Como se pode ver e ouvir há semelhanças com o trabalho da banda, sobretudo com o último trabalho.
O Jónsi é um artista multifacetado, é inspirador. Ele diz-me que é possível seguir os sonhos, basta haver empenho. Deixo aqui mais uns vídeos que mostram o trabalho de preparação do espectáculo que ele fará ao vivo.
Jesus, no Evangelho segundo São Lucas, depois do baptismo no Jordão vai para o deserto preparar a sua missão. Ia cheio do Espírito Santo. A Sua tentação pessoal foi durante toda a vida a de se manifestar como Deus. A nossa salvação vem da superação dessa tentação. Ele mostrou-nos o caminho para O seguirmos.
Passou uma temporada de transformação no deserto, humanamente estava debilitado, espiritualmente estava fortalecido. E surgiu a primeira tentação da humanidade. A relação com os bens. Perante a fome, necessidade extrema e que o nosso instinto animal nos diz que tudo justifica a sua satisfação, perante ela Jesus foi confrontado com uma escolha. Saciar a fome de uma forma injusta ou ficar com fome. A resposta de Jesus foi que nada é mais importante que Deus. Não há bem material ou necessidade que justifique a injustiça, a violência, o pecado. Ter fome não justifica tudo. Por isso a tentação relacionada com os bens é estes assumirem um papel mais importante que Deus e o Seu amor por nós.
A segunda tentação está relacionada com a relação que temos com os outros. É proposto a Jesus o domínio do mundo se ele se humilhasse a uma força exterior a Deus. Quantas vezes em nome de uma noção errada e deturpada de Deus houve e há quem queira exercer o domínio sobre os outros. Deus não os pede para sermos nem maiores nem menores que os outros, pede para os servirmos, pois somos todos irmãos. Nesta tentação aparecem as ideias de que sabemos mais que o outro, que estamos certos, que merecemos um reconhecimento por fazermos este ou aquele gesto de caridade, que temos que sofrer muito (e quem quer sofrer muito pode estar na realidade a ser orgulhoso por conseguir suportar tanto) para alcançar o céu. “Só um Deus adorarás” e ao adorar esse Deus verdadeiro irás ter uma relação de amor com os irmãos de igualdade.
A terceira tentação aborda a nossa relação com Deus. É simplesmente querer manipular Deus. Se eu rezar esta quantidade de orações, Tu fazes-me isto. Se eu queimar estas velas, ajudas-me naquela aflição. Eu prometo ir a pé a Fátima, se o aquilo acontecer. É a transformação de Deus num amuleto. O bem que Ele nos faz é gratuito, sem condicionalismos. Os milagres não se compram. É preciso ter atenção naquilo que se pede e na forma como se pede a Deus. Podemos e devemos pedir o bem, o melhor para nós e para por quem intercedemos, mas sempre devemos ter em mente as palavras da Virgem “faça-se conforme a Tua vontade”. Nós não podemos exigir, não temos nada de valor para dar em troca. Deus só quer o nosso amor, a nossa fidelidade.
Na homilia de ontem o padre contou uma história que decidi partilhar aqui para reflexão.
Esse padre foi recentemente a Paris e foi convidado a participar numa cerimónia, que não especificou qual, na Câmara de Paris. Como é seu hábito, para ocasiões semelhantes, foi vestido com cabeção.
Quando chegou à entrada o porteiro não queria deixá-lo entrar. Por causa do cabeção. Porquê? Por causa que lá são permitidos símbolos religiosos no edifícios estatais. O padre mostrou o convite e só assim conseguiu entrar.
Isto é uma prova que o cristianismo está em minoria. É uma oportunidade para vivermos alguns aspectos das bem-aventuranças e compreendermos na pele o que é ser-se minoria para ajudar todas.
A leitura destas bem-aventuranças é um pouco desconcertante. Parece que devemos sofrer para sermos depois recompensados. Este tipo de leitura é fácil de ter e muito perigosa, pois está-se a olhar só para o lado material da existência humana.
