domingo, 1 de novembro de 2009

Tradição familiar

Neste dia de Todos os Santos cá em casa há uma tradição que vem da família da minha mãe. Ela é do norte, Alto Minho, e na vila existia uma feira neste dia. Um dos produtos mais vendidos eram as castanhas.




Cá em casa é tradição comer nesta noite castanhas cozidas depois de comermos bacalhau com batatas (como o meu pai é diabético, há mais hortaliça) regados com um molho, que eu chamo à espanhola. Ou seja, nós fazemos o mesmo que é feito na consoada, tirando a parte das castanhas.

Eu gosto muito de castanhas. Fazem-me sentir parte da história (tanto comê-las como participar na tradição familiar). Quando andava na escola primária ouvi dizer que os lusitanos comiam castanhas, que elas eram a base da sua alimentação. Ao comer no dia de hoje castanhas, estou a comungar com essa memória, estou a acompanhar esses nossos antepassados, a ser parte deles. Também entre eles terão existido Santos.

Há gestos, ritos, que nos fazem quebrar as barreiras do tempo, que sendo comuns a várias eras nos caracterizam como povo, cristãos ou mesmo seres humanos.

(queria ser mais efusivo, mas estou chocado pela notícia do falecimento do António Sérgio)

Por outro lado, há uma tradição que nunca pegou na minha família: o Pão-por-Deus. Curiosamente a minha mãe foi dar a um menino, aqui do bairro, que tendo idade para falar não fala ainda, um pacote de bolachas Maria. O menino parece um anjo barroco, lourinho cheio de caracóis. Ela decidiu dar-lhe por ser o dia do Pão-por-Deus. (acho que foi só uma desculpa, pois já lhe deu bolachas noutras ocasiões, mas fica o gesto)

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