segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sobre a morte do Bin Laden

Não tenho muito a dizer sobre a notícia da morte do Bin Laden. A primeira coisa que senti foi pena. Tinha sentido o mesmo em relação ao Jonas Savimbi. Por pior que a pessoa tenha sido em vida, sinto tristeza pela morte de alguém assim.

Que legado deixam? Morte e destruição. Terão tido oportunidade para se arrependerem dos seus pecados? No caso do Bin Laden, ele estava convencido que estava certo. Mais dramático ainda! Custa-me compreender esta forma de pensar. Considerar que outro ser humano merece morrer dá-me tristeza. Como é que o Bin Laden se considerava um homem religioso se o fruto da sua fé é morte?

Igualmente triste é a reacção dos nova-iorquinos. Pela mesma razão. É uma reacção tipicamente hollywoodesca que vimos nos filmes. Mais, é uma reacção igualzinha à dos seus inimigos. Quando é que eles vão perceber que não são nem mais nem menos que os outros povos? Até quando é que vão considerar-se os senhores do mundo só porque ajudaram a Europa a vencer as duas guerras mundiais?

Voltando ao Bin Laden. Este sentimento de pena cresce quando penso que aquele homem violentamente morto já foi uma criança, já dormiu tranquilamente num colo, já sorriu e teve toda a esperança no olhar.

Outro aspecto negro desta história é a certeza que tenho que esta guerra, em que ele era uma parte, não vai terminar tão cedo. Tenho dúvidas sobre se ele ainda comandava a organização como fizera antes dos ataques. A Al Qaeda parece ter uma estrutura pouco rígida. Existe uma inspiração inicial na criação das células terroristas, talvez algum treino, mas cada célula é autónoma na estratégia, planeamento e execução. Eliminar o líder não desorganiza nada. A seguir a ele, dezenas de outros membros estão prontos para assumir a posição. Neste aspecto há uma diferença muito grande com o caso do Jonas Savimbi.

Por outro lado, tenho dúvidas sobre se vão acontecer represálias tão cedo. Por causa desta autonomia extrema das células, pode acontecer que nenhuma esteja preparada para agir de imediato. Pode acontecer, isso sim, um crescimento no recrutamento de operacionais.

Enquanto os Estados Unidos e os seus aliados não mudarem de atitude para com o resto do mundo vamos continuar com esta guerra. O que aconteceu na Líbia é só um exemplo.

2 comentários:

Daniel Fortuna disse...

Gostei do comentário. Dá para ver o mundo bárbaro em que estamos com as manifestações de alegria pela morte de Bin Laden.

Contudo, sou optimista.

Cristina Torrão disse...

Dou-lhe os parabéns pelo texto, que exprime também os meus sentimentos.

Infelizmente, na América, ainda se pensa muito em função de vingança, conceito que está aliado ao da justiça. Por isso, ainda lá impera a pena de morte na maior parte dos estados. E ainda se apoia o uso e porte de armas (legalizado). O direito de fazer justiça com as próprias mãos é considerado inalienável.