Peguemos na primeira leitura. Jeremias também usa o esquema de Lucas. Apresenta um maldito para contrapor com um bendito. Maldito o que põe a sua confiança, esperança, apoio, segurança no que é material, no Homem em vez de Deus. Bendito o que põe a sua confiança, esperança, apoio, segurança em Deus. Quem tem fé é como uma árvore perto dum rio, pode vir a seca, sofrimento, crise, porque as suas raízes estão junto à corrente.
Quem tem as suas raízes em Deus, água viva, verdeja e dá fruto, mesmo em tempo de seca, sofrimento ou crise.
Por isso quem tem as suas raízes em Cristo, pode passar fome de comida e sede de bebida, que no entanto será feliz.
Quem tem as suas raízes em Cristo, pode sofrer, chorar, estar doente, que no entanto será feliz.
Quem tem as suas raízes em Cristo, pode ser perseguido, ridicularizado, despresado, ignorado, que no entanto será feliz.
Porquê? Porque têm as suas raízes em Cristo, têm a sua esperança em Cristo, têm a sua segurança em Cristo, têm Cristo como seu tesouro.
Quem tem a sua segurança, esperança, apoio, meta, objectivo, medida, utopia em si, em ideais, regras, sonhos, dinheiro, carreira, trabalho, solidariedade, altruismo, estoicismo são como árvores ressequidas no deserto ou ervas que não têm raízes fundas que cheguem à humidade. Podem ter dinheiro, saúde, respeito e veneração, mas são infelizes porque tudo o que conseguiram não foi através de Deus. Deus não lhes poderá dar nada porque não têm espaço para Ele.
Descobri esta música hoje de manhã num programa da Antena1 chamado Hotel Babilónia. Ia a caminhar na Expo e identifiquei-me com a letra. Já me senti assim muitas vezes: estou em casa, mas não me sinto em casa. Acho que já escrevi aqui sobre isso.
E a música é bonita também.
O artista chama-se Peter Broderick e a canção Not at home. Deixo a letra em baixo.
i'm not at home i have no instruments, no instruments i'm using yours i'm throwing pillows on the floor, on the floor
and when i'm home, i'm not at home and when i'm home, i'm not at home i'm having thoughts of driving in a storm i was in a storm
i'm not in love i'd like to say i never was, never was it wasn't real, now i can say it wasn't real
and when i'm home, i'm not at home and when i'm home, i'm not at home i'm crossing fingers i won't run into run into you
Nesta semana e na próxima estarei a gozar um período de descanso no emprego à conta das horas extra que trabalhei e não me foram pagas. Não tenho grandes planos para estes dias, excepto caminhar antes do almoço e escrever de tarde ou noite.
Hoje fui fazer a tal caminhada. Foi uma hora bem andada, devo ter andado mais de cinco quilómetros. Gostei. O dia estava agradável para caminhadas.
Já perto de casa, talvez a um quilómetro, encontrei espalhados no passeio uns sete ou oito livros. Alguns já tinham as capas descoladas do corpo e estavam alguns molhados. Para meu espanto estava à vista um livro que me fez parar, era o Livro de Cesário Verde. Como é possível alguém deitar fora este livro?
É claro que o trouxe comigo. Tenho um livro com alguns poemas dele, mas não o compêndio de todos, ou quase todos. Trouxe outro, também. É um Compêndio de Filosofia. Este livro foi um livro escolar. No interior vem a dizer que era para o 6º e 7º anos. A data de impressão é de 1970.
No chão ficaram dois ou três livros de Inglês, não percebi bem, um sobre transacções bancário e outro sobre sexualidade. Todos livros escolares, ao que me pareceu. Não me lembro se havia mais algum.
