paulo reflecte sobre a atitude a ter perante os outros neste contexto. Se Deus é a nossa segurança, não nos cabe julgar os outros. O coração humano é um labirinto de véus e espelhos, não temos o mapa para o desvendar, só Deus. Não vale pena seguirmos por esse caminho. Ele julgará.

No Evangelho Jesus começa por advertir que não é possível seguir a Deus e seguir o que não é de Deus. A palavra dinheiro, neste contexto, significa o que não é de Deus. Sempre que preterimos as coisas relacionada com Deus por outras, estamos a seguir o “dinheiro”, o que não é de Deus. Isto pode-se ver nas mais pequenas coisas. “Hoje não vou à missa porque está um belo dia de praia”. “Hoje não rezo porque estou cansado e ontem foi domingo”. “Estou na quaresma, devia separar aquele dinheiro para a Renuncia, mas queria tanto o último livro daquele teólogo”.

Depois Jesus volta-se para a atitude a ter no seguimento de Deus. Se pomos Nele a nossa segurança nada nos afectará. Devemos viver despojados de falsas seguranças. Tudo que humanamente dos dá sensação de segurança é ilusório. Basta ver as catástrofes que acontecem, os acidentes. Se empenhamos as nossas energias no caminho de Deus, todos os nossos problemas se resolverão sem demasiado sofrimento, pois na pior das hipóteses teremos o nosso lugar à mesa de Deus.

Esta atitude de despojamento é uma tarefa de uma vida. Mas é a mais importante.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sétimo Domingo do Tempo Comum – Ano A

Hoje o Evangelho apresenta o conceito fundamental do cristianismo. Nas semanas anteriores tivemos as novas leis, as novas interpretações do Antigo Testamento, hoje este conceito fundamental revela-nos um pouco da essência do próprio Deus.

Na primeira leitura temos o Senhor, através de Moisés, a estabelecer um mandamento de amor ao próximo. Este mandamento reside na necessidade de nós sermos santos como Deus é santo. Deus não odeia, nós também não devemos odiar. Se afastarmos o ódio do nosso coração, já estamos a ser um pouco como Deus.

E ser parecido com Deus, faz de nós templo Dele, onde Ele habita. Isso é bem explicado na segunda leitura por São Paulo. Cada um de nós é habitado por Deus. Vejamos então esta relação com uma imagem humana. A casa de alguém normalmente reflecte quem a habita. Todos temos tendência para personalizá-la ao nosso gosto e às nossas necessidades. Estaremos mais confortáveis e “felizes”, consoante estejamos mais identificados com o nosso lar. O mesmo acontece com Deus e com o Seu templo. Somos o Seus templo, se formos conformes a Ele, mais parecidos estaremos, até chegarmos ao ponto de não se separar a habitação do ocupante.

Esta identificação entre nós e Deus tem que vir da nossa essência. Ela deverá adequar-se à essência de Deus. Se Deus é Amor, uma manifestação principal disso é através da Misericórdia. Saber perdoar é uma arte a ser aprendida e praticada ao longo da vida. Saber perdoar é abdicar dos nossos direitos a bem do próximo. Quando Jesus diz: “se te baterem, oferece a outra face”, Ele está a dizer que devemos manter-nos abertos ao outro e dar-lhe outra oportunidade. A reacção animal é de defesa, fuga, contra-ataque, isolamento, corte de relações. Dar a outra face é recusar isso tudo. É dar oportunidade para o outro perceber o mal que fez, restabelecer a relação.

Para sermos capazes de fazer isso só seguindo o exemplo de Deus é que conseguimos. Nada em nós nos impele a sermos misericordiosos, se não for Deus, que nos habita, a inspirar-nos pela presença, pelo exemplo, pelos dons do Espírito Santo. Perdoar é um acto de vontade nossa. Numa primeira fase, talvez seja para estarmos de bem com Deus, depois quando já formos mais parecidos com Ele aí será já por desejo de bem para quem os magoou, ofendeu.

Jesus dá-nos outro argumento para imitarmos Deus. Se formos com os que não conhecem a Deus ou não querem conhecer, onde está o nosso ganho? Se nos dizemos cristãos, então temos que agir como Deus. Amar todos, sobretudo os que nos são desagradáveis. Este amor significar sermos misericordiosos, estarmos abertos à relação, por mais desagradável que nos seja. Há sempre uma forma de mantermos a porta aberta, até porque para haver relação é necessário haver movimento dos dois lados. A nós cabe manter o caminho aberto para irmos até ao outro. Já não podemos obrigar o outro à relação, tal como Deus não nos obriga a nada.

Mais, o longo dos Evangelhos fica claro que Deus dá mais valor à misericórdia, do que à grande atitude ou sacrifícios. Todos pecamos, mas se na nossa imperfeição compensarmos as falhas com misericórdia, somos perdoados. É isso que dizemos no Pai Nosso: “perdoai a nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido”.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sexto Domingo do Tempo Comum – Ano A

Hoje as leituras falam-nos de leis exteriores e interiores, de leis antigas e novas, da prática da teoria que brota do coração. Logo na primeira leitura fica bem claro que o ser humano é livre, Deus criou-o livre, e por isso pode optar. Deus não o força a escolher o caminho certo, é o ser humano que escolhe.

