sábado, 12 de março de 2011

Sobre a Manifestação Geração à Rasca


Apesar de pertencer à Geração Rasca, a que teve que levar com as PGAs, com o fim do cavaquismo, não sou de manifestações. Defeito de personalidade. Sou demasiado introvertido. Mas até que simpatizo com a causa desta Geração à Rasca. Não me dei ao trabalho de ler o manifesto, mais um defeito meu, mas fui apanhando aqui e ali ecos dele e do que as pessoas andam a falar e a pensar.

No fim do cavaquismo vivi muitas dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Felizmente tive sorte até hoje, o que não quer dizer que continue a ter. Não há empregos garantidos, excepto para os políticos. Por isso compreendo a frustração e o sentimento de abandono dos que se manifestaram.

Não esperava ver tanta gente na rua. As máquinas partidárias de esquerda devem ter dado uma ajuda, pelo menos vi cartazes claramente do Bloco de Esquerda. Felizmente acho que a maioria não estava ali por iniciativa do partido.

Admitamos que em todos o país manifestaram-se trezentas mil pessoas. É significativo. Basta? Talvez não. O Governo anda a fazer colecção de PECs, tendo acrescentado mais um na véspera desta manifestação. E a minha pergunta é a seguinte (com maiúsculas para ser mais clara): E AGORA?

Fizeram uma manifestação histórica, mas isso mudará alguma coisa? Os participante poderão contar aos netos um dia, se os tiverem, que estiveram lá, mas isso pouco ajudará para que o seu futuro mude de aspecto, visto deste ponto da História.

Esta manifestação só terá o resultado que as pessoas desejam, se amanhã as mesmas pessoas voltarem àquelas ruas, avenidas e praças. Amanhã, depois e nos dias seguintes. Vêem-nos a fazer isso? Eu não. Sabem a liberdade de manifestação é muito bonita, mas se não tiver consequências é o mesmo se não existisse.

As ditaduras modernas permitem a livre expressão, mas as populações continuam oprimidas. A democracia só funciona se os Governos fizerem o que os eleitores querem e não imporem as suas ideias e visões para o futuro do país. O que temos visto em Portugal? Uns faziam o que queriam porque o português médio era inculto, tinha pouca preparação para saber o que era melhor para o país. Outros armaram-se do alto da sua competência técnica criaram os fundamentos para o estado actual das coisas. As pessoas viveram tempos de ilusória prosperidade. Outros atiraram-nos com os erros dos antecessores que pioraram a situação. Como resposta os actuais prometeram uma solução e executaram outra que nos levou ao estado actual. Houve democracia nisto? Se o povo elege um governante que prometia baixar imposto e depois ele sobe-os, o que isso significa? Que a Democracia não existiu.

Para terminar proponho aos manifestantes e aos outros todos que procurem formas novas de protesto. que encham os murais do Facebook do Presidente e dos poucos políticos que tiveram coragem ou interesse eleitoralista com as frases que levaram à rua. Que façam propostas.

2 comentários:

Daniel Fortuna disse...

Foi 1 primeiro passo. Felizmente sente-se um aumento de consciência. É uma luta dia a dia.

Cristina Torrão disse...

Tem toda a razão, amigo Jota. Deve-se insistir, de contrário, corre-se o risco de a manifestação não ter servido para nada. É esse um dos "defeitos" da democracia: tem-se liberdade para contestar, o que não quer dizer que a contestação leve a algum lado.