Agora estou arrependido de não ter fixado o nome da dona de um deles. Esse tinha o nome da proprietária. O Compêndio tem uma rubrica, mas não consigo identificar o que significa. Ele foi um livro de estudo pois está sublinhado e há uma ou outra anotação, sobretudo no início do livro, correspondendo ao 6º ano. O Livro de Cesário Verde tem uma nota à edição de 1977. Não faço ideia se no final da década de setenta ainda havia 6º e 7º anos, correspondendo aos actuais 10º e 11º anos. Se ainda era a denominação antiga, então poderão ter pertencido ao mesmo estudante.
Desde que trouxe os livros tenho estado a imaginar a história deles. Um foi manuseado há mais de trinta anos, o Compêndio, cheira a biblioteca. Terá ficado numa prateleira este tempo todo. O Livro de Cesário Verde tem um cheiro agradável, quase perfume, talvez tenha estado também numa biblioteca, mas como veio parar à rua? Outra curiosidade deste livro de poemas é que parece que não foi lido, as folhas não estão muito separadas junto à lombada.
O que terá acontecido? O dono morreu e estes livros estavam fora da biblioteca e acabaram no lixo? Quem estudou neles deve estar entre os quarenta e os cinquenta anos. Terá deixado estes livros na casa dos pais e agora que eles morreram ou foram para um lar, a casa foi desocupada indo estes livros parar à rua? Um divórcio?
Se estes livros vieram para a rua, foi porque algo mudou na vida do dono. Mudança de casa. Morte do próprio ou dos depositários. Separação de casal e alguns restos ficaram para trás. Livros que passaram de pais para filhos e estes agora desfizeram-se deles...
O mais grave dos abandonos é o de pessoas, crianças no topo, depois vem os animais e de seguida os livros. Como é possível alguém deitar fora livros? Mesmo escolares. Há bibliotecas capazes de os receber. Este acto de abandono também reflecte um pouco a mentalidade de quem o fez.
Apetece repetir o que Isaías dizia “Ai de mim, estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros” ou como São Pedro diz “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador”. São Paulo acaba por dizer o mesmo “Em último lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto”.
Deus chama-nos a todos e a primeira atitude nossa é reconhecer que não estamos à altura do Seu chamado. Mas ele chama na mesma. Muitas vezes nós temos que perdoar primeiro a nós próprios, somos muito exigentes com as nossas fraquezas e corremos o risco de excluir-mo-nos da Igreja por causa dessa exigência. Jesus, no Evangelho de hoje, não diz nada sobre o pecado de Pedro, simplesmente afirma que ele e os outros serão pescadores de homens.
A quem quer ser verdadeiramente fiel, nunca há uma palavra de ameaça ou de censura por parte de Deus. Pois é no coração do homem que se decide o julgamento.
Por outro lado, parece ser muito difícil entrar no nosso pensamento que é Deus que actua e não nós. São Paulo afirma-o com clareza. “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou e a graça que me foi concedida, não foi estéril. Pelo contrário, tenho trabalhado mais do que todos eles: não eu, mas a graça de Deus que está comigo.”
Nas últimas semanas tenho escrito muito pouco aqui. Tive o fecho do ano que me ocupou as energias e depois fiquei sem vontade.
Não vou ser nada original, mas estou bastante confuso com a situação do país. Neste momento não há ninguém que mereça o meu respeito na política. O governo governa a pensar no poder e nas eleições. A oposição faz exactamente o mesmo. Os órgãos de informação manipulam a informação e são manipulados. Todos só pensam no seu interesse imediato, mesmo que ele signifique o mal para o país.
O que estamos a ver? Teimosia do governo em rejeitar a alteração da lei das finanças regionais autónomas. Teimosia da oposição em levá-la em frente. Os jornais violam a lei do segredo de justiça impunemente. Os agentes da justiça a fazer o mesmo.
Está tudo muito confuso. Não me lembro dos tempos depois da revolução de Abril, mas penso que não estejamos assim tão diferentes. Cada um fazia o que entendia. Os alunos desrespeitavam os professores. Chegou a haver reuniões dos alunos para decidir as notas. Os políticos lutavam para chegar ao poder.