(Normalmente fico com os cabelos em pé quando alguém diz “não faças isso, porque Deus castiga” ou “estás a ver, foi castigo” de Deus subentende-se. Deus não castiga porque não nos pode forçar a nada, o castigo implica uma coacção. Deus não coage. Ele acompanha, inspira, sustenta, alimenta.)

No Evangelho Jesus diz que não veio trazer uma lei nova (os dez mandamentos são mais que umas regras religiosas, fazem parte em grande medida de uma lei natural que nasceu no coração da humanidade, com mais ou menos variações), veio sim aprofundá-la. A Lei de Moisés e as pregações dos Profetas não entram em contradição com o que Jesus diz, porque elas falam Dele em grande medida.

Jesus pega em alguns dos mandamentos e lança sobre eles uma nova luz, um novo espírito. Fala do “Não Matarás”, fala do “Não Cometerás Adultério”, fala do “Não Cobiçarás a Mulher Alheia”, fala do “Não Jurarás em Falso”. Todos estes mandamentos tratam da relação do Homem com os seus semelhantes. Ou seja, da relação religiosa horizontal. Porque começar por aqui? Tem sido uma tendência muito humana restringir vida religiosa à relação vertical, Homem-Deus. Foi isso que aconteceu com os fariseus e os escribas, sem suma, isso acontece sempre que a religiosidade é vivida de uma forma exterior e ritualista.

Jesus diz que não basta não matar, não devemos ferir, insultar, zombar, caluniar ou desprezar. Usando a linguagem pela positiva, devemos fazer tudo para mantermos a relação com o outro. Qualquer uma dessas acções promovem a morte da relação e sem relação não há vida.

Depois fala do adultério equiparando a ele a cobiça da mulher alheia. Se no coração do ser humano não existir fidelidade, há adultério. Por mais que a lei permita certos comportamentos, isso não significa que eles sejam certos e isentos de pecado. Tal como na época de Jesus como agora a expressão mulher adúltera é mais pesada do que de homem adúltero. No Evangelho de São João há o episódio de da mulher arrastada pelo povo para ser apedrejada. Do homem com quem ela deve ter cometido o adultério, nem sinal. Jesus vem dar, curiosamente, um exemplo engraçado. Diz: “Quem casar com uma divorciada comete adultério”.

Jesus recomenda para que nunca se jure, pois ao que parece na época (e infelizmente ainda agora) era corrente na linguagem os juramentos, sobretudo pela própria honra. Jurar é uma acto muito sério, ou pelo menos devia ser assim encarado. Jesus prefere uma linguagem clara, sem bengalas de credibilidade. Se a pessoa for credível, não precisa de juramentos. E para ser credível, a verdade e a justiça têm que nascer no seu coração.

Ou seja, estes mandamentos aperfeiçoados por Jesus têm que nascer do coração do ser humano como fruto da convivência dele com Deus, com a Sua sabedoria como explica São Paulo na segunda leitura. Esta Sabedoria nasce da acção do Espírito Santo no nosso coração. Através dela avaliamos as nossas acções e os nossos desejos e aprendemos a escolher o melhor caminho.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quinto Domingo do Tempo Comum – Ano A

Depois das Bem-aventuranças, hoje o Sermão da Montanha continua com duas imagens fortes: o sal e a luz. Na semana passada falou-se das normas, hoje fala-se da aplicação, ou melhor, da atitude interior que devemos ter na sua aplicação.

Jesus começa por dizer que somos o sal da terra. Isso quer dizer que a nossa actividade faz a diferença no meio da humanidade. Aquilo que fazemos deverá melhorar a vida colectiva. É isso o que o sal faz, melhora o sabor dos alimentos, se for na medida certa. E o que devemos fazer? Está bem claro na primeira leitura, ajudar os que necessitam, ter um coração aberto à necessidades dos outros, fazer as obras de misericórdia.

Em relação ao sal Jesus adverte para a medida seja a certa. Sal a mais estraga. Sal a menos estraga. Se não for na medida certa, será como se se tivesse corrompido, para nada serve. Aí teremos que ter os olhos postos sempre nas Bem-aventuranças e pautar a nossa vida por elas.

Depois Jesus diz que somos a luz do mundo. O que quer dizer luz do mundo? Podemos socorrer-nos da segunda leitura. São Paulo é um exemplo excelente de luz do mundo. E o que ele disse aos Coríntios hoje? Que não foi ter com eles do alto de uma cátedra, com a segurança da sua sabedoria, com a autoridade do seu discurso. Não. Tudo isso serviria de obstáculo à luz de Deus, à Palavra. Sermos luz é anularmo-nos em favor do Evangelho, da acção do Espírito Santo.

Se formos luz de Deus, aquilo que fizermos será exemplo para os outros. O que ficará visível serão as boas obras e não quem as pratica. Porque se olharem para nós é porque estamos a tapar o que fazemos. Se taparmos a luz, também não seremos sal. No fundo as duas imagens dizem o mesmo.

Deixemos que as obras de Deus sejam visíveis na nossa vida.