Ou então recuamos um século. Nas cinco décadas antes da implantação da república a vida política do país era uma confusão, também. Mudava o partido e a incompetência mantinha-se. É bastante oportuna a comemoração do centenário da República no estado actual da vida pública portuguesa. Corrupção a todos os níveis. Impreparação das nossas elites para o governo. Alheamento do povo.
Já lá não vamos com revoluções. Tivemos três e estamos quase na mesma. Será que vai acontecer como uma agência de rating disse: que a economia do país vai ter uma morte lenta?
Eu não sou a pessoa mais indicada para comentar política. Dá para acreditar que quando ouvi o ministro das finanças acreditei nele e concordei nele? E que depois concordei com o que a oposição disse? Eu acredito em tudo o que dizem. Não sei se é defeito meu ou da minha formação académica, mas não sou crítico. Acredito em norma em tudo o que me dizem. Para descobrir um engano, erro ou mentira terei que estar muito certo do que sei.
As vezes gostaria de conseguir fechar-me à informação. Não ouvir rádio nem ver noticiários. Não ver notícias na televisão é fácil, já na rádio é difícil, sou ouvinte compulsivo. Tenho que experimentar.
No domingo passado o tema central era a Palavra, neste é o profeta que a proclama. Na primeira leitura aparece-nos o protótipo do profeta, no caso Jeremias, que encarnou de tal forma a sua missão que se tornou numa antecipação do que Jesus viria a ser. Ser profeta é dar voz às palavras de Deus. Deus tem palavras de amor e salvação, mas a humanidade entende-as como castigo e privação. Ser profeta é fazer depender a totalidade do seu ser de Deus. Jeremias ao longo do seu livro lamenta-se por causa da sua missão. Não é por sua vontade que profetiza, é por amor e dever para com Deus que o faz, é Deus que actua nele e isso por vezes causa-lhe sofrimento. Não nos iludamos, ser profeta não é uma condição glamourosa.
Assim se vê no Evangelho. Jesus, modelo de profeta, o Messias, não é bem recebido pelos seus. Aqui há duas realidades a considerar. Por um lado, Jesus veio para todos e não só para os judeus. Os exemplos que Ele dá (a viúva e o leproso sírio) indicam que a Sua Palavra é dirigida a toda humanidade. Daí o choque com as autoridades religiosas e civis do tempo. Por outro lado, Ele estava a dirigir-se a uma população que o conhecia humanamente desde o Seu nascimento. Não conseguiram separar o homem da mensagem que Ele transmitiu. Terão perdido a noção de como Deus actuava nos profetas? Terão achado que um humilde como Jesus nunca poderia ter sido escolhido para ser profeta? O que faltou àquela gente?
Certamente terá faltado a caridade de que São Paulo fala na segunda leitura. Este é um dos textos mais belos e incríveis da Bíblia, na minha opinião. Prefiro a tradução de 'caridade' em vez da de 'amor'. A palavra 'amor' está muito contaminada pelas nossas definições. Neste texto são sinónimos no sentido em que o amor seja gratuito, totalmente desprendido de si.
O profeta terá que viver na caridade. Nada do que faça, se não for por ela e através dela, lhe vale. A caridade é uma atitude interior, antes de tudo. Não há gesto grandioso que se equipare a um coração caridoso. O profeta olha a realidade com o coração cheio de amor, caridade, e fala o que Deus quer dizer.
Como desafio deixo a ideia de olharmos para a nossa consciência, para a palete dos nossos valores e regras, e vermos que estamos abertos à palavra de Deus que nos vem através dos profetas mais improváveis.
Neste domingo um dos temas centrais é a Palavra e a sua proclamação. Na primeira leitura, do livro de Neemias, aparece-nos a ocasião solene da retoma da prática religiosa do povo de Israel depois do regresso do Exílio na Babilónia. Regressaram a uma Jerusalém destruída. Trabalharam muito para a reconstruir, tiveram muitos problemas. Quando atingiram alguma paz e o regresso pareceu concluido retomaram o culto ao Senhor que os castigara, mas que também os fizera regressar. A Palavra estava no centro, através dela puderam aprofundar a relação com Deus. A leitura pública assume uma importância que antes não existia. O dia do Senhor, hoje domingo, é o dia da Palavra, da escuta, da compreensão, de a transformar em alimento.
No Evangelho vemos Jesus fazer o mesmo. Ele que é a Palavra feita carne, leu a profecia que naquele momento se concretizava. Não só naquele momento, mas continuou a acontecer em toda a actividade de Jesus e mais tarde na Sua Igreja. No início do Evangelho de hoje, São Lucas explica que pesquisou muito para escrever este livro, foi à procura das fontes, das testemunhas, para que a Palavra estivesse fielmente presente nas suas palavras.
Sim, hoje a Igreja olha com especial atenção para a importância da Palavra na sua vida. E a Palavra é mais fértil se houver quem a multiplique, quem a proclame, quem a leia para os outros. Vejo nestas leituras de hoje uma ocasião especial para reflectir sobre os ministros da palavra, os leitores e os cantores. As Eucaristias seriam muito pobres sem eles. Se a Palavra precisa da partilha do Pão, também esta precisa daquela para ser pleno.
Numa certa medida é isso que na segunda leitura, São Paulo, fala ao usar a imagem do corpo para explicar a importância e necessidade de haver várias tarefas de diferentes naturezas. O Espírito que lhes dá vida e sentido é o mesmo. Todas trabalham para o bem comum. Assim na Igreja é igualmente vital o Bispo, como o leitor ou como a pessoa encarregada de limpar a igreja. Todos são membros do mesmo corpo.
Dois desafios surgem neste dia: descobrir o nosso lugar no corpo da Igreja e encontrar um espaço diário para a Palavra. Já várias vezes falei aqui da minha prática: ler um capítulo da Bíblia todos os dias, começando de preferência pelo Novo Testamento, e quem sabe tomando notas ou fazendo um resumo. É uma ideia.
Hoje vou escrever sobre uma série que me despertou a atenção há uns meses. Descobri-a navegando na página da produtora HBO. Na página dedicada à série pude encontrar pequenos resumos em vídeo dos episódios, como se fossem trailers. Fiquei com a série debaixo de olho.
A série chama-se True Blood e tem vampiros. Já estou a imaginar o que se passa na vossa menta. O tipo ficou apanhadinho pela moda dos vampiros. Realmente esta série e a saga Crepúsculo reavivaram este tema. Nem quando saiu o filme “Entrevista com vampiro” ou o “Drácula de Bram Stoker” se gerou uma moda como esta.
Esta série está a passar na RTP1 a altas horas. No início, quando soube, achei mal. Depois com os comentários de uma amiga minha que tem visto alguns episódios percebi a escolha do horário. Eu gravei vários episódios, mas não cheguei a ver um inteiro. Daquilo que pude ver fiquei surpreendido. As imagens dos resumos que vi não mostram as cenas de sexo e elas fazem parte numa medida bem grande da história. Para mim isso é o motivo para que não esteja a acompanhar a série. O erotismo desassossega-me, não preciso para a minha felicidade sujeitar-me àquele tipo de estímulos. Tenho uma vida celibatária, não preciso disso.
No entanto acho que a série está muito bem escrita e feita. A nível de argumento há várias perspectivas. Há a temática clássica dos vampiros, mas junto a ela vem uma reflexão política. Na história os vampiros não estão escondidos. Forma uma minoria e lutam por uma lugar na sociedade. Há os pró e os contra os vampiros. Há a relação entre o vampiro e a rapariga. Há uma atmosfera curiosa de negritude afro-americana que se pode ver bem expressa no genérico inicial.
Existe muita sensualidade na história. A própria protagonista está na origem dela. A Anna Paquin está muito atraente. A maneira como se veste desassossega-me. Ela tem uma beleza engraçada, na minha opinião, pouco estereotipada. Os dentes não são perfeitos, mas isso fica-lhe bem. Ela tem uma imagem de ingenuidade e pureza que contrasta com a perversidade que a rodeia. Isso torna-a mais atraente.
A atmosfera de negritude afro-americana caracteriza-se por a história se passar no sul dos Estados Unidos, talvez Nova Orleães. Há um certo ar de fanatismo religioso. Há uma história secundária de magia negra, possessões, talvez voodoo. Há devassidão.
Esta atmosfera, na minha cabeça, liga-se muito bem ao blues. Este estilo musical teve origem naquela região, naqueles ambientes. Isto faz ligação ao vídeo que apresento de seguida. Este vídeo é de um músico português cujo o corrente projecto chama-se The Legendary Tigerman. Normalmente não costumo gostar das músicas dele. Abordam este universo do qual estou a falar: devassidão, voodoo, decadência. Mas este tema até que gosto. Faz parte do último disco “Femina”, onde ele é acompanhado por várias vozes femininas. Neste é a actriz Maria de Madeiros.
No porta Jamendo descobri também esta banda portuguesa. Eles tomam como base temáticas tradicionais e dão-lhe uma roupagem mais pop/rock. Chama-se Dança dos homens e são de Braga.
Enquanto organizo o meu tempo e a minha inspiração para escrever deixo-vos a minha última descoberta musical. Foi no portal Jamendo. Eles chamam-se Chronique, são alemães e fazem um som rock progressivo que me agrada. Faz lembrar Pink Floyd e Porcupine Tree.
A música deles acompanhou-me nestes últimos tempos com muita intensidade.
Neste domingo o tema central gira à volta do significado das bodas de Caná. Estamos no início do tempo comum, do ano litúrgico. Este tempo serve para nos treinar vivendo o tempo do Reino de Deus. Por isso no início vem o que significa esta relação entre Deus e a Humanidade, o que significa para cada um de nós a Encarnação de Jesus, a Sua vida, Paixão, Morte e Ressurreição.
Na primeira leitura, do profeta Isaías, a relação de Deus nascida da Ressurreição do Messias baseia-se numa relação matrimonial. Deus e a Igreja são os noivos que se entregam totalmente a essa relação de amor.
Dessa relação sairão frutos. São os vários carismas que São Paulo fala na segunda leitura. Cada membro da Igreja, recebe de Deus um determinado carisma, dom, missão, consoante a a vontade do Espírito. Todos trabalham para o mesmo porque todos partilham um mesmo Espírito.
O episódio do Evangelho de hoje tem diversas interpretações (São João é fértil na escrita de textos com muitos ângulos). À luz das restantes leituras e da posição no calendário, para além do que o próprio texto diz, este episódio inaugura solenemente a vida pública de Jesus. A festa do casamento é uma ocasião de celebração do amor e o ponto de partida para uma nova vida. A liturgia de hoje tem esse objectivo. Um novo ano começa, uma nova oportunidade de caminho, de crescimento, de encontro ou reencontro com Deus.
No início está sempre Nossa Senhora. Ela começa, ela incentiva, ela intercede.
Outra perspectiva que encontrei é o apontar para a Páscoa. Na semana passada o símbolo central foi a água do Baptismo. Hoje é o Vinho. Jesus pega na Água e transforma-a em Vinho. Pega na Purificação e acrescenta-lhe a Vida. A Água e o Vinho simbolizam ambos a Vida, mas se uma é o sustento da Vida, o outro é a sua alegria. E será na Páscoa que o Vinho será também transformado. Dessa vez será em Sangue, símbolo último de Vida doada.
Do Espírito que desce passamos às Àguas, delas ao Vinho. Do Vinho ao Sangue e do Sangue à Vida Eterna, ou seja, ao Espírito. E depois? Depois sejamos nós Espírito para descermos também